O Executivo angolano, do MPLA há 50 anos, vai criar ‘stocks’ para garantir a segurança alimentar, energética, de medicamentos e de fertilizantes, face ao conflito no Médio Oriente, avançou hoje o ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano. Em meio século não consegue alimentar o Povo (20 milhões de pobres), mas promete agora fazer o que os portugueses fizeram até… 1975.
Estas medidas de mitigação foram decididas na I reunião extraordinária da Comissão Económica do Conselho de Ministros, disse José de Lima Massano em declarações à imprensa no final do bacanal do governo.
Segundo o ministro, vão ser constituídos ‘stocks’ de segurança alimentar, de segurança energética, e será reforçado também o armazenamento de medicamentos e de equipamento hospitalar gastável, particularmente aqueles os que derivam do petróleo, nomeadamente seringas e os mais variados equipamentos que usam plástico na sua produção.
“Mas também os medicamentos em si, porque o que se está a colocar é que com essa discussão da cadeia logística também teremos dificuldades acrescidas”, referiu.
José de Lima Massano recordou que com os actuais condicionamentos de circulação de embarcações, já se assiste a uma alteração no transporte de refinados e das cadeias logísticas. Em termos práticos, a actual crise no Médio Oriente é responsável pela incompetência governativa do MPLA há… 50 anos. É obra!
“Estamos com uma preocupação relevante, no que tange a fertilizantes, isto porque vai impactar coletivamente sobre o exercício que Angola vem fazendo de reforço da sua segurança alimentar”, observou o ministro.
O governante angolano salientou que os fertilizantes registam um aumento dos preços acima dos 50%, receando-se que esta tendência se mantenha, podendo inclusive chegar ao ponto de não haver fertilizantes suficientes disponíveis nos mercados internacionais para atender a procura. E sem fertilizantes como é que o MPLA vai plantar as couves como faz há 50 anos, ou seja, com raiz para cima?
“A importação de mercadorias vai-se tornar também mais cara porque o transporte, e o que estamos já a assistir, em relação aos seguros, o salto é expressivo, há casos em que o seguro para o transporte de mercadorias passa os 200%, é elevadíssimo e estes custos são transferidos para os produtos transportados”, notou.
De acordo com José de Lima Massano, a situação estende-se além da importação de alimentos a outros produtos, equipamentos e matéria-prima importados.
Massano é, de facto, uma rara peça de pechisbeque. O site do Governo só nos diz que de 2017/2022 foi Governador do Banco Nacional de Angola, de 2010/2015 – Governador do Banco Nacional de Angola e que, como experiência profissional foi Presidente da Comissão Executiva do Banco Angolano de Investimento (BAI), durante 6 anos, funções que exerceu antes e depois do seu primeiro mandato no BNA. Anteriormente, desempenhou igualmente, durante 7 anos, funções de administrador executivo do Banco de Poupança e Crédito (BPC).
“Temos no domínio da segurança energética um cenário de acrescida preocupação, porque há o crescimento de preço dos refinados por força do preço do barril de petróleo, o crude, e poderemos — porque assistimos já com algumas refinarias — a condicionarem a exportação de refinados. É um desafio acrescido que se coloca aos países e também a Angola”, afirmou.
O ministro angolano sublinhou que, apesar de ser um país produtor de petróleo, Angola “depende ainda fortemente de importações de refinados e de outros produtos, daí que este quadro é gerador de preocupações”.
O país vai igualmente antecipar, segundo a propaganda oficial, a importação de químicos, para o tratamento de água para consumo humano e procurar, dentro do que já previa o Orçamento Geral do Estado 2026, antecipar a importação de fertilizantes para a próxima campanha agrícola 2026/2027.
“Quando falamos de fertilizantes estamos a mencionar sementes, adubos e outros defensivos, para não condicionarmos e estarmos muito expostos a vulnerabilidades externas”, vincou.
Relativamente aos combustíveis, o Governo angolano está a prever reservas para um mínimo de 90 dias, capacidade do Terminal Oceânico da Barra do Dande.
José de Lima Massano expressou o compromisso das autoridades angolanas “com a contínua melhoria do ambiente de negócios, para que mais investimentos possam ocorrer”, destacando o setor do turismo, que afectado pelo conflito no Médio Oriente, abre oportunidades para Angola.
“Os dados disponíveis dizem-nos que este quadro de conflito no Médio Oriente poderá ter um impacto negativo naquela região de cerca de 50 biliões de dólares, do ponto de vista de investimento e de mobilização para o turismo, e é claro que com o que nós estamos hoje a desenvolver no país cria-se aí oportunidades para parte desse investimento, desses recursos, poderem ter em Angola um espaço para desenvolvimento com as suas iniciativas”, frisou.

