O presidente da coligação angolana CASA-CE instaurou um processo-crime por difamação a dois jornalistas da “Rádio Despertar”. Pelos vistos, talvez por ter recebido, gratuitamente, os manuais do MPLA sobre “educação patriótica”, Abel Chivukuvuku não desmente a mensagem mas acusa os mensageiros. Também aqui… nada de novo!

Segundo um comunicado da Direcção Nacional de Investigação e Acção Penal (DNIAP) da Procuradoria-Geral da República (PGR) de Angola, os dois jornalistas são convocados para um interrogatório judicial no dia 23 de Janeiro, quarta-feira.

Em 2018, o líder da Convergência Ampla de Salvação de Angola – Coligação Eleitoral (CASA-CE), segundo partido da oposição que o MPLA permite, foi acusado pelos membros da coligação de ter “desviado fundos” afectos à força partidária, acusações “recusadas” na ocasião por Abel Chivukuvuku.

Em declarações à Lusa, o jornalista Queirós Anastácio Chiluvia, um dos visados, refutou as acusações do presidente da CASA-CE, afirmando que o órgão de informação tratou o assunto “com o devido rigor”, procurando “sem sucesso ouvir o contraditório”.

“O que aconteceu foi uma notícia que a Rádio Despertar veiculou, em 2018, sobre a crispação que se vivia naquela altura na CASA-CE onde a fonte da rádio revelou a situação que se vivia naquela altura”, disse.

“O que fizemos foi, somente, tratarmos a matéria tal como ela nos foi facultada a também procuramos ouvir o contraditório por parte da acusada, no caso o líder Abel Chivukuvuku bem como de outros dirigentes da CASA-CE, mas não conseguimos”, indicou.

Questionado qual será o posicionamento na audição de quarta-feira, o jornalista, sublinhou que os seus “advogados vão provar” que a matéria foi divulgada com a “devida responsabilidade e prudência”.

“Os factos lá estão, foram publicados, mas negamos essa acusação segundo a qual teríamos difamado o senhor Abel Chivukuvuku”, acrescentou.

Na nota, a PGR angolana refere que apenas foram constituídos arguidos os jornalistas Queirós Anastácio Chiluvia e António Festo, ambos da Rádio Despertar, colocando de parte do deputado da União Nacional para Independência Total de Angola (UNITA), David Mendes, que publicamente também falou sobre o assunto.

No domingo, o deputado da UNITA escreveu na rede social Facebook que também era um dos visados.

“Tomei conhecimento de uma participação criminal feita, contra a minha pessoa, por Abel Chivukuvuko. Espero que o líder da CASA-CE esteja seguro do que está a fazer, porque as provas que tenho contra ele, poderá o levar a ser o primeiro líder da oposição a responder por crime de peculato”, avisou David Mendes.

No dia 29 de Maio de 2018, o presidente da CASA-CE afirmou que estava em curso uma “trama” para o tentar afastar da liderança, após uma queixa em tribunal de alegado desvio de verbas.

A posição de Abel Chivukuvuku foi assumida em conferência de imprensa na sequência daquilo que o próprio classificou como “notícias atentatórias” ao seu “bom nome”.

“Venho declarar peremptoriamente que são simplesmente calúnias de colegas que visam o lugar de presidente da CASA-CE, sem respeito às normas estatutárias, que determinam a eleição do Presidente em Congresso”, afirmou o líder da coligação.

Em causa estão notícias de uma queixa apresentada pelos líderes de cinco dos seis partidos que constituem a CASA-CE, acusando Abel Chivukuvuku do desvio de 15 milhões de kwanzas (55.000 euros) de verbas da coligação.

Na declaração Chivukuvuku recordou que é “do conhecimento público”, que em 2012, por sua “livre vontade” disponibilizou “todos os recursos que permitiram o surgimento e a afirmação da CASA-CE em quatro meses”.

“A CASA-CE foi criada durante um mês, nas minhas instalações em Luanda a custo zero. Seis anos volvidos desde então, a CASA-CE ainda não concluiu a devolução do empréstimo. Quem tem dívida é a CASA-CE, e não é pequena coisa. Neste momento todos os materiais de propaganda e publicidade da CASA-CE, estão armazenadas nas minhas instalações e os meios rolantes estacionados nas mesmas. Tudo grátis”, apontou o líder da coligação.

Acrescentou que “ao longo dos anos, sempre que a CASA-CE ficou sem recursos”, foi ele próprio a avançar com “empréstimos pontuais”, mas garante que nunca foi gestor da coligação.

“O meu nome não consta de nenhuma conta bancária da CASA-CE. Nunca movimentei dinheiros da CASA-CE. Nunca recebi salário ou subsídio da CASA-CE”, disse ainda.

“É lamentável, que numa organização que representa a esperança de milhares de angolanos, haja colegas ingratos e cuja postura é caracterizada pela mentira a calúnia e a maldade”, criticou ainda.

Folha 8 com Lusa

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