Ao certo não se sabe. A mais falada depois de muitas outras, é o Verão de 2015.
Mas a verdade é que, depois de muitos impasses, é sabido que a Sonae já está a constituir equipa para acompanhar a abertura dos hipermercados Continente em Angola.

O projecto que marca a entrada do maior empregador privado português no território angolano é fruto de uma parceria estabelecida entre o grupo e, como não poderia deixar de ser, a empresária e milionária Isabel dos Santos que, para quem não saiba, é filha do presidente José Eduardo dos Santos.

Para a eventualidade de algum leitor só agora ter chegado a este mundo, recorde-se que José Eduardo dos Santos é o presidente de Angola desde 1979, sem nunca ter sido nominalmente eleito.

Hipermercados, supermercados, lojas de conveniência, lojas de proximidade, restauração, para-farmácias, livrarias, vestuário, desporto, electrónica, centros comerciais, administração de imóveis, investimentos financeiros, telecomunicações, software e sistemas de informação e media são as áreas do império fundado por Belmiro de Azevedo, a Sonae.

O acordo com a Condis – detida maioritariamente, como também não poderia deixar de ser, por Isabel dos Santos – aconteceu ainda em 2011, sendo que o projecto prevê a abertura de uma rede de hipermercados Continente nosso país.

João Seara é apontado pelo Diário Económico como o homem forte do grupo para este projecto, sendo que deverá ocupar o cargo de director executivo. A empresa não adianta grandes pormenores sobre estas novas informações, dizendo apenas que “não está definida nenhuma data em concreto, mas tanto a Sonae como a Condis estão a envidar todos os esforços para proceder à abertura da primeira unidade o mais breve possível”.

No entanto, a mesma publicação aponta o Verão de 2015 como uma data de referência para a abertura da primeira loja da marca Continente em Angola, acrescentando mesmo que as equipas estão já mandatadas para começar a definir as gamas de produtos que serão enviados para Luanda. Sabe-se também que a Condis iniciou já a construção de uma infra-estrutura que acolherá as instalações do hipermercado.

A entrada da Sonae em Angola tem sofrido alguns contratempos, explicando-se assim a relutância do grupo português em avançar com uma data concreta. A internacionalização da empresa para o nosso país está em desenvolvimento desde 2012, ano em que a Sonae e a ANIP assinaram um contrato de investimento no valor de 100 milhões de dólares, com vista à abertura de cinco hipermercados em Angola.

Todos os atrasos poderão ter a ver com o facto de, durante algum tempo, a Sonae ter tido dificuldades em engolir as regras da corrupção angolana. Daí as coisas não terão corrido tão bem como o inicialmente previsto, isto porque Paulo Azevedo anunciara a 17 de Março de 2010 que a entrada da empresa no mercado angolano poderia acontecer já nesse ano.

Angola é um dos países lusófonos com a maior taxa de mortalidade infantil e materna e de gravidez na adolescência, segundo as Nações Unidas. Mas o que é que isso importa? Importante é saber de facto que a Sonae vai avançar com o lançamento dos hipermercados Continente em Angola, mesmo sabendo-se que o regime é um dos mais corruptos do mundo. Ou será por isso mesmo?

Seja como for, o que conta é o “Hello tomorrow” (olá amanhã), rapidamente e em força para… Angola.

Aliás, muitos dos angolanos (muitos mesmo) vivem na miséria e raramente sabem o que é uma refeição. Poderão, no entanto, fazer incursões ao Continente, ou melhor, aos caixotes do lixo do Continente e lá encontrar restos quase novos de comida. Portanto…

A Sonae não é uma empresa filantrópica e, por isso, negoceia com os donos do poder e, no caso de Angola, do país. E, como sempre, é muito mais fácil negociar com dirigentes vitalícios do que com os que resultam de uma vida democrática.

Também é verdade que se a comunidade internacional não se preocupa com o facto de, em Angola, poucos terem cada vez mais milhões e cada vez mais milhões terem pouco ou nada, porque carga de chuva deveria ser a Sonae a preocupar-se?

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