ASCENSÃO DA DIREITA COLONIAL OU DA POLÍTICA DE VIÉS COLONIAL

O cenário não é animador, para os portugueses, muitos, amantes das liberdades e contrários a qualquer tipo de fascismo, discriminação, racismo, autoritarismo e colonialismo, mesmo o incubado, quanto ao resultado eleitoral de 18 de Janeiro de 2026. Mas, também, não o é ante os candidatos que disputam o cadeirão presidencial, para as sociedades civis e oposição políticas nos Palop’s (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa) e África.

Por William Tonet

Qualquer que seja o vencedor final, em nada alterará, pressionará ou influenciará o cenário político institucional em Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde e ou mesmo, Guiné Equatorial.

Para estes países, não importa o campo político-ideológico do vencedor, porquanto a política institucional de Portugal, desde 1975, para com as ex-colónias sempre foi de viés colonial… Da esquerda, centro e direita, portuguesa, sempre apoiaram, os complexados/assimilados, anti-democráticos, violadores dos direitos humanos e ditadores.

Os comunistas do PCP (Partido Comunista) iniciaram a cruzada do desmonte da realização de eleições democráticas, seguiu-se-lhe o PS (Partido Socialista), ao rasgar os Acordos de Alvor (Angola) e Lusaka (Moçambique). O PSD e o CDS, nunca fizeram diferente… Todos, unidos, cada um na sua vez, de presidir aos destinos de Portugal manda bugiar os direitos humanos, eleições livres e justas, transformação dás matérias-primas, desenvolvimento agro-industrial e democracia, nas antigas colónias…

Eles, os presidentes e governos portugueses, por mais formados que sejam, vide Marcelo Rebelo de Sousa, são adeptos e acérrimos defensores da “DEMOCRACIA DOS MINERAIS”. A lógica conceitual deriva do facto de todas ex-potências coloniais, ainda mesmo em 1885 (Conferência de Berlim) terem traçado, um pós colonialismo ocidental, por um colonialismo negro, garante da continuidade dos interesses coloniais originários, por outros meios.

Se no início vieram de caravelas, como colonos brancos, para evangelizar e desenvolver as terras autóctones, tornando-as suas, exportando as matérias-primas para desenvolvimento das metrópoles, hoje desembarcam de avião, como investidores. É apenas uma inversão de conceitos. Porque o viés é o mesmo.

Os sucessivos presidentes e governos portugueses (igualmente, franceses, ingleses, alemães, belgas, holandeses, americanos) pugnam por ter, nas ex-colónias, dirigentes complexados, assimilados e capachos dos interesses de Portugal e do Ocidente.

Estes são os garantes da destruição das indústrias e fazendas agrárias coloniais, transformados, no pós-independência, em armazéns de venda de produtos manufacturados, vindos do Ocidente e, também, de quaisquer projectos de autonomia de desenvolvimento agro-industrial, que passe por um forte investimento na Educação e transformação das matérias primas localmente, por líderes visionários autóctones.

Este quadro dantesco é severamente escrutinado pelo Ocidente de tal monta que, a maioria dos países africanos de expressão portuguesa, nunca realizaram eleições livres, justas e secretas, por o Ocidente temer perder a “democracia dos minerais”, com a ascensão de um opositor democrático, comprometido com o país e contrário a exportação a baixo custo das matérias-primas.

Em Angola, Moçambique e Guiné Bissau, nas últimas eleições, a oposição ganhou. Não as perdeu, mas não governa. O Presidente e o governo português, tem disso ciência, mas são (continuam a ser) cúmplices do assassinato do sonho de alternância dos povos, que ingenuamente, acredita(ra)m, na democracia ocidental, cujo “modus operandi”, está proibido de ser replicado (não se aplica) em África.

Por tudo isso, qualquer que seja o desfecho final das eleições presidenciais em Portugal, a política de apoio às ditaduras, em Angola, Moçambique, Guiné Bissau, Guiné Equatorial, por exemplo, vai continuar através do novo inquilino de Belém, seja ele António José Seguro ou André Ventura.

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