De acordo com o mais nobre e impoluto paradigma do jornalismo mundial, o Jornal de Angola, o embaixador da Alemanha, Rainer Muller, reconheceu o papel do Executivo na pacificação dos conflitos regionais em África, salientando que “Angola tem sido o país exportador da estabilidade na região”.

I nevitavelmente o tema teria de ser manchete no nosso Pravda. E não é caso para menos. Todos quantos se ajoelham perante o “escolhido de Deus” merecem destaque, ou não fosse o “jornal” o Boletim Oficial da propaganda do regime.

“Vimos com grande satisfação que Angola tem sido a exportadora da estabilidade na região e reconhecemos muito o papel do Executivo na pacificação dos conflitos regionais, sobretudo no continente africano”, afirmou Rainer Muller à imprensa, no final do encontro com o Presidente da Assembleia Nacional, Fernando da Piedade Dias dos Santos, no Palácio dos Congressos.

Rainer Muller defendeu, diz o eterno candidato ao Prémio Pulitzer, “a intensificação das trocas comerciais entre os dois Estados e prometeu trazer mais empresas alemães para Angola com a finalidade de criarem mais investimentos directos”.

“A minha ideia é trazer mais empresas alemãs para produzirem mais bens e serviços locais”, afirmou o diplomata, acrescentando que de momento apenas quatro empresas alemãs produzem em Angola.

Para o diplomata alemão, os investimentos directos de empresas alemãs devem ser mais alargados e espalhados no território angolano. Sublinhou que existem em Angola 20 empresas alemãs. Na Feira Internacional de Luanda (FIL) deste ano, a Alemanha vai ser um dos países de destaque. O embaixador da Alemanha prometeu trazer para o evento uma grande delegação empresarial, representando vários sectores da economia.

Apesar de não ter quantificado o valor das trocas comerciais bilaterais, o embaixador alemão lembrou que os angolanos importam da Alemanha diversos equipamentos, como máquinas de construção e viaturas. Angola exporta para Alemanha, sobretudo, o petróleo.

As delegações mistas bilaterais vão reunir-se pela segunda vez em Luanda. O primeiro encontro decorreu naquele país europeu. Além da cooperação bilateral no sector económico, o diplomata também destacou as relações políticas e diplomáticas entre os dois Estados.

“Trocas de visitas decorrem ao mais alto nível”, afirmou o embaixador, lembrando que no ano passado a Alemanha recebeu as visitas dos ministros das Relações Exteriores e da Defesa Nacional.

Com o Presidente da Assembleia Nacional, o diplomata alemão disse ter concordado trabalhar para o estabelecimento regular da troca de experiências entre os Parlamentos dos dois Estados. “Falámos sobre as relações bilaterais, que são muito intensas e de longa data, mas que ainda têm espaço para serem melhoradas”, disse.

Ao lado destas conversações passou o facto de, por exemplo, o partido alemão “Os Verdes” ter lembrado a Angela Merkel que o Governo angolano é um “regime corrupto e autoritário” que desrespeita os direitos humanos, sugerindo que a Alemanha faça uma abordagem “mais crítica” em relação a Angola.

“Como é que o Governo Federal da Alemanha avalia a situação da liberdade de expressão e liberdade de imprensa em Angola?” Esta foi uma das 31 perguntas que o grupo parlamentar do partido alemão “Os Verdes” enviou ao Executivo de Angela Merkel.

Os deputados resolveram pedir explicações sobre as relações bilaterais existentes entre os dois países devido aos casos de violações dos direitos humanos que sistematicamente ocorrem no nosso país.

Na interpelação, os deputados alemães evocam o relatório da Amnistia Internacional de 2013, que relatava sobre uso de força excessiva contra manifestantes pacíficos, prisões e detenções arbitrárias, restrita liberdade de assembleia e de expressão, além de censura na imprensa.

O partido da oposição também questionou o Governo da Alemanha – que é o terceiro maior exportador mundial de armas – sobre as exportações feitas nos últimos cinco anos para Angola.

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