O país, nos últimos tempos, não por mera coincidência, inexistente na política, tem na pauta e discurso político oficial, o combate a corrupção. Nos últimos 42 anos, este instituto (corrupção) foi sendo promovido, nos corredores do poder, como ferramenta importante, para transformar “proletários em proprietários vorazes”, numa draconiana lógica, de acumulação primitiva do capital.

Por William Tonet

Esta tese, para desgraça da maioria dos vinte milhões de autóctones angolanos pobres, é um hino ao espírito doloso de delapidação, melhor, roubalheira, dos cofres do erário público, por parte de alguns dirigentes do MPLA, feitos, administrativa e partidocratamente, os novos senhores endinheirados de Angola.

Angola precisava e precisa, para o seu desenvolvimento harmonioso de empreendedores ricos, cuja riqueza seja fruto de iniciativas e trabalho honesto, geradores de emprego e não de políticos “espertos – bajuladores”, autênticas sanguessugas ideológicas, que ostentando contas bancárias chorudas, não passam de saqueadores dos milhões e milhões de dólares, dos milhões de pobres, que vegetam, despojados de assistência e direitos.

Com uma corja de corruptos, alojados nos corredores do poder, os angolanos correm o risco, se nada fizerem, de não sair do precipício, não por força da baixa do preço do petróleo, mas da inacção para inverter, a caótica situação, quer através do voto, como de acções de indignação social, para afastar os “gatunos de colarinho branco” e repor os valores morais e éticos, na gestão da coisa pública.

É preciso a eleição de cidadãos honestos e comprometidos com a causa de servir o colectivo e não a de criminosos, cuja missão é a de se servirem, perniciosamente, com base numa legitimidade provisória do voto.

A sociedade civil, não bajuladora, os intelectuais patriotas, a oposição e os deputados honestos, devem unir forças para pressionar verdadeiras reformas da Constituição, da Lei Eleitoral, da Lei da Probidade Pública, visando, no final, a criação de dois órgãos importantes:

a) Comissão da Reconciliação Política e Económica;

b) Alta Autoridade Independente de Combate à Corrupção e à Fraude Fiscal.

Os autóctones não podem, não devem, mesmo com as baionetas do regime em riste, continuar indiferentes, ao estado em que o país chegou.

Estamos, a maioria, na lama!

É preciso agir! Agir, porque os cofres do Banco Nacional estão vazios, as reservas financeiras, em baixa, o descrédito junto da banca internacional ser total, por as grandes empresas e organismos mundiais: FMI, Banco Mundial, etc., não confiarem num governo, integrado por muitos ministros, sob a suspeição do cometimento de crimes de corrupção e locupletação de dinheiro público. Verdade ou mentira, tudo incrimina, pois o governo, não consegue, justificar de forma convincente o contrário.

Diante deste quadro dantesco, os autóctones, que não podem contar com juízes e um sistema judicial independente, nesta espinhosa empreitada, devem exigir mais, muito mais da tribo política, que simples anúncios de combate a corrupção, como o feito, no calor da campanha eleitoral, por João Lourenço ao levantar a mesma âncora, da sociedade civil e da oposição. É suficiente? Não!

Para credibilização da intenção, o actual Presidente da República, só será levado a sério, se convocar algo parecido, com um Encontro Nacional de Concertação de Quadros, para se saber da real dimensão dos ROUBOS praticados contra o Estado, por alguns “engenheiros partidocratas”. Este encontro mais do que buscar a simples imputação de responsabilidade criminal, como uma das principais ferramentas de um Pacto de Regime, pode aceitar, em alguns casos, a conversão das penas, a devolução dos montantes desviados e o compromisso, destes serem aplicados, sob sindicância independente, em projectos produtivos, geradores de emprego de carteira assinada.

A tarefa é hercúlea, face aos níveis de depauperação do tecido social, político, económico e judicial a que o país chegou, por culpa exclusiva de uns poucos, que se aboletaram, indevidamente, dos milhões e milhões de dólares, dos mais de 20 milhões de pobres, que vegetam à fome, com menos de 2 USD/dia, mas é possível havendo boa-fé e princípio de reconciliação nacional.

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