Covid-19 gosta de barrigas vazias e dos musseques

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que Angola poderá ter cerca de 10 mil casos até Julho. Enfermeiros e médicos ouvidos pela DW África dizem que o sistema de saúde é limitado para esse volume de infecções e pode entrar em colapso. Um enfermeiro ouvido pela DW África – que prefere não ser identificado (o que só por si é elucidativo) – diz que o serviço nacional de saúde não está preparado para fazer face a pandemia. “H á insuficiência de material gastável e não só. Também ainda há…

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Entre a Covid-19 e a fome, entre a morte e o… óbito!

O administrador do município angolano de Cacuaco, Auxílio Jacob, anunciou hoje que mais 500.000 pessoas continuam a sair diariamente à rua naquela localidade do norte de Luanda, em “desobediência” ao estado de emergência devido à Covid-19, defendendo “medidas mais duras”. Entre morrer com Covid-19 ou à fome… As autoridades não querem perceber que o Povo, ainda mais nesta fase, não consegue sequer ter peixe podre e fuba podre. Ameaçá-lo com porrada não resulta. E não resulta porque os autóctones que vivem nos musseques (e que, ao contrário do que pensam…

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No país real, o Povo (ainda não) é quem mais… ordena

As autoridades determinam que os transportes colectivo públicos e privados devem apenas transportar no máximo “um terço de passageiros”, em relação à sua capacidade, no âmbito do estado de emergência devido à Covid-19. Enquanto isso, João Lourenço reduziu de 28 para 21 os ministérios que integram o Governo do país. A medida, que vigora desde esta sexta-feira, vem expressa no decreto presidencial 82/20 que define as medidas concretas de excepção em vigor durante os 15 dias do estado de emergência, proíbe também a prestação de serviços de moto-táxi. Os proprietários…

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Já não bastava a fome!

A Covid-19 já entrou no vocabulário dos musseques de Luanda, onde os habitantes (que, ao contrário do que o MPLA pensa, também são angolanos) sabem como se proteger, mas temem os efeitos do estado de emergência que os proíbe de biscates e pequenas vendas que lhes garantem a sobrevivência diária. Temem, por isso, que não vão conseguir aprender a viver sem… comer. Nos bairros de autoconstrução e ruas apertadas, esburacadas e poeirentas amontoam-se milhões de luandenses (que, repetimos, ao contrário do que o MPLA pensa, também são angolanos), informados sobre…

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Os pobres continuam
a ser (só) 20… milhões

Um gabinete holandês foi escolhido pelas empresas responsáveis pela reabilitação da Marginal da Corimba, em Luanda, para elaborar um projecto que até 2019 prevê conquistar ao mar uma área de 400 hectares para construção de uma auto-estrada e marinas. Os pobres continuam a ser 20 milhões. Mas poderão ser mais. Muitos mais. Segundo informação disponibilizada pelo Royal HaskoningDHV, este gabinete foi seleccionado pelo consórcio formado pelas empresas Urbeinveste Projectos Imobiliários, da empresária Isabel dos Santos (quem mais poderia ser?), e Van Oord Dredging and Marine Contrators, para desenhar o projecto…

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Às escuras não se nota a barriga… vazia

Comida estragada nos frigoríficos, telemóveis que não tocam porque não têm carga e velas sempre à mão tornaram-se numa rotina nos musseques à volta de Luanda, devido aos prolongados cortes no fornecimento de electricidade da rede pública. Em causa estão cortes que se arrastam há várias semanas, que o Governo angolano justifica com o aumento do consumo de electricidade e o défice de produção, mas também as obras de reforço de potência na barragem de Cambambe, no Cuanza Norte, que estão a desesperar sobretudo os bairros mais pobres de Luanda,…

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“Luanda-Cidade (im)Previsível)”

A tese de doutoramento da arquitecta Sílvia Viegas sobre Luanda analisa a situação da habitação na capital angolana desde 2002, alertando para situações imprevisíveis provocadas pela forma como os musseques são intervencionados pelo Estado. “A qualificação do musseque é uma alegada intenção do Governo, mas na prática isso não existe”, disse à Lusa Sílvia Leiria Viegas, investigadora do Grupo de Estudos Socio-Territoriais, Urbanos e de Acção Local (GESTUAL) da Faculdade de Arquitectura da Universidade de Lisboa. Para a elaboração da tese “Luanda-Cidade (im)Previsível)”, a investigadora deslocou-se à capital angolana para…

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Nova Luanda, velho e faminto (cadê a independência?) Povo

O Plano Director Geral Metropolitano de Luanda, projectando a capital angolana para 12,9 milhões de habitantes em 2030, começa a ser executado no próximo ano, prevendo a construção de 13 novos hospitais e 1.500 escolas. O plano, segundo informação governamental (pois claro!), foi aprovado na quinta-feira, em reunião do Conselho de Coordenação Estratégica da Província de Luanda orientada pelo Presidente da República vitalício, José Eduardo dos Santos, sendo um instrumento para o ordenamento do território e planeamento urbano a implementar nos próximos 15 anos. Representa “uma resposta de forma integrada…

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Angola é Luanda e o resto continua a ser paisagem

A província de Luanda deverá duplicar a população para 12,9 milhões de habitantes até 2030, o que obrigará à construção, nomeadamente, de 13 novos hospitais, 1.500 escolas e de 1,4 milhões de casas. A informação consta do Plano Director Geral Metropolitano de Luanda, preparado pelo Governo para a província da capital angolana, prevendo que só o município de Viana – o mais industrializado do país – atinja dentro de 15 anos os 3,1 milhões de habitantes. O documento faz também o diagnóstico da situação actual na província, estimando que 80%…

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