ANGOLA. Um assalto no município do Cazenga, nos arredores de Luanda, provocou três mortos e dois feridos graves na madrugada desta quarta-feira. Ontem, aqui no Folha 8, o nosso companheiro Antunes Zongo escrevia que a amnistia tornou o Cazenga e o Sambizanga mais perigosos.

O caso aconteceu no bairro da Serração Margol, com os assaltantes a entrarem numa cantina, onde dispararam mortalmente sobre uma pessoa, um cidadão maliano, e provocaram ferimentos graves ao filho.

Segundo os moradores da zona, os suspeitos terão entrado igualmente numa casa de vizinhos, onde mataram dois irmãos, deixando o pai, também atingido a tiro, em estado grave.

As vítimas mortais deste grupo, que se encontra em fuga, têm entre 17 e 40 anos.

A Polícia Nacional garante estar a investigar o caso, mas os moradores queixam-se de crescentes casos de assaltos violentos e pânico durante a noite naquela zona.

Como ontem aqui escrevia o nosso colega Antunes Zongo, os pacatos moradores destas zonas (distrito urbano do Sambizanga e município do Cazenga) dizem que a Lei de Amnistia está a restituir inúmeros reclusos muito perigosos à liberdade.

A verdade é que em face a nova Lei, muitos dos marginais, recentemente libertados, voltaram a aterrorizar os munícipes do Cazenga e Sambizanga.

Por exemplo, o cidadão António Victor, morador da zona 17, sector 1-A da vala do Suroca, bairro São João, município do Cazenga, viu-se obrigado a entregar a motorizada que usa para o serviço de táxi, aos jovens marginais, no passado dia 02.10.16.

“Fui assaltado por miúdos que já operavam no bairro há muito tempo, estavam presos e foram libertados recentemente. Tudo ocorreu sob a luz do dia, aqui mesmo na estrada nova, que liga a zona da Cuca à Comarca de Luanda”, contou a vítima, acrescentando, que, “eles eram dois (delinquentes), um veio ter comigo e o outro foi ter com o meu colega, disseram que queriam ir à Comarca, mas ao longo do caminho – eram cerca das 16 horas, o que estava comigo retirou um revólver no interior da calça, apontou-me e mandou-me descer da moto, ainda tentei reagir, mas após ele fazer um tiro ao ar, decidi ceder, o amigo dele fez o mesmo ao meu colega”, referiu António Victor, para quem, a criminalidade irá aumentar por causa da Amnistia.

“Há muito que os vizinhos já não se queixavam de assalto ou de tentativa de assalto às suas residências, mas ontem, vimos alguns jovens que tentaram saltar o muro do quintal do tio Braulio, só não tiveram sucesso por causa dos cães que meteram-se a latir. Mas o kota Zeca já não teve a mesma sorte, ouvimo-lo hoje a dizer que lhe roubaram o fogão de cozinha e a garrafa de gás butano. Assim já começou”, lamentou outro interlocutor, também morador do Cazenga.

Entretanto, a sensação de medo dos munícipes do “Zenga”, gerada pela libertação dos alegados marginais abrangidos pela Amnistia, é também partilhada pelos moradores do distrito urbano do Sambizanga.

“O problema é que esses miúdos não param, somente dão um tempo. Na sexta-feira, vi um dos putos que foram libertados recentemente, a perseguir umas miúdas que saiam da escola, eram 21 horas. Não posso precisar o que aconteceu a seguir, mas vi-o com uma pistola. Está claro que ele não ganha juízo. A amnistia é boa, mas infelizmente, muitos dos amnistiados não saberão aproveitar as oportunidades. Particularmente, estou com muito medo”, confessou Mateus Correia, de 37 anos de idade, morador do Sambizanga.

No mesmo diapasão, Carlitos Pitra, também habitante do “Sambila”, garante temer pelos próximos dias. “Como estudante de Direito, apoio o presidente da República por esta iniciativa, mas acho ter sido inoportuna, ou se calhar, deviam seleccionar bem os abrangidos, porque sinceramente, já começamos a sentir os efeitos negativos da libertação destes miúdos”, disse, tendo ainda sugerido que, “todos os reclusos que não revelem mudanças de comportamento, mesmo no interior das cadeias, não devem ser libertados”.

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