Os Presidentes de Angola e Itália concordaram hoje no reforço da cooperação entre os dois países, além do sector petrolífero, em que a italiana ENI tem um papel relevante. Sérgio Mattarella aproveitou para convidar o seu homólogo a visitar Itália, um convite a que, é claro, João Lourenço disse que sim.

Após uma reunião conjunta, os dois chefes de Estado destacaram a amizade entre os dois países e salientaram as oportunidades de cooperação que existem.

“Destacamos o papel que a empresa petrolífera ENI vem jogando ao longo dos anos, mas gostaríamos que empresas italianas de outros ramos de economia tivessem em Angola a mesma presença que tem esta empresa italiana do ramo dos petróleos, precisamos de diversificar o investimento italiano em Angola da mesma forma que precisamos também de passar a conhecer uma maior presença dos investidores angolanos na Itália”, disse João Lourenço.

Por seu turno, o Presidente italiano, Sérgio Mattarella considerou uma honra ser o primeiro chefe de Estado italiano a visitar Angola, o que traduz um “sinal da grande amizade de longa data que une” os dois países “em todas as circunstâncias, principalmente na situação difícil da independência de Angola”.

O dirigente italiano destacou a cooperação económica com Angola, que podem ser reforçadas em sectores como o agro-alimentar, infra-estruturas, energias e turismo.

“Esta colaboração, amizade, é muito mais reforçada pelos contactos de hoje deste encontro, eu tive a ocasião de manifestar ao Presidente João Lourenço a minha grande apreciação pelo seu papel fundamental em África e em Angola em prol da estabilidade e da intensificação da colaboração com os outros países”, referiu o chefe de Estado italiano

No encontro, segundo Sérgio Mattarella, foi abordada a colaboração económica entre os dois Estados, sendo consenso que “há muitos sectores” nos quais se pode trabalhar “de forma frutuosa” para desenvolver também mais amizade e mais cooperação.

“Também registamos a amizade que foi provada hoje pelo acordo de um Memorando de Entendimento, que torna ainda mais intensos os laços de colaboração”, frisou o Presidente italiano, salientando que os dois países têm “muitas razões e muitos âmbitos de colaboração e de amizade”.

Aproveitando o balanço, e como mandas as regras dos bons amigos, Sérgio Mattarella convidou o seu homólogo angolano a visitar Itália, um convite que foi aceite por João Lourenço.

João Lourenço destacou os laços de amizade entre os dois países, que datam desde a independência de Angola, em 1975, sendo a Itália o primeiro país da Europa a reconhecer a independência do Estado angolano.

O chefe de Estado angolano frisou o facto de se tratar a primeira visita que o um Presidente da Itália efectua a Angola, depois de sucessivas visitas de chefes de Governo italianos.

Segundo o Presidente angolano, passou em revista com o seu homólogo o nível das relações de amizade e de cooperação entre os dois países, considerados “bom, mas que pode ser melhor, sobretudo no que diz respeito à cooperação económica”.

João Lourenço realçou que Angola melhorou nos últimos 12 meses o seu ambiente de negócios para facilitar o investimento privado estrangeiro no país.

Ainda hoje, as partes assinam um Memorando de Entendimento, rubricados entre o Ministério das Finanças de Angola e a Cassa Depositi e Pretiti S.p.A. (“CDP”) da República da Itália.

Para quinta-feira, está reservada uma reunião plenária solene da Assembleia Nacional de Angola, na qual Sérgio Mattarella deverá discursar.

No dia 27 de Novembro de 2017, João Lourenço elogiou as históricas relações com a Itália, apontando a necessidade de alargar a cooperação, já existente na área do petróleo e da defesa, a outros sectores económicos.

O chefe de Estado falava no palácio presidencial, em Luanda, em conferência de imprensa conjunta com o primeiro-ministro italiano, Paolo Gentiloni, que se tornou no primeiro chefe de governo de um país ocidental a ser recebido por João Lourenço, após a sua investidura como Presidente da República, em 26 de Setembro.

“Nós pretendemos aprofundar a cooperação económica entre Angola e Itália, em vários domínios, uma vez que de momento conhecemos algum avanço nos domínios energético, por causa dos petróleos, e também da defesa. E pretendemos corrigir essa situação, estender a cooperação a outros sectores importantes da nossa economia”, afirmou João Lourenço.

O Presidente recordou o apoio que organizações não-governamentais italianas prestaram aos então movimentos nacionalistas, durante o período da guerra colonial, e da própria sociedade italiana, que permitiu a Agostinho Neto (MPLA), Amílcar Cabral (Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde) e Marcelino dos Santos (FRELIMO) serem recebidos, em audiência, em 1970, pelo papa Paulo VI.

“Em 1975, quando o nosso país se tornou independente, a Itália foi o primeiro país europeu que reconheceu a independência de Angola. E, talvez por isso, não seja por acaso que também é o chefe do Governo italiano que efectua a primeira visita a Angola após a minha investidura”, enfatizou João Lourenço.

Na mesma intervenção, Paolo Gentiloni afirmou que a sua visita a Angola serviu nomeadamente para “confirmar o apoio” do Governo italiano ao novo executivo angolano e ao “programa muito importante” em curso, de reconversão económica do país, ainda essencialmente dependente das exportações de petróleo.

Na altura, o primeiro-ministro Paolo Gentiloni transmitiu a disponibilidade de Itália para alargar a cooperação a outros níveis, tendo assistido à assinatura de acordos de cooperação entre as petrolíferas ENI e Sonangol, ao nível de produção de petróleo e gás, bem como de refinação.

Na área da defesa, a cooperação baseia-se essencialmente na aquisição a Itália de helicópteros e embarcações para as Forças Armadas Angolanas.

E como está a cooperação na agricultura?

Em Julho de 2015 foi divulgado que a Itália ia apoiar a pesquisa e formação agrícola em Angola no âmbito de um memorando de entendimento para desenvolver aquele sector, assinado no dia 22 desse mês, em Luanda, entre os dois governos, com a perspectiva de reforço dos investimentos privados italianos.

A informação foi transmitida aos jornalistas pelo ministro das Políticas Agrícolas, Alimentares e Florestais de Itália, Maurizio Martina, após a assinatura de um acordo que, explicou, representa um “um porto de partida” para o apoio italiano a Angola “nos próximos anos”.

“Vamos trabalhar em conjunto, em particular as nossas empresas, no campo da pesquisa e da formação agrícola. E unindo as nossas forças em novos projectos empresariais”, sublinhou o governante italiano.

Áreas como a mecânica agrícola e das tecnologias da irrigação, acrescentou Maurizio Martina, mereceram igualmente referência nos objectivos do memorando então assinado, que não foi tornado público.

Aquele ministro assumiu ainda que “projectos importantes” previstos para o sector agrícola em Angola “interessam” a grandes grupos empresariais italianos do sector agro-alimentar, os quais “querem investir” no nosso país.

“É do interesse italiano trazer a Angola o verdadeiro produto agro-alimentar de Itália”, assumiu Maurizio Martina, recordando a importância da indústria italiana no plano internacional.

De acordo com o então ministro da Agricultura de Angola, Afonso Pedro Canga, este memorando de entendimento com o Governo de Itália iria permitir “reforçar o apoio” na investigação científica, na formação de quadros, mecanização agrícola, genética ou cooperação empresarial no sector agro-alimentar.

“Há interesse das partes de reforçarmos a intervenção dos nossos empresários, de empresários italianos a investir em Angola e em associação com os seus colegas angolanos”, disse Afonso Pedro Canga, admitindo o desejo angolano de “tirar partido” da alta tecnologia e competitividade da agricultura italiana.

“Podemos aproveitar essa experiência e capacidade para desenvolver a nossa agricultura”, sublinhou o governante.

O ministro garantiu que este memorando de entendimento assinado com o congénere italiano seria para implementar “imediatamente” (2015), para rapidamente incrementar o investimento daquele país em Angola. “Temos todas as condições para começar a trabalhar”, enfatizou.

Os governos de Angola e de Itália tinham assinado na mesma altura, em Roma, três instrumentos de cooperação bilateral, com destaque para o desenvolvimento da agricultura, durante a visita oficial do Presidente José Eduardo dos Santos.

Foto: Sérgio Mattarella com João Lourenço (Fevereiro de 2019) e com José Eduardo dos Santos (Março de 2016)

Folha 8 com Lusa