O Governo angolano (do MPLA há 50 anos, ou seja desde a independência) contratualizou com a Caixa Geral de Depósitos (Portugal) um acordo de financiamento no valor de 208 milhões de euros para o projecto de reabilitação das infra-estruturas da urbanização Nova Vida, em Luanda. Entretanto, o Banco Mundial corta previsão de crescimento dos PALOP excepto Angola e Guiné-Bissau.
Segundo o despacho presidencial, assinado pelo general João Lourenço (Presidente da República por inerência de ser Presidente do MPLA) a 31 de Dezembro e publicado em Diário da República na segunda-feira, o valor do financiamento inclui o pagamento da comissão de garantia dada pelo Banco Português de Fomento e 85% correspondente ao valor do contrato comercial.
O projecto Nova Vida é um empreendimento habitacional desenvolvido com o objectivo de fornecer moradias acessíveis, especialmente para funcionários públicos, ex-militares desmobilizados e a população em geral, após o fim da guerra civil em 2002.
A urbanização inclui cerca de 6.000 unidades habitacionais e acolhe aproximadamente 30.000 pessoas, que têm ao longo dos anos enfrentado a degradação das infra-estruturas viárias e de saneamento, bem como falhas na recolha de resíduos e um aumento da insegurança.
O Grupo CGD é um grupo financeiro português com mais de 145 anos de história e forte presença internacional. Oferece aos seus clientes quase todas as especializações de serviços financeiros. Assume ainda um compromisso com o negócio internacional, enquanto pilar estratégico do seu crescimento sustentado e, não menos importante, o seu papel principal na recuperação e internacionalização da economia portuguesa.
O Grupo CGD desenvolve a sua actividade numa óptica de banca universal, com todas as especializações de serviços financeiros, proporcionando aos seus clientes o acesso a um Grupo internacional de serviço completo:
A banca de investimento, capital de risco e corretagem da plataforma de banca de investimento do Grupo CGD, em Portugal e no estrangeiro;
A atividade do Grupo CGD na gestão de activos passa pelas sociedades instrumentais Caixa Gestão de Activos e Fundo de Pensões;
As empresas do Grupo CGD que se dedicam à comercialização de imóveis propriedade do Grupo Caixa;
O Grupo CGD detém ainda participações minoritárias em empresas de diversas áreas de atividade e inclui ainda várias empresas de sectores de actividade diversos, desde a gestão de participações, à consultoria financeira, etc..
Banco Mundial corta previsão de crescimento dos PALOP
O Banco Mundial reviu em baixa a previsão de crescimento económico para todos os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) este ano, à excepção de Guiné-Bissau e Angola, que mantêm crescimentos de 5,2% e 2,6%.
No relatório sobre as Perspectivas Económicas Globais, divulgado em Washington, os economistas do Banco Mundial referem do lado positivo que as condições de financiamento começaram a melhorar, com várias economias, incluindo Angola, República do Congo, Quénia e Nigéria, a recuperar o acesso aos mercados de capitais internacionais.
Em 2025, “Angola, apesar dos ganhos nos sectores não petrolíferos, a fraqueza do sector petrolífero pesou sobre a produção”, escrevem.
O crescimento económico do segundo maior produtor de petróleo na região, a seguir à Nigéria, foi “prejudicado pelos preços mais baixos do petróleo em relação ao ano anterior, pelo sub-investimento no sector e pelo impacto negativo do envelhecimento dos campos petrolíferos”, escrevem os economistas numa das poucas referências aos países lusófonos no capítulo sobre a África subsaariana.
Este ano, olhando para a tabela que apresenta as previsões do Banco Mundial de crescimento económico para os países da região, constata-se que dos países lusófonos apenas Angola mantém a estimativa feita em Junho, de 2,6%, e uma melhoria para 2,8% em 2027, abaixo da média regional de 4,3% este ano e de 4,5% em 2027.
Cabo Verde deverá crescer 5,2% este ano e 5% em 2027, o que representa uma queda de 0,1 pontos face às previsões de Junho, enquanto a Guiné Equatorial deverá cresce 0,4% este ano e 1% em 2027, o que revela uma queda 0,2 pontos para este ano face à previsão de Junho, mas uma melhoria de 2,1 pontos relativa a 2027.
A Guiné-Bissau deverá registar um crescimento de 5,2% neste e no próximo ano, sem alteração face às previsões de Junho, enquanto Moçambique deverá acelerar para 2,8% este ano (menos 0,7 pontos que a previsão de Junho) e 3,5 no próximo ano, depois de um abrandamento para 1,1% no ano passado devido à “persistente fraqueza do investimento, crescente escassez de divisas e pelos efeitos da agitação pós-eleitoral”.
São Tomé e Príncipe cresce 4% e 3,5% neste e no próximo ano, o que representa uma revisão em baixa de 0,6 e 0,8 pontos percentuais, respectivamente.
“Apesar da melhoria da perspetiva de evolução económica da região, os ganhos no rendimento per capita vão continuar inadequados para um progresso significativo na pobreza e no aumento da criação de emprego”, escrevem os economistas do Banco Mundial nas Perspectivas Económicas Globais, divulgadas em Washington.
No capítulo dedicado à África subsaariana, o Banco Mundial diz que “os riscos relativos às previsões continuam a ser descendentes”, incluindo uma redução da procura externa, preços mais baixos das matérias-primas, aumento da instabilidade política regional e uma deterioração dos conflitos em curso na região, para além da questão do apoio financeiros dos doadores externos, que, a reduzir-se ainda mais, “aumentará a vulnerabilidade das economias da região a choques de saúde e a desastres naturais”.
No documento, o Banco Mundial melhora ligeiramente a previsão para o crescimento de 2025 na África subsaariana face ao que tinha estimado em Junho, melhorando de 3,7% para 4% a expansão económica para a região que engloba a maioria dos países lusófonos, principalmente devido à redução da inflação, ao aumento dos preços das matérias-primas, nomeadamente o ouro, mas alerta que a média esconde realidades muito diferentes nos países, com metade a acelerarem o crescimento e a outra metade a abrandar a expansão económica.
Entre principais preocupações dos economistas do Banco Mundial na região está a insegurança alimentar, os elevados montantes de dívida e os persistentemente elevados níveis de pobreza.

