Os bispos católicos angolanos disseram hoje que vencer a pobreza “é o maior desafio” do país e instaram o Governo (do MPLA há 50 anos e quase sempre com a conivência da Igreja Católica de Angola) a “destruir com coragem” os monopólios que inviabilizam a diversificação da economia e multiplicam a miséria e exclusão.
De acordo com o presidente da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), José Manuel Imbamba, vencer a pobreza (e pobres “apenas” são mais de 20 milhões) constitui o maior desafio de Angola, considerando que a caridade assistencial é necessária no contexto do país, “mas a justiça social é imperativa”.
“Haja coragem política para destruir os monopólios que inviabilizam a diversificação da economia, multiplicando cada vez mais os índices de pobreza, miséria e exclusão”, afirmou hoje o arcebispo na abertura da I Assembleia Plenária da CEAST que decorre até 2 de Março em Luanda.
Para travar os actuais índices de pobreza no país, José Manuel Imbamba propôs “um investimento na agricultura familiar, no ensino técnico-profissional e na desburocratização do crédito para os pequenos empreendedores”. Ou seja, fazer o que os portugueses faziam antes da (in)dependência do MPLA, em 1975.
“E, para o efeito, urge a reabilitação das estradas secundárias e terciárias para garantir maior fluidez na comunicação e no escoamento dos produtos”, notou.
O presidente da CEAST afirmou também que a situação social do país apresenta desafios e esperanças, salientando, no entanto, que a Igreja Católica “sonha por uma Angola de todos e para todos, inclusiva e meritocrática”.
Na sua intervenção, defendeu a necessidade de a cidadania no país “falar mais alto do que a militância partidária”, pois, observou, esta última é a única responsável pela intolerância que, infelizmente, se assiste nos últimos tempos, pelo fanatismo doentio, pela exclusão e pela falta de convívio salutar”.
“É hora de aprendermos a conviver na diferença e no respeito recíproco: todos, absolutamente todos, somos necessários para o progresso humano, social, cultural da nossa bela e acolhedora terra”, frisou.
O responsável apontou que o diálogo e participação estão igualmente entre os desafios, recordando que o diálogo “é o caminho real para a paz social e para o conhecimento recíproco necessário para a edificação do país”.
Por outro lado, salientou que a participação consciente, activa e responsável na coisa pública “é, ao mesmo tempo, um direito e um dever”, acrescentando que uma cidadania responsavelmente expressiva “une as inteligências e as vontades no essencial, suscitando convergências necessárias”.
No entender ainda do também arcebispo de Saurimo, Angola precisa de superar os medos e incertezas que pairam sobre os cidadãos, sobretudo no seio de muitos jovens, “cujas vidas continuam reféns das estruturas do mal, da bajulação, do oportunismo, do imediatismo, das intrigas e dos vícios”.
“Não é em vão que muitos estejam a preferir emigrar, em busca de melhores condições de vida. Cabe a nós adultos, políticos e governantes de hoje sentirmo-nos interpelados por esta situação e, consequentemente, criarmos um ambiente sociocultural propício para a realização pessoal e coletiva”, vincou.
“Estes medos superam-se com a transparência e a probidade das instituições, com o respeito escrupuloso pela lei e com a promoção de uma cultura de encontro que gera confiança, respeito e sentido de pertença”, realçou.
O presidente da CEAST encorajou igualmente os líderes políticos de Angola a colocarem o país acima dos interesses partidários, referindo que o país precisa, “e com quanta urgência, de despartidarizar as (…)relações e (…) convívios”.
A visita do Papa Leão XIV a Angola, em Abril, a Mensagem Pastoral para o III Ano do Triénio “Chamados para ser enviados”, os relatórios das dioceses angolanas e a celebração dos 60 anos da CEAST em 2027 são alguns dos pontos em agenda nesta plenária que decorre até 2 de Março.
6 de Novembro de 2025
Na abertura do Congresso Nacional da Reconciliação, depois do discurso inaugural do presidente da CEAST, bispo José Manuel Imbamba, eis que o mestre de cerimónia chama pelo representante de João Lourenço e a sala na busca do ilustre representante, nem lustro se fez presente, numa autêntica desconsideração à Igreja Católica.
Mas uma certeza ficou marcada na consciência de todos amantes da paz; a natureza perversa do regime que (des)governa Angola há 50 anos, com intolerância, arrogância e injustiça.
O Presidente do MPLA, o Presidente da República (não nominalmente eleito), e Titular do Poder Executivo, general João Lourenço, não iriam participar do Congresso Nacional da Reconciliação, que aconteceu a 6 e 7 de Novembro, por razões de calendário ligadas a compromissos de Estado, anunciou no dia 22 de Outubro a Presidência do reino.
A página de Facebook da Presidência do MPLA, da República, e da Monarquia — que inicialmente começou por apontar uma data errada, de 29 a 31 de Outubro – informava que João Lourenço foi convidado a participar do congresso que estava a ser promovido pela Conferência Episcopal de Angola (CEAST), mas comunicou em devido tempo a sua indisponibilidade.
Em causa estariam “razões de calendário ligadas a compromissos de Estado”, lê-se no comunicado, realçando que João Lourenço far-se-ia representar por um membro do executivo.
O Congresso Nacional da Reconciliação, enquadrado nas celebrações dos 50 anos de independência nacional, estava agendado inicialmente para a última semana de Outubro, mas foi remarcado para 6 e 7 de Novembro, “ajustado à disponibilidade do Presidente angolano”, como explicou o presidente da CEAST à saída de uma audiência concedida por João Lourenço em que foi analisada a iniciativa da Igreja Católica.
O presidente da CEAST, José Manuel Imbamba, anunciou, em 1 de Outubro, que o Presidente angolano aceitou o convite para participar no Congresso Nacional da Reconciliação, um tema importante para os angolanos que ainda carregam “muitas feridas”.


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