O bastonário da Ordem dos Contabilistas e Peritos Contabilistas de Angola (OCPCA) admitiu hoje a necessidade de recorrer a técnicos estrangeiros para ultrapassar a falta de profissionais angolanos.

D e acordo com Júlio Sampaio, existe em Angola um “défice entre a procura de profissionais de contabilidade e a sua disponibilidade” no mercado, tendo em conta os cerca de 5.000 técnicos com habilitação existentes.

Além disso, institutos médios e universidades estão também a regressar ao processo formativo destes profissionais.

“Se calhar, tem de haver recurso a profissionais estrangeiros, de uma forma devidamente controlada e regulada. Isso vai de ter de acontecer”, apontou o bastonário, em entrevista à rádio pública.

Os órgãos da OCPCA foram eleitos a 12 de Dezembro último, culminando desta forma um período de instalação da Ordem, de âmbito nacional e responsável por representar os direitos dos contabilistas e auditores angolanos, iniciado em 2010.

“Nos últimos anos tem-se assistido ao crescimento económico elevadíssimo, mas, na verdade, a formação das pessoas não acompanha este ritmo. Nós perdemos muito tempo, houve uma retracção na formação destes profissionais durante algumas décadas”, reconheceu Júlio Sampaio.

A criação da OCPCA obrigou ao enquadramento de 4.000 técnicos de contas inscritos apenas no Ministério das Finanças, ao abrigo da anterior regulamentação. Foi também promovida a formação necessária a esta integração, processo que contou com o apoio da congénere portuguesa.

“Não há problema de emprego para os contabilistas que, de facto, se entreguem a sério à profissão. No meu entendimento, haverá durante algum tempo a necessidade de recurso a técnicos estrangeiros, não tenhamos ilusões”, apontou o bastonário, aludindo ao ritmo de crescimento da economia angolana e de criação de empresas.

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