Milhares de manifestantes pró-democracia paralisaram, este domingo, o centro de Hong Kong, numa acção de desobediência civil contra a decisão de Pequim de limitar o sufrágio universal, que ocorreu num ambiente tenso com a polícia.

As forças de segurança usaram gás pimenta e lacrimogénio contra os manifestantes, que invadiram uma importante via no centro daquele território chinês, ex-colónia britânica, sob domínio da China desde Julho de 1997.

Os manifestantes gritaram “Vergonha, Vergonha e Vergonha”, tentando, com chapéu-de-chuva e lonas de plástico, travar as nuvens de gás lacrimogénio, raramente utilizadas pela polícia em Hong Kong.

“Nós temos o direito de estar aqui e protestar”, disse um estudante de 19 anos, Ryan Chung, citado pela France Presse, acrescentando: “O mundo deve saber o que está a acontecer em Hong Kong. O mundo deve saber que queremos a democracia, mas que não conseguimos isso”.

O protesto paralisou o trânsito no centro de Hong Kong, centro de negócios da cidade.

Esta manifestação seguiu-se ao protesto junto ao complexo governamental de Hong Kong, no primeiro dia da campanha de desobediência civil promovida pelo movimento “Occupy Central”, inicialmente previsto para iniciar-se na próxima quarta-feira.

No protesto junto ao Governo local, no qual os manifestantes forçaram o cordão de segurança montado pela polícia, cinco pró-democratas, incluindo três deputados, foram detidos.

A China fez a promessa a Hong Kong que o seu chefe do Executivo, a eleger em 2017, poderia ser escolhido livremente pela população.

No entanto, a 31 de Agosto, o Governo de Pequim, liderado por Leung Chun-ying, determinou que os candidatos ao cargo necessitam do apoio de mais de metade dos votos de um comité de nomeação

“Occupy Central” exige que o Governo chinês “recue” na decisão e que “relance um processo de reformas políticas”.

“Exigimos que o Governo de Leung Chun-ying apresente novas propostas sobre as reformas políticas que reflictam plenamente as aspirações de democracia da população de Hong Kong”, disse uma fonte do “Occupy Central”, que promete mais acções em caso de recusa.

Todavia, Leung Chun-ying reafirmou a “determinação em lutar contra as acções ilegais de ocupação”.

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