O ex-ministro da Defesa de Angola, Kundi Paihama, morreu na madrugada de hoje, por doença, informou a vice-presidente do MPLA, Luísa Damião. O general Kundi Paihama foi uma das figuras emblemáticas do MPLA, era natural da província da Huíla e tinha 75 anos de idade. Porcos, farelo e cães são alguns dos emblemáticos legados do general.

Sobre a morte de Kundi Paihama, a vice-presidente do partido no poder desde 1975 disse que o MPLA perde “um intrépido militante defensor de causas nobres que sempre serviu a pátria com muita dedicação e determinação”. Pátria, entenda-se, como sinónimo de reino do MPLA.

“Angola perde um exímio nacionalista e político, que sempre desempenhou com zelo e abnegação e espírito patriótico as funções que lhe foram confiadas”, referiu Luísa Damião em declarações à rádio pública do MPLA.

Da sua biografia constam vários cargos políticos, o primeiro de coordenador nas províncias do Huambo e Bié, exercido em 1976/1979, ministro do Interior (1979/1980), ministro da segurança do Estado (1980/1981), ministro dos Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria (2010/2015).

O militante do MPLA foi também governador das províncias de Luanda, Huíla, Benguela, Huambo, Cunene, foi deputado à Assembleia Nacional e membro do Comité Central do MPLA.

Nos últimos anos, o general dedicou-se a vários negócios, entre os quais a Plurijogos, concessionária de casinos, e o Banco Angolano de Negócios e Comércio (BANC), que viu a sua licença retirada pelo Banco Nacional de Angola por “graves problemas técnicos”, colocando a instituição em “falência técnica”.

A dirigente do MPLA realçou que Kundi Paihama foi “um forte pilar da luta de libertação nacional, que desde muito cedo abraçou a causa do MPLA”.

“Foi também um intrépido combatente que deu o seu contributo também na área militar e é de facto um homem que servirá de exemplo às jovens gerações de tudo quanto fez pela sua pátria”, frisou.

Por seu turno, o antigo secretário-geral do MPLA, general Julião Mateus Paulo “Dino Matrosse”, considerou “o desaparecimento físico do camarada Kundi Paihama uma tristeza muito grande”.

“O camarada Kundi Paihama é um dos ícones da nossa luta seja de libertação nacional e das sucessivas invasões estrangeiras no país e depois da nossa independência a grande contribuição que deu ao país e à nação nas fileiras do MPLA, começou muito cedo a dar o seu contributo e neste momento que estamos a viver a sua morte é uma tristeza para todos aqueles que juntos estiveram e sobretudo comigo, tivemos uma amizade muito estreita”, disse.

Num dos seus (foram tantos) célebres e antológicos discursos, Kundi Paihama disse: “Não percam tempo a escutar as mensagens de promessas de certos Políticos”, acrescentando: “Trabalhem para serem ricos”.

Esta frase fez com que todos passássemos a venerar Kundi Paihama. A tal ponto vai a nossa veneração que até advogamos a tese de que as verdades “paihamistas” deveriam, no mínimo, fazer parte das enciclopédias políticas das universidades angolanas (do MPLA) e, por que não?, de todo o mundo civilizado.

“Durmo bem, como bem e o que restar no meu prato dou aos meus cães e não aos pobres”, afirmou há uns tempos o então ministro da Defesa do MPLA. Não, não há engano. Reflectindo a filosofia basilar do MPLA, Kundi Paihama disse exactamente isso: o que sobra não vai para os pobres, vai para os coitados dos cães.

E por que é que não vai para os pobres?, perguntam os milhões que todos os dias passam fome. Não vai porque não há pobres em Angola. E se não há pobres, mas há cães…

“Eu semanalmente mando um avião para as minhas fazendas buscar duas cabeças de gado; uma para mim e filhos e outra para os cães”, explicou Kundi Paihama.

É claro que, embora reconhecendo a legitimidade que os cães de Kundi Paihama (bem como de todos os outros donos do país) têm para reivindicar uma boa alimentação, pensamos que os angolanos que são gerados com fome, nascem com fome e morrem pouco depois com fome, não devem transformar-se em cães só para ter um prato de comida.

Embora tenham regressado pela mão do MPLA ao tempo do peixe podre, fuba podre, 50 angolares e porrada se refilares, devem continuar a lutar para ter direito a, pelo menos, comer como os cães de Kundi Paihama.

Kundi Paihama merece, pois, o nosso respeito porque foi ele quem melhor explicou que não havia (nem há) fome em Angola. Disse ele que se os porcos comem farelo e não morrem, também o nosso Povo pode comer…