O Presidente angolano, há 38 anos no poder sem nunca ter sido nominalmente eleito, classificou hoje o seu último mandato presidencial como estável “política e socialmente”, apesar da crise económica, uma oportunidade boa para o país se libertar da dependência excessiva do petróleo. Por Orlando Castro [dropcap]J[/dropcap]osé Eduardo dos Santos, Presidente de Angola desde 1979 e líder do MPLA, partido no poder há 42 anos (desde a independência), não concorre directamente (fá-lo indirectamente através de uma das suas marionetas, João Lourenço) às eleições gerais de 23 de Agosto e fez…
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Não há guerra em Angola,
mas também não há paz!
O governo angolano tem coleccionado muitas mortes ao longo do seu reinado de podridão. A onda de repúdio que se instalou internacionalmente em solidariedade aos presos políticos do “Processo 15+Duas” não serviu para dissuadir o regime ditatorial das suas práticas repressivas. Por Sedrick de Carvalho (*) [dropcap]Q[/dropcap]uando Jonas Savimbi, líder-fundador do partido político UNITA, foi morto, isto em 2002, eu era miúdo mas lembro ter ouvido e visto eufóricas celebrações e inclusive muitos tiros disparados porque a personificação do Mal estava aniquilada. Como é habitual, as crianças dançam ao ritmo…
Leia maisA liberdade de expressão na guerra à corrupção
O presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos da América, Paul Ryan, apelou hoje ao fim das acusações contra Rafael Marques e Mariano Lourenço por parte do Ministério Público (MP) de Angola. [dropcap] “A[/dropcap] liberdade de expressão é uma forma básica de controlo da corrupção”, escreveu na rede Twitter o líder republicano no Congresso norte-americano. “Deixem cair a acusação contra Rafael Marques de Morais e Mariano Brás Lourenço”, acrescentou Paul Ryan no post publicado na rede de mensagens ‘online’. O MP angolano acusou, no passado dia 21, Rafael Marques…
Leia maisA banalização da verdade
Todos sabemos que a ditadura mata, rouba, corrompe, e conspurca até os mortos. Sabemos! E sabemos quem lidera a ditadura, os assassinatos, o saque e a corrupção em Angola. Temos conhecimento de quem é o maior promotor da maldade e sofrimento no país, de tal forma que o mal e o sofrimento passaram a ser encarados como algo intrínseco aos angolanos – a banalização do mal de que Hannah Arendt falou no seu livro Eichmann em Jerusalém. Por Sedrick de Carvalho [dropcap]À[/dropcap] banalização do mal junta-se outro facto: a banalização…
Leia maisA bestial lei do Presidente emérito
Definitivamente estou abalado. Incrédulo. Abismado. Sem porquê… Simplesmente, por, o quê, do por, desatrelar-se na esquina da lógica racional do politicamente correcto. Os neurónios da tribo política maioritária, de tanta opacidade bajuladora, não tem outro norte, anão ser o voluntário apontar da guilhotina. Por William Tonet [dropcap]U[/dropcap]ma guilhotina, célebre por ter, no passado século XVIII, decapitado, o pai do absolutismo francês e mundial Luís XIV, autor da frase: “L’état c’est moi” (O Estado sou eu). Hoje, século XXI, pese a distância temporal, quando a cegueira de uns poucos políticos do…
Leia maisQuem sai aos seus… “Tchizé” continua a ser Investigada
O Tribunal da Relação de Lisboa (TRL) decidiu que os tribunais portugueses são competentes para “perseguir o crime de branqueamento de capitais pelo qual foi denunciada Welwitschea José dos Santos” (“Tchizé”), filha de sua majestade o rei presidente de Angola. [dropcap]N[/dropcap]o acórdão, que confirma uma notícia avançada pela revista portuguesa Visão, o TRL deu razão a um recurso do Ministério Público (MP) contra um despacho do juiz de instrução, de 13 de Novembro de 2016, que declarou a incompetência absoluta dos tribunais para investigar factos praticados por um cidadão de…
Leia mais27 Maio de 1977. Criminosos continuarão por julgar?
Margaret Thatcher, que em Maio de 1979 se tornou a primeira mulher a dirigir um governo britânico, proibiu nesse ano o seu enviado especial à Rodésia de se encontrar com Robert Mugabe, justificando que “não se discute com terroristas antes de serem primeiros-ministros”. [dropcap]O[/dropcap]u seja, quando se chega a primeiro-ministro, ou presidente da República, deixa-se de ser automaticamente terrorista. Não está mal. É verdade que sempre assim foi e que sempre assim será. “Os acontecimentos de 27 de Maio de 1977 em Angola, que provocaram milhares de mortos, foi um…
Leia maisSó a UNITA é responsável
por todos os massacres
Em plena campanha eleitoral de 2012 em Angola, o MPLA defendeu que a UNITA deveria pedir desculpas a algumas famílias devido ao que fez no passado. É aceitável que quem esteja sempre a falar do passado deva perder um olho. Mas também é ainda mais aceitável que quem esquece o passado deve perder os dois olhos. [dropcap]N[/dropcap]o dia 4 de Agosto de 2012, na Emissora Católica, o secretário para os Assuntos Políticos do MPLA em Luanda, Norberto Garcia, virou-se para o passado no ataque à UNITA. É natural. Desde logo…
Leia maisUNITA parte a louça
O presidente do grupo parlamentar da UNITA, Adalberto da Costa Júnior, desafiou hoje o Ministério Público do MPLA (se fosse Ministério Público de Angola outro galo cantaria) a investigar as acusações relacionadas com a corrupção e branqueamento de capitais, que surgem em Portugal e que de há muito envolvem altos dirigentes do regime. [dropcap] “O[/dropcap] conjunto de indicadores que algumas dessas reportagens que vêm de Portugal obrigam a Procuradoria-Geral da República de Angola a investigar. Ou então estará a desviar o seu olhar daquilo que é a sua responsabilidade”, afirmou…
Leia maisNem a história o absolverá
Mais por imperiosas razões de saúde do que por consciência cívica, democrática ou política, José Eduardo dos Santos poderá abandonar a liderança do seu reino sem, contudo, deixar o trono que ocupa há 37 anos. Ou seja, se isso vier mesmo a acontecer, outro terá – de jure – o lugar de Presidente, mas de facto quem ficará a mandar será ele. Será uma espécie de direcção bicéfala em que um tem o cargo e outro o poder. Será mais uma inovação “made in” MPLA. Por William Tonet e Orlando…
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