Recentemente chegou ao Ministério Público (MP) português um pedido de colaboração judicial das autoridades angolanas que causou estupefação. Ao abrigo do regime de colaboração internacional e dos acordos de cooperação entre os dois países na área da justiça, Angola solicitou um conjunto de informações sobre um determinado alvo (que aqui não revelo) que está a ser investigado em Luanda por suspeitas de burla, entre outros crimes. Mas, afinal, como é que um pedido corriqueiro de ajuda internacional de um país de língua oficial portuguesa causou tanta surpresa? Por António José…
Leia maisCategoria: Opinião
A FRAGMENTAÇÃO DE UMA SOCIEDADE EM DECADÊNCIA MORAL
Há momentos na história de um país em que já não basta sussurrar, dialogar com prudência ou usar metáforas para evitar desconfortos. Há momentos em que é preciso dizer claramente: a sociedade angolana está presa num ciclo de autossabotagem moral, política, cultural e económica, e fingir que está tudo bem é participar da própria decadência. Por: Adão Xirimbimbi “AGX” (*) omo é possível que um povo comprovadamente tão rico em espírito aceite viver tão pobre em consciência? Angola sofre de uma doença silenciosa, a abdicação do pensamento crítico. A modernidade…
Leia maisCABINDA. A MISSA AINDA NÃO FOI DITA MAS….
Sim, o destino de Cabinda ainda não está selado, porque a chama da resistência continua a arder e apesar da forte repressão de João Sabota Lourenço e do seu MPLA, porque a FLEC (nas suas várias facções) continua as suas acções militares, e os activistas civis continuam a expressar-se (correndo o risco de serem presos), demonstrando que o desejo de autodeterminação ainda não se extinguiu. Por Osvaldo Franque Buela (*) conflito de Cabinda não está resolvido; encontra-se apenas congelado e contido pela força do regime comunista e autoritário angolano, e…
Leia maisREFORMAS PARA A INVERSÃO DO DECLÍNIO DA SONANGOL
1- O declínio estrutural da Sonangol. A Sonangol atravessa um processo de declínio que não pode ser explicado apenas por conjunturas desfavoráveis, como a pandemia ou a volatilidade dos preços internacionais do petróleo. O que se observa é uma erosão estrutural, resultante da fragilidade institucional e da sua incapacidade em aumentar a produção petrolífera. Por Rui Verde (*) o mesmo tempo, os investimentos fora do petróleo — em saúde, transportes, telecomunicações ou imobiliário — revelaram-se insustentáveis, acumulando centenas de milhões de dólares em prejuízos e funcionando como um peso crónico…
Leia maisCARTA ABERTA A EMMANUEL MACRON – UM APELO POR CABINDA
Excelentíssimo Senhor Presidente Emmanuel Macron. Com todo o respeito pela sua posição, decidimos dirigir-lhe esta carta para chamar a sua atenção para pontos de suma importância, realçando a coerência da nossa abordagem e a defesa dos princípios que a França defende. m primeiro lugar, gostaríamos de lhe lembrar que o nosso coletivo, enquanto cidadãos, lhe enviou um Manifesto datado de 19 de maio de 2025, do qual recebemos confirmação de receção. Este documento levantou questões importantes relativas à situação política, social e humanitária em Cabinda. Senhor Presidente, dada a urgência…
Leia maisMENTECAPTOS, CABRAS E AS VELHAS FERIDAS QUE NUNCA MORREM
Na última semana, Angola e Portugal voltaram a encontrar-se naquele terreno pantanoso onde a política se confunde com memória, ressentimento e uma pitada generosa de espectáculo. André Ventura, na sua vocação habitual de incendiário, pegou no discurso do Presidente angolano e transformou-o num pretexto para nova exibição de bravura populista. Ernesto Bartolomeu, símbolo de décadas de “Boa noite, está a começar o Telejornal”, não deixou barato e devolveu-lhe um contundente “mentecapto” e “se vencer as eleições, vai governar as cabras da Beira Alta e Beira Baixa”. Por Mwata Santos foi…
Leia maisQUEM MOLDOU A NOSSA FORMA DE PENSAR E QUEM LUCRA COM ISSO?
Há algo inquietante na forma como fomos moldados a pensar e agir. Essa inquietação acompanha-me há anos, especialmente quando observo o modelo de formação académica — sobretudo nas áreas da saúde. Afinal, quem decidiu o que devemos aprender? Quem escolheu as disciplinas que moldam a nossa visão de mundo? Por Mauro Saraiva Falcão (*) uando questionei professores universitários, descobri que não eram consultados sobre a construção das grades curriculares. As decisões vêm de cima: coordenação, conselhos profissionais, ministérios — todos alinhados a directrizes que não nasceram aqui. Então surge a…
Leia maisANGOLA – ENTRE O SONHO E O DESENCANTO
Introdução: O marco dos 50 anos. 11 de Novembro de 2025, Angola assinala meio século de independência. Cinquenta anos depois, a data impõe não apenas celebração, mas também reflexão. Por Eugénio Costa Almeida independência foi o ponto culminante de uma luta heróica e longa, que pôs fim a quase cinco séculos de dominação colonial portuguesa. Contudo, o sonho da libertação rapidamente se viu ensombrado por divisões internas, guerra-civil e desigualdades persistentes. A história destes cinquenta anos é, por isso, uma narrativa de conquistas e fracassos, de esperança e desencanto; e…
Leia maisCINQUENTA ANOS DE INDEPENDÊNCIA E DE OPRESSÃO DE CABINDA
A conquista da soberania nunca foi uma dádiva. Sempre resultou de um gigantesco esforço de homens e mulheres corajosos, movidos de convicções inabaláveis de defesa de uma identidade verdadeira e um destino próprio. É com essa mesma garra que o povo irmão de Angola enfrentou o colonialismo português e conquistou, com sacrifício e bravura, a sua independência nacional em 11 de Novembro de 1975. Todavia, a mesma data que para Angola simboliza a libertação, para Cabinda marca o início de um neocolonialismo angolano, uma nova forma de dominação, agora não…
Leia maisMPLA CELEBRA DESESPERO DO POVO DE CABINDA
Para justificar esta questão, que me parece relevante e essencial quer da perspectiva de Cabinda, quer da de Angola, limitar-me-ei a oferecer ao valente povo de Cabinda uma mensagem de conforto e esperança. Por Osvaldo Franque Buela (*) alente e heróico povo de Cabinda, o caminho para a autodeterminação é longo e está repleto de obstáculos, mas a história ensina-nos que a perseverança é a verdadeira moeda da liberdade. A sua luta pela dignidade e pela justiça está gravada não só no Tratado de Simulambuco, mas no coração de cada…
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