O porta-voz do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA, no Poder há “apenas” 50 anos), Esteves Hilário, comparou hoje o descontentamento dos angolanos ao desconforto de “viver numa casa em obras”, garantindo que o partido está atento aos sinais da população e empenhado em melhorar a sua acção. De facto, adaptando a tese do Presidente de seita, João Lourenço, o MPLA matou e destruir mais em 50 anos do que os portugueses em 500.
Por Orlando Castro
Esteves Hilário falava (sim, conforma-se, ele fala) em conferência de imprensa em Luanda, onde anunciou um programa especial para celebrar o 69.º aniversário do partido no poder em Angola desde 1975, coincidente com as comemorações do Jubileu da Independência.
Questionado sobre o sentir da população e os tumultos registados este ano em Luanda, desencadeados pelo aumento dos combustíveis e que culminaram na morte de pelo menos 30 pessoas, afirmou que viver numa casa em obras traz “desconforto”.
“Eu costumo dizer que estar a viver numa casa em obras normalmente gera algum desconforto e é óbvio que o processo de reformas estruturais que se fazem em economia tem que gerar algum desconforto. E o MPLA tem consciência disso e tem estado a trabalhar para que dias melhores efetivamente ocorram”, frisou, considerando que o MPLA “é o maior instrumento de luta do povo angolano”.
“O MPLA é património dos angolanos, os angolanos contam com o MPLA, o MPLA nunca virou as costas ao seu povo, desde a luta da libertação nacional e obviamente continua a trabalhar para o povo e com o povo”, assegurou o rapaz, omitindo o mais claro e inequívoco exemplo de que “o MPLA trabalha para o povo e com o povo”: os massacres de 27 de Maio de 1977, ordenados por Agostinho Neto e nos quais foram barbaramente assassinados 80 mil angolanos.
Esteves Hilário fez uma apreciação contrastante dos 50 anos de independência nacional, lembrando que mais de metade deste período foi marcado por “uma guerra fratricida” e afirmou que “isso também tem que ser avaliado pelos angolanos”.
“Mas foram feitas grandes coisas. E hoje nós podemos dizer que depois da independência a obra está feita”, Insistiu, apontando melhorias na educação (escolas sem paredes, sem carteira) e na saúde (malária continua a ser a principal causa de morte), para além do êxito conseguido na estratégica de ensinar os angolanos a viver se comer, tendo até conseguido que só morrem os que estiverem… vivos.
Registe-se, desmontando a desfaçatez criminosa do MPLA, que uma em cada três crianças menores de um ano em Angola nunca recebeu qualquer vacina e duas em cada três crianças menores de cinco anos não têm registo de nascimento, anunciou a Unicef.
A representante interina do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Cristina Brugiolo, que falava na conferência alusiva aos 35 anos de ratificação da Convenção sobre os Direitos da Criança (CDC) pelo Estado do MPLA, disse igualmente que persistem no país “desigualdades graves no acesso à saúde e à proteção social”.
Crianças que não receberam nenhuma vacina representam 33% do total nacional, refere a publicação aludindo à responsável do UNICEF, “um número crítico num país que enfrenta surtos cíclicos de doenças evitáveis”.
“Dois terços das crianças menores de cinco anos não têm certidão. Sem identidade, ficam invisíveis para o Estado e vulneráveis a várias formas de exclusão”, assinalou Brugiolo,.
A responsável defendeu igualmente maior investimento para alcançar as crianças mais vulneráveis, apontando ainda para necessidade de reformas profundas para melhoria da qualidade do ensino e na formação de professores.
“Infelizmente, os problemas não se conseguem resolver todos num dia, mas há vontade, há disponibilidade, há trabalho, o trabalho esta a ser feito e os resultados começam a ser sentidos”, reiterou Esteves Hilário, explicando que, quando há reformas estruturais, há também “um apertar de cinto, um esforço do povo”. Aliás, há 50 anos que o MPLA trabalha denodadamente em prol dos seus milionários e não dos angolanos que são gerados com fome, nascem com fome e morram pouco depois com… fome.
“E aqui nós, obviamente, felicitamos o povo angolano, porque compreendeu e assumiu esse sacrifício, porque com ele nós construímos, efectivamente, um país melhor”, vincou o responsável, convicto (tal como lhe mandaram dizer) de que o povo compreende o esforço do Executivo e que este irá “resultar efectivamente numa economia melhor, mais sólida e mais sustentável”.
As comemorações dos 69 anos do MPLA decorrem sob o lema “Preservar e valorizar as conquistas alcançadas”, durante o mês de Dezembro, com actividades em todas as províncias, sendo o ponto alto um comício no próximo sábado, em Luanda.
A inauguração da nova sede do partido (a bem do Povo) é outro dos momentos centrais da agenda comemorativa, que inclui debates e palestras (a bem do Povo), atividades desportivas (a bem do Povo), ações de responsabilidade social (a bem do Povo) e uma festa com componente cultural, música e gastronomia (a bem do Povo)..
Segundo Esteves Hilário, as jornadas “são para o povo angolano e não restritas aos seus militantes” (mas, afinal, o povo não é todo do MPLA?), prevendo-se “momentos de auscultação social para a sociedade civil e pessoas que não sejam do MPLA”.
O dirigente destacou aspectos positivos da governação, como o impulso à diversificação económica (ao serviço dos poucos que têm milhões e não dos milhões que têm pouco… ou nada), que se tem traduzido “no aumento exponencial da produção nacional”. Esteves Hilário, tal como o seu patrão, ainda não consegue reconhecer que os portugueses tinham razão quando (ao contrário das ordens revolucionárias do MPLA) plantavam as couves com a raiz para baixo.
“(Hoje) pouco mais de 70% dos produtos mais consumidos no pais são de produção nacional”, salientou, acrescentando que o Orçamento Geral do Estado, actualmente em discussão, prevê receitas do sector não petrolífero superiores às do sector petrolífero.
“Nem sempre a marcha é rápida como nós pretendemos, mas o mais importante é que os passos sejam seguros e sustentáveis”, concluiu.
Na verdade, Esteves Hilário tal como o patrão João Lourenço, ainda não perceberam que a economia é um tapete rolante que anda para trás. Por isso limitam-se a caminhar, ficando como matumbos milionários que são com a sensação de que avançam mas, de facto, estão sempre no mesmo sítio.


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