Vinte anos depois, não podemos perguntar-nos se o processo de paz para Cabinda, que começou em Chicamba, às portas da exuberante floresta de Maiombe, e foi assinado no deserto da província do Namibe, não prenunciou, na verdade, o deserto que este acordo está a atravessar na vida dos cabindenses e do FCD (Fórum Cabindês para o Diálogo)? Por Osvaldo Franque Buela (*) sto pode parecer risível, mas é uma análise de subtileza poética, quase premonitória, que me permito fazer aqui através desta metáfora geográfica que, em retrospectiva, e com razão,…
Leia maisCategoria: Opinião
OS EUA NÃO ESTUDARAM AFONSO DE ALBUQUERQUE
A ironia histórica é evidente: enquanto Afonso de Albuquerque, no século XVI, compreendia que Ormuz exigia uma combinação de força, diplomacia e administração, os EUA, com todos os seus recursos, continuam a agir como se o estreito fosse apenas uma questão de projecção naval. Por Rui Verde (*) tomada de Ormuz por Afonso de Albuquerque, tentada em 1507/1508 e consumada em 1515, mais do que um episódio militar de expansão portuguesa no Índico, foi um gesto de geopolítica perspicaz que antecipou, com cinco séculos de antecedência, a centralidade estratégica que…
Leia maisEMBAIXADA ANGOLANA EM PARIS BOICOTA APOIO HUMANITÁRIO A CABINDA
De facto, no 5 de Fevereiro de 2026, a IPAN (Associação Iniciativa Pan-Africana), uma associação humanitária voltada para a cultura, a educação e o empreendedorismo, oficialmente reconhecida pela legislação francesa de 1901 para associações humanitárias e apolíticas, apresentou uma carta solicitando registo e reconhecimento institucional para auxiliar comunidades carentes em Angola e Cabinda. carta incluía toda a documentação necessária, com o objectivo de fornecer assistência oficial e transparente, em conformidade com a legislação angolana, por meio do fornecimento de materiais para reduzir a exclusão digital e outros materiais escolares. Após…
Leia maisEIXO SUL-ATLÂNTICO, PILAR DA INSERÇÃO INTERNACIONAL DE LUANDA
1. Introdução: uma parceria estratégica em reconfiguração. A relação entre Angola e o Brasil ultrapassa a mera fraternidade lusófona e a partilha de raízes históricas comuns. Ela está associada, cada vez mais, a uma lógica de parceria estratégica de geometria variável, capaz de responder simultaneamente às ambições de política externa de Luanda e ao renovado activismo internacional de Brasília. O período actual marca um momento de particular intensidade nessa relação, com Angola a afirmar-se como o mais relevante parceiro africano do Brasil e a utilizar essa posição para consolidar a…
Leia maisMILIONÁRIOS NÃO PAGAM IMPOSTOS E AS MULHERES PAGAM O PREÇO
O mundo fala sobre desigualdades de género, mas raramente menciona o mecanismo que as sustenta: um sistema fiscal global feito sob medida para quem tem mais. Um sistema fiscal projectado para que as multinacionais e os super-ricos não prestem contas é também um sistema projectado para que as mulheres arquem com os custos que eles evitam. Por Magdalena Sepúlveda (*) ste Dia Internacional da Mulher de 2026 (8 de Março) é uma ocasião para dizer abertamente o que está acontecendo: retrocessos e resistência. Retrocesso porque o desmantelamento do multilateralismo, o…
Leia maisO QUE ESPERAVAM OS CABINDAS DE PORTUGAL?
Na sequência da resposta do governo português à pergunta oral colocada pelo partido Chega, o governo português respondeu recorrendo a termos que dizem muito sobre a sua posição, ao afirmar que Cabinda é parte integrante de Angola e que se trata de uma questão interna, dada a existência de acordos assinados em 2006 entre as partes, os quais são também apresentados como uma possível solução. Por Osvaldo Franque Buela (*) reacção dos vários movimentos de Cabinda não tardou a chegar através dos media e outros meios de comunicação, revelando, em…
Leia maisFACEBOOK, META… GENTALHA NADA RECOMENDÁVEL
“Gente pouco recomendável – Uma história real sobre poder, ganância e idealismo perdido” é uma obra assinada pela ex-directora de Políticas Públicas Globais do Facebook. “Este é o livro que Mark Zuckerberg tentou silenciar”. A autora, Sarah Wynn-Williams, é uma ex-diplomata neozelandesa e advogada que trabalhou durante sete anos no Facebook e decidiu contar o que por lá viveu num mundo económico e financeiro putrefacto e criminoso. Por Norberto Hossi obra foi descrita pelo The New York Times como “um retrato feio e detalhado de uma das empresas mais poderosas…
Leia maisVERGONHOSO E DEMAGÓGICO DISCURSO DE JOÃO LOURENÇO NA UA
De facto, para além de não reconhecer o seu rotundo fracasso e incompetência na presidência rotativa da União Africana, nada, absolutamente nada, obrigou João Lourenço a terminar o seu mandato com um dos discursos mais demagógicos alguma vez proferidos numa cimeira da União Africana, e sobre um tema em que é o exemplo perfeito de encobrimento inconstitucional na perspectiva do seu país. Por Osvaldo Franque Buela (*) rata-se de uma constatação amarga, mas amplamente partilhada pela juventude africana, que a União Africana (UA) parece ter-se tornado um “mercado de retórica”,…
Leia mais4 DE FEVEREIRO DE 1961 E A LUTA DE LIBERTAÇÃO NACIONAL
Introdução. O dia 04 de Fevereiro de 1961 não representa apenas uma efeméride no calendário cívico de Angola; constituiu o “batismo de fogo” da consciência nacionalista e o ponto de ruptura irreversível com o sistema colonial português. O ataque coordenado à Cadeia de São Paulo/PIDE, à Casa de Reclusão Militar e à 7ª, em Luanda, protagonizado por um grupo de patriotas armados predominantemente com catanas, estilhaçou a ilusão da “paz luso-tropical” propagada pelo regime de Salazar. Por Eugénio Costa Almeida (*) ste ensaio propõe-se a analisar o 04 de Fevereiro…
Leia maisO NVUNDA TONET PARTIU CEDO DEMAIS…
Por que razão escreveria um texto a tentar morder os calcanhares da dimensão de Nvunda Tonet? Coloco-me esta questão como a desafiar a grandeza de alguém que foi realmente grande. Por António Quino Jornal de Angola uito jovem, sereno, lúcido e equilibrado, parecia destinado a uma missão breve: repor humanidade onde ela escasseava, entrar em vidas alheias sem estrondo e reorganizar pacientemente os móveis psico emocionais da mente. Alguém que não se limitava a escutar, alguém que abre janelas numa casa abafada, permitindo que o ar fresco da esperança circule.…
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