A economia como factor de revolta iminente

A agência de notação financeira Moody’s estima que Angola vá enfrentar este ano maior instabilidade social, apesar do abrandamento da austeridade graças ao aumento da produção de petróleo, e prevê um crescimento económico de 3%. Eis mais umas razões para o regime reforçar a repressão… democrática. Num relatório sobre os “ratings” (classificação de risco) dos países da África subsaariana, a Moody’s diz que “os países mais expostos ao risco de instabilidade social incluem Angola, Camarões, República Democrática do Congo, Ruanda e Uganda”, recorrendo a indicadores como o tempo de permanência…

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Nada se move sem corrupção

Tem um “padrinho na cozinha”? Se não, convém sempre ter um pouco de “gasosa” à mão, para pagar a quem possa facilitar o acesso a serviços públicos ou privados. Muitas vezes, a vida em Angola só funciona com corrupção. “P adrinho na cozinha” é uma expressão corriqueira em Angola. O termo significa ter uma pessoa conhecida num determinado órgão da administração pública ou em instituições privadas, que possa ajudar o cidadão que tem que recorrer aos bens e serviços do Estado. O “padrinho”, a pessoa com o desejado grau de…

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O papel social dos intelectuais em Angola

Haverá por aí alguma resposta simples e acessível à pergunta: quem é o intelectual? Talvez sim, talvez não. Depende dos paradigmas da abordagem. Não há um identikit em três D da figura do intelectual, mas existem variados elementos que podem ajudar a fazer a sua construção mental ou racional. Por Raul Tati Não aprecio muito partir de definições estereotipadas da realidade. Identifico-me mais como um construtivista do ponto de vista filosófico, navegando algures numa lógica indutiva. Na busca da verdade teórica, penso ser mais escorreito mergulhar na realidade, observá-la e…

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“Responsabilizo dos Santos pela morte de Rufino”

Em entrevista ao Folha 8, Ekundi Chissolukombe (director de gabinete do Presidente da CASA-CE), analisa o estado de Angola – e da Coligação – nos seus mais diversos aspectos políticos, sociais e económicos. “Se o país tivesse à testa um homem capaz e patriota, os angolanos mais desfavorecidos não estariam a ser tratados conforme têm sido”, diz. Por Antunes Zongo Angola é um Estado conhecido pela sua grandeza geográfica, populacional e por numerosos recursos minerais em seu subsolo que, contrariamente ao que acontece no presente, deveriam servir para mitigar os…

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Os afectos entre Portugal e Angola e o racismo encapotado

Tem sido recorrente, sobretudo pela voz de negociantes, políticos e consultores portugueses, a romantização das relações entre Angola e Portugal. No programa “Expresso da Meia-Noite”, da SIC, Vítor Ramalho, secretário-geral da União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA) e ex-deputado do Partido Socialista afirmou mesmo que a ligação entre os dois países “é uma relação de paixão em que se entrecruzam afectos”. O que quer isto dizer? Por Rafael Marques de Morais (*) Trata-se de uma narrativa que pretende, acima de tudo, limpar a história. Portugal escravizou e colonizou…

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O orgasmo de dos Santos (II)

Façamos de conta que em Angola a Constituição era para cumprir. Se assim fosse, e se acaso alguém quiser dar credibilidade ao anúncio feito hoje, José Eduardo dos Santos ao auto-demitir-se em 2018, se eventualmente as eleições se realizarem em 2017, teria de convocar novas eleições (manter-se-ia em funções “até à tomada de posse do Presidente da República eleito nas eleições subsequentes”).

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O orgasmo de dos Santos (I)

Façamos de conta que em Angola a Constituição era para cumprir. Se assim fosse, José Eduardo dos Santos já há muito teria sido demitido. Suborno, peculato e corrupção estão para ele como a água está para os peixes. Igualmente atenta vezes sem conta contra o Estado democrático e de direito. Mas como é ele que manda no partido mais do que maioritário, tal como manda no Governo, nos tribunais, nas Forças Armadas… continua a gozar com os angolanos.

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“Abandonar a política activa não significa abandonar a presidência”

Eugénio Costa Almeida, investigador angolano-português, alerta que o tempo até à eventual saída do Presidente de Angola (no poder desde 1979 sem nunca ter sido nominalmente eleito), José Eduardo dos Santos, da política activa, hoje anunciada para 2018, poderá não chegar para preparar um sucessor, com riscos para a estabilidade. Por Orlando Castro Eugénio Costa Almeida, investigador do Centro de Estudos Internacionais do ISCTE-IUL, falava à Lusa após o anúncio de que o Presidente de Angola deixará a vida política activa em 2018, ano em que completará 76 anos. Em…

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A ponta de um iceberg no mal-estar na crise?

«Algo vai mal na banda e tudo começa a ser tomado como génese do triângulo de um certo mal-estar social, político e económico a crise petrolífera e a falta de kumbu. Por Eugénio Costa Almeida Investigador e especialista em assuntos africanos (*) Mas será que estes dois genomas da crise justificam tudo o que se vai passando? Senão vejamos: – A persistente falta de fundos cambiais, de início para pagamentos ao exterior e transferências de vencimentos de expatriados contratados e, agora, para permitir a compra de produtos da cesta básica…

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