Entre a abjecção e a náusea – quando até as vítimas se tornam cúmplices da farsa

A chaga do 27 de Maio com o seu estendal de crimes bárbaros não se cura, já o afirmei em certa ocasião e volto a dizê-lo, com processos de gestão de conflitos conduzidos cima para baixo, como lamentavelmente se verificou em Angola. Por Carlos Pacheco Historiador angolano (*) Nós sabemos quem são eles e com quem estamos a lidar. Falo dos apparatchiks que nos enganam todos os dias com as suas técnicas de manipulação da informação no intuito de desfocar a realidade e oferecer das coisas uma visão idílica e…

Leia mais

13 teses em busca da verdade

O vice-presidente da Associação 27 de Maio considerou que a publicação das “13 teses em Minha Defesa”, de Nito Alves, no qual este se defende das acusações do partido no poder em Angola, contribui para a busca da verdade. O livro “MPLA – A Revolução Traída, 13 teses em Minha Defesa”, da editora Elivulu, do activista Sedrick de Carvalho, consiste na defesa de Nito Alves perante o Comité Central do partido face às injustas e caluniosas acusações de que era então alvo e estiveram na base da sua suspensão e…

Leia mais

Facínoras impunes

Nestas últimas duas ou três semanas, estou como o tolo em cima da ponte quando leio as notícias e comentários que jorram sobre os últimos acontecimentos em Angola. Das desculpas presidenciais sobre os massacres do 27 de Maio de 1977 à comissão para homenagear o genocida Agostinho Neto… Por Carlos Pinho (*) No passado ano de 2020 o ministro Queiroz, ao falar no âmbito do processo de reconciliação nacional, CIVICOP e quejandos, e na condição de líder da comissão CIVICOP, dava a entender despudoradamente ao que vinha, referindo hipocritamente que…

Leia mais

Chissole Mingas, leia! Leia o Folha 8

As filhas de Nito Alves, apontado pela propaganda do regime angolano, liderado há 45 anos pelo MPLA, como o cabecilha de uma tentativa de golpe de Estado em Maio de 1977, e de Saidy Mingas, ambos assassinados pelas forças de segurança do MPLA sob as ordens directas e inequívocas de Agostinho Neto (o único herói nacional segundo o MPLA), dizem que podem perdoar aos autores dos massacres de milhares e milhares de angolanos, mas lamentam não ter tido a possibilidade de crescerem com os respectivos pais. Eunice Alves Bernardo Baptista,…

Leia mais

E os culpados? E o chefe dos massacres?

A Plataforma 27 de Maio saudou hoje o pedido de desculpas apresentado pelo Presidente angolano, João Lourenço, sobre os massacres de milhares e milhares de angolanos no 27 de Maio de 1977, mas considera indispensável que se apure a autoria dos crimes cometidos. Apure? A não ser que tenha recebido “ordens superiores” a Plataforma deveria ter dado o exemplo sobre o autor: Agostinho Neto. Na versão oficial, que a Agência de Notícias de Portugal, Lusa, não se cansa de divulgar, “em causa está o dia 27 de Maio de 1977,…

Leia mais

A banalização da mentira no pedido de perdão do general João Lourenço

João Lourenço atropelou a verdade sem nenhum rebuço, manipulou a memória trágica do passado e o que conseguiu, afinal de contas, foi deixar a sociedade angolana ainda mais escrava da dor. Por Carlos Pacheco (*) Por períodos prolongados, Angola foi devastada, após a sua independência, por conflitos internos que deixaram pelo caminho um saldo inominável de violências ostensivas. O corolário maior destes conflitos, o mais grave, foi sem dúvida o conflito intrapartidário no MPLA em 1977, que empurrou o país para a iminência de uma fragmentação das estruturas do Estado.…

Leia mais

Perdão sem compromisso é humilhação às vítimas

Os grandes homens erram e, tendo elevada estatura, ética, moral e republicana, reconhecem os mesmos, penitenciando-se ante a memória das vítimas e dos governados, numa meritória e solene atitude de humildade. Um “grande homem”, diferente de “homem grande”, faz da desculpa um princípio verdadeiro, imparcial, geral e abstracto, isento de matreirice rasca! Um líder distingue-se de um dirigente, porque enquanto aquele privilegia a justiça e os órgãos de soberania fortes, este último, favorece os algozes, escondendo por debaixo do pedestal a covardia dos assassinos e atingindo as vítimas, nominalmente identificadas.…

Leia mais

Bispos católicos absolvem genocida

A Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST) considerou hoje como “um acto de coragem” e “grande terapia social” o pedido de desculpas do Presidente angolano, em nome do Estado, pelas execuções sumárias de há 44 anos, quando Agostinho Neto (ainda hoje venerado herói do MPLA) mandou massacrar milhares e milhares de angolanos. Segundo o porta-voz da CEAST, Belmiro Chissengueti, o pedido de perdão do Presidente angolano, João Lourenço, é “um acto de coragem e um passo que foi esperado durante muitos anos, sobretudo pelas vítimas directas destes acontecimentos”.…

Leia mais

Enaltecer o assassino e enxovalhar as vítimas

Um dos órfãos dos milhares de mortos provocados nos massacres de 27 de Maio de 1977, levados a cabo pelo MPLA sob ordens de Agostinho Neto , João Van Dunem, aguarda “serenamente” os restos mortais dos seus pais, salientando que a promessa do Presidente angolano, João Lourenço, vai ao encontro das preocupações dos filhos das vítimas. “O mais importante a reter desta comunicação do Presidente, perante os angolanos e o mundo, é a promessa de entrega dos restos mortais dos nossos pais. Vamos aguardar serenamente pelo cumprimento dessa promessa, que…

Leia mais

Um genocídio não se desculpa

O Presidente João Lourenço pediu hoje desculpas em nome do Estado angolano pelas execuções sumárias levadas a cabo após o alegado golpe de 27 de Maio de 1977, salientando que se trata de “um sincero arrependimento”. Mas, é claro, o assassino responsável pelos massacres, Agostinho Neto, continua incólume e a ser, por imposição expressa de MPLA, o único herói nacional. É fartar vilanagem. Por Orlando Castro “Não é hora de nos apontarmos o dedo procurando os culpados. Importa que cada um assuma as suas responsabilidades na parte que lhe cabe.…

Leia mais