OS EUA NÃO ESTUDARAM AFONSO DE ALBUQUERQUE

A ironia histórica é evidente: enquanto Afonso de Albuquerque, no século XVI, compreendia que Ormuz exigia uma combinação de força, diplomacia e administração, os EUA, com todos os seus recursos, continuam a agir como se o estreito fosse apenas uma questão de projecção naval. Por Rui Verde (*) tomada de Ormuz por Afonso de Albuquerque, tentada em 1507/1508 e consumada em 1515, mais do que um episódio militar de expansão portuguesa no Índico, foi um gesto de geopolítica perspicaz que antecipou, com cinco séculos de antecedência, a centralidade estratégica que…

Leia mais

RUI VERDE APELA A NOVO PARADIGMA ENTRE GOVERNOS E POVOS

Na sua intervenção na Biblioteca Palácio Galveias, que encheu o auditório com mais de uma centena de leitores e autores, Rui Verde sublinhou que o livro “50 anos de Independências Africanas Vistos pelos seus Cidadãos” representa, acima de tudo, uma expressão da sociedade civil africana, reunindo contributos maioritariamente independentes do poder político instalado. urante o lançamento, Rui Verde destacou que o grande impulso da obra pertence a Eugénio da Costa Almeida, assumindo o seu próprio papel como complementar no processo de coordenação. Mais do que um balanço histórico, o académico…

Leia mais

REFORMAS PARA A INVERSÃO DO DECLÍNIO DA SONANGOL

1- O declínio estrutural da Sonangol. A Sonangol atravessa um processo de declínio que não pode ser explicado apenas por conjunturas desfavoráveis, como a pandemia ou a volatilidade dos preços internacionais do petróleo. O que se observa é uma erosão estrutural, resultante da fragilidade institucional e da sua incapacidade em aumentar a produção petrolífera. Por Rui Verde (*) o mesmo tempo, os investimentos fora do petróleo — em saúde, transportes, telecomunicações ou imobiliário — revelaram-se insustentáveis, acumulando centenas de milhões de dólares em prejuízos e funcionando como um peso crónico…

Leia mais

O CORREDOR DO LOBITO: RETÓRICA, ENGENHARIA FINANCEIRA E DISPUTAS DE VALOR

O Fórum Global Gateway realizado em Bruxelas em Outubro de 2025 reafirmou o posicionamento da União Europeia (UE) como ator geoeconómico estratégico na África Austral. No centro das atenções esteve o Corredor do Lobito — a infraestrutura ferroviária que liga o porto angolano de Lobito às regiões mineiras da República Democrática do Congo (RDC) e da Zâmbia. Apresentado pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, como um dos projetos mais ambiciosos do programa europeu, o corredor é descrito como uma alavanca para garantir o acesso a minerais críticos,…

Leia mais

A RETIRADA DOS SUBSÍDIOS AOS COMBUSTÍVEIS

A diminuição das receitas petrolíferas no OGE e a necessidade de financiamento do Estado. Seguindo as orientações do Fundo Monetário Internacional (FMI), o governo angolano está a retirar gradualmente os subsídios aos combustíveis. O FMI defende essa posição porque acredita que essa medida vai gerar poupanças significativas para o governo e melhorar a sustentabilidade fiscal do Estado, uma vez que os subsídios aos combustíveis representam um custo elevado para o Orçamento Geral do Estado (OGE), tendo chegado a 9,1 biliões de kwanzas entre 2021 e 2024. Além disso, há preocupações…

Leia mais

AUTARQUIAS E A INCLUSÃO DO PODER TRADICIONAL

Tendo sido convidado e aceite participar no 1.º Congresso Angolano de Direito Eleitoral, realizado a 7 e 8 de Dezembro de 2023, por motivos técnicos não consegui apresentar a minha comunicação online. Fica aqui o texto da apresentação. Por Rui Verde (*) specificidade da eleição local. Um sistema eleitoral local não tem necessariamente de replicar o sistema nacional. Apesar de em ambos os casos estarmos perante a escolha de representantes em processos democráticos, a natureza das eleições e dos órgãos é algo diferenciada. Em muitos países, a taxa de abstenção…

Leia mais