Reconciliar não significa apagar a verdade

As certidões de óbito de Salupeto Pena, Jeremias Kalandula Chitunda, Adolosi Paulo Mango Alicerces e Eliseu Sapitango Chimbili, dirigentes da UNITA assassinados em 1992 quando o MPLA queria decapitar a UNITA, foram entregues ontem, em Luanda, pelo Executivo, aos respectivos familiares. O acto, que decorreu no Multiuso do Kilamba, enquadra-se no processo de implementação do que o MPLA chama Plano de Reconciliação em Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos (CIVICOP) ocorridos entre 11 de Novembro de 1975 e 4 de Abril de 2002. O coordenador do Grupo Técnico Científico do…

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Dois anos a irreconciliar a reconciliação

Angola é hoje um país onde os mandões do regime não se inibem de protagonizar atropelos às liberdades e aos direitos fundamentais quando sentem os seus interesses em perigo. É preocupante o incremento de actos de barbárie contra pacatos cidadãos. O regime continua a sonhar uma estátua com cabeça de ouro e pés de barro. Por José Marcos Mavungo (*) Este mês de Abril leva 2 anos desde que foi criada a Comissão para a Implementação do Plano de Reconciliação em Memória das Vítimas de Conflitos Políticos (CIVICOP) pelo Presidente…

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Reconciliar sim, branquear não!

O ministro da Justiça e dos Direitos Humanos, Francisco Queiroz, pediu hoje empenho e dedicação no processo de emissão de certidões de óbito das vítimas de conflitos políticos em Angola, falecidas entre 1975 e 2002, para disponibilização “dentro dos melhores prazos”. Francisco Queiroz discursava hoje na I sessão ordinária da Comissão de Averiguação e Certificação de Óbitos das Vítimas dos Conflitos Políticos, que marcou o início formal das suas actividades, e apelou aos membros da comissão patriotismo na “desafiante e honrosa missão”. “Solicito também empenho e dedicação na execução das…

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Com mais um jeitinho
…ninguém foi morto!

O ministro da Justiça e dos Direitos Humanos do MPLA, Francisco Queiroz, não quer o uso das expressões “alegadas vítimas ou o 27 de Maio na perspectiva das vítimas” para evitar polémicas à volta do processo de perdão e reconciliação dos angolanos. Alegado perdão e alegada reconciliação, entenda-se. Francisco Queiroz discursava hoje, na qualidade de coordenador da Comissão para Reconciliação em Memória das Vítimas de Conflitos Políticos, na abertura da reunião de balanço das actividades desenvolvidas pelo Grupo Técnico e Científico desta comissão. Segundo o ministro, o grupo técnico trabalha…

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Governo não aprende

Já foi votada a nova lei que se inscreve no Plano de Reconciliação em Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos. Mas o regime não se deixa ensinar pelos tumultos da história destes últimos 45 anos e criar as condições de reconciliação. Talvez o executivo devesse ouvir Nelson Mandela. Por José Marcos Mavungo (*) Esta quinta-feira, 21 de Maio, os deputados angolanos votaram a Lei do Regime Especial de Justificação de Óbitos ocorridos no país na sequência do longo conflito armado desde 1975, em especial dos crimes de Maio de 1977…

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1961, 1975 ou… 1482?

Deputados angolanos defenderam hoje que, em vez de 1975, a data da independência de Angola seja considerada 1961, início da luta armada no país, o marco para o reconhecimento das vítimas de conflitos armados no país. O mais correcto talvez fosse tudo começar em 1482, ano em que terá chegado à foz do rio Congo uma frota portuguesa, comandada pelo navegador Diogo Cão. Este ano, 1961, marcou o início da guerra colonial, que se prolongou por 13 anos e começou em Angola. A posição foi hoje expressa durante a discussão,…

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Maio genocídio. Maio Sempre!

Em memória das vítimas do 27 de Maio de 1977, aquelas sem a sublime voz de indignação, mas com história, dignidade e exemplos de verticalidade, nacionalismo e patriotismo, recuso-me consciente e determinadamente a engrossar, mesmo no aplauso, a comissão criada pelo ministro da Justiça e dos Direitos Humanos, para analisar os conflitos armados. Por William Tonet Primeiro, em se tratando da vida humana, a verdade impõe rigor, respeito e imparcialidade, ao que parece, ausente da partidocracia mental do proponente. O 27 de Maio de 1977, não foi um conflito armado!…

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Reconciliação à medida do branqueamento do… MPLA!

O ministro da Justiça e dos Direitos Humanos, Francisco Queirós, declarou hoje, em Luanda, que o processo de reconciliação em Angola assenta na experiência “bem sucedida” do perdão e reintegração, sem se apontar culpados, vítimas, vencido ou vencedores. Claro. Bem visto. Um bom exemplo de tudo isso é considerar Agostinho Neto como o único herói nacional, ou Hoji Ya Henda como patrono da juventude angolana. Francisco Queirós discursava na cerimónia de empossamento dos membros do grupo técnico-científico da comissão para a implementação do Plano de Reconciliação em Memória das Vítimas…

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Conde(corações), conde(umbigos)

As condecorações de Estado são, em muitos países, por vezes, actos de soberania republicana, noutros, apenas de soberana vaidade umbilical. Os momentos graduam e enquadram as outorgas. Acompanhei, inversamente, emocionado as últimas condecorações; Novembro 2019 – Palácio da Cidade Alta – Luanda. Por William Tonet Os 70 condecorados, foram merecedores do galardão. Assim, ditou a soberania do outorgante, que reúne todos os poderes do Estado. Colheu apoios e críticas… Mas, reconheçamos, não pode, o homem, em dois anos, condecorar todo mundo e ao mesmo tempo, até porque, desde 1964, dN…

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Os intocáveis e os tocáveis (“Operação Marimbondo”)

O suor não escorre em rosto inanimado, mas naquele onde as contracções dos músculos e veias, sentem e gemem a definida desossificação do esforço. Da nascente, caminha em lianas serpentinas destilando cloreto de sódio e ureia em solução, segregada pelas glândulas sudoríparas, quer na face ou no estado-maior da pele; as axilas, produzindo uma mensagem de efeito refrescante. Por William Tonet O combate à corrupção tem de ter norte. Obrigatoriamente, efeito refrescante. Direcção, imperiosamente, imparcial. Objecto concreto e definido, na acção diária do agente e órgãos públicos. Num país com…

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