Os argumentos utilizados pelos arautos do Reigime contra a implementação do poder autárquico são falácias, muito humilhantes para quem os defende. As contradições em que eles navegam são tão evidentes que acabam por demonstrar que os seus fluxos de raciocínio estão engarrafados na subserviência partidária e anedótica, na matumbice e no chico-espertismo oportunista.

Por  Domingos Kambunji

Esses fluxos, em eutrofização, só servem para demonstrar que, para além dos arautos serem muito mal formados, como seres racionais, o Reigime alimenta-se na vigarice e no despotismo para continuar o seu processo de engodo e engano dos ingénuos que fazem parte da população de Angola, especialmente os que vivem na cegueira do fanatismo partidário, obedientes ao Grande Chefe da matilha de impostores do MPLA.

O ódio que esses monangambés da propaganda e informação demonstram, nas suas opiniões, em relação os dirigentes da oposição, é tão primário e boçal que leva-os a perderem o sentido de orientação, o que inibe a capacidade de observação objectiva dos factos e das realidades sociais angolanas.  O Reigime classifica-os e remunera-­os como jornalistas. As pessoas inteligentes e bem formadas verificam que eles nada mais são do que parasitas cabritistas.

Vamos aos factos. Os monangambés da propaganda e informação acham ser demasiado prematura a organização administrativa municipal em Angola e a implementação, através de eleições livres e democráticas, de autarquias. Os argumentos que utilizam para defenderem a sua filosofia parola são os seguintes:

– As autarquias não são um negócio de cantina;

– Luanda e outras cidades apresentam uma geografia urbana desordenada, com um elevado e vergonhoso número de enormes musseques;

– Os registos populacionais são inexistentes ou incompletos e as pessoas não podem ser identificadas pelos números de polícia;

– O censo, recentemente realizado aos trambolhões, será uma referência para as acções de planeamento político, administrativo e social;

– É necessário saber quantos habitantes vivem nos  musseques;

– É necessário saber qual é a população votante e definir, em lei, onde ela pode votar;

– É necessária uma reorganização profunda do país;

– É necessário criar condições de auto-financiamento para poderem existir autarquias;

– É errado pensar que só há democracia onde há descentralização do poder.

As autarquias não são, de facto, um negócio de cantina. Todavia, se fosse implementado o poder autárquico, democrático, em Angola, as autarquias serviriam para combaterem as negociatas que ocorrem, presentemente, nos botequins e nos bordéis do Reigime do MPLA.

Luanda, em especial, e outras cidades do país apresentam uma geografia urbana desordenada.  Se a cleptomania não fosse tão elevada, seria possível estabelecer melhores condições de vida para os residentes em musseques e em sanzalas negligenciadas. Os patrões do Cabritismo anunciaram, recentemente, uma acréscimo, muito significativo das receitas do Estado. Como o Estado é só um elemento… os musseques continuarão a crescer desordenadamente.

Os registos da população são demasiado incompletos e a grande maioria dos angolanos não têm número de polícia nas habitações, para poderem ser recenseados e identificados. Isso só vem confirmar que todas, mas mesmo todas, as eleições que ocorreram em Angola foram uma enorme fraude, uma vigarice eleitoral que só serviu para impor uma maioria construída em números/votos fictícios. Nós já desconfiávamos disso. Agora são os monangambés da propaganda e informação que nos dão grandes razões para confirmarem as nossas suspeitas, já muito antigas.

Os cadernos eleitorais são uma vigarice demasiado evidente. Os deputados da maioria não são representantes do povo, são, isso sim, serventes do polvo, porque não se sabe quantos “habitantes vivem nos  musseques” (as maiores e mais densas áreas de população humana em Luanda e arredores, próximos e distantes).

Eles dizem que é necessária uma reorganização profunda do país. Os actuais proprietários do poder, eleitos no gabinete que escolhe quem deve legislar e mandar, já demonstraram serem incapazes de organizar o que quer que seja. Quanto mais planeiam mais assimetrias regionais provocam. Eles são os primeiros a reconhecerem que não conseguem dominar os fluxos migratórios para a grande metrópole. Isso só vem demonstrar que a concentração do poder num só ditador não é a melhor forma de desenvolver o território nacional de um modo harmonioso e sustentado.

A concentração da riqueza nos senhores feudais de Luanda contribui, em progressão geométrica, para que o resto do país esteja cada vez mais Kalonjanda. Se nos concentrarmos só em Luanda verificaremos que, de facto, a capital é Lunãoanda, por os dirigentes estarem demasiado preocupados com a manutenção da burrocracia e da cleptocracia. Na sombra dos arranha-céus de Lunãoanda vivem milhões nos arranha-chãos da banda.

Assim, as regiões e os municípios nunca serão capazes de criarem condições de auto-financiamento. O mau planeamento e a sucção das receitas dos recursos naturais pelos senhores feudais empurram Angola, num futuro próximo e distante, para maiores desigualdades e injustiças sociais. Em Angola isso não é um grande problema para os diGerentes porque os resultados eleitorais decidem-se, não nas mesas de voto,  nos gabinetes dos senhores feudais porque não se sabe quantos “habitantes vivem nos  musseques” sem estatuto de cidadania.

Estes arautos do Reigime, burrocratas, inspirados na Coreia do Norte, na China, na Rússia, ou num dos paraLamentares do MPLA, juristas, constitucionalistas e/ou politólogos, chegaram à conclusão de que “é errado pensar que só há democracia onde há descentralização do poder”. De facto, a democracia consiste na descentralização/delegação do poder o que é o exactamente o oposto do que acontece no Reigime Zéduardino.

O Reigime perdeu mais uma oportunidade para ficar calado,  para não ser humilhado quando “descentralizou” e delegou a defesa da oposição à implementação de autarquias aos advogados do diabo, os burrocratas dos serviços de propaganda e informação, avessos ao diálogo construtivo. Ele são, no fim de contas, a mais fiel imagem do Reigime,  no que diz respeito à intolerância, arrogância e burrocracia.

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