O líder da UNITA, Isaías Samakuva, “terá sido infeliz” em declarações que fez recentemente em Portugal advogando uma “segunda independência” para Angola, disse o embaixador angolano em Lisboa, José Marcos Barrica.

Por Orlando Castro

Odiplomata respondia a uma pergunta de um ouvinte do Namibe no programa “Angola Fala Só”, da VOA, e considerou ainda de “extravagante” o facto dessa declaração ter sido feita em Portugal, “o país colonizador de Angola” e por Samakuva ser o “primeiro líder da oposição” angolana, com esse estatuto saído de eleições.

“Alguma emoção terá invadido o Dr. Samakuva porque não é fácil falar em público”, disse o embaixador angolano que afirmou não fazer sentido “ao fim de 39 anos de independência pedir ao colonizador” uma segunda independência.

Chiça. Marcos Barrica volta a mostrar que para ele tanto faz a beira da estrada como a estrada da Beira. Então Samakuva estava a pedir ao colonizador uma segunda independência? Como é que se explica a um diplomata do MPLA que existem expressões figurativas, simbólicas?

Se calhar Marcos Barrica aprendeu na mesma escolha de António Mangueira que, em Junho de 2009, foi a Lisboa, na sua qualidade de director-executivo do Comité Organizador do Campeonato Africano das Nações2010 (COCAN), dizer que, “para quem conhece um pouco da história de Angola”, nos tempos dos portugueses “o Lubango era chamado de Nova Lisboa”.

No seu diálogo com os ouvintes, Marcos Barrica disse que as relações com Portugal têm atravessado momentos bons e momentos maus.

“As relações entre Angola e Portugal sempre conheceram ao longo do seu percurso momentos altos e momentos menos bons, frutos de todo um passado e há ressentimentos que vão condicionando essas relações”, explicou, afirmando ainda que Angola quer ter boas relações com todos os países e povos “em especial com Portugal”.

O diplomata disse, no entanto, que “há círculos em Angola e Portugal” que não estão interessados na evolução das relações, “criando artificialmente factos para condicionar essas relações”.

Mas acrescentou: “há um empenho muito grande (de ambas as partes) para que os factores que tendem a desestabilizar essas relações sejam negligenciados e se aproveite aquilo que é de positivo e bom, que reina entre os nossos países, Estados e sobretudo entre os nossos povos”.

Como não poderia deixar de ser, Marcos Barrica elogiou também o papel diplomático de Portugal na recente eleição de Angola para membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, dizendo que “Portugal foi um arauto junto dos países europeus da candidatura de Angola”.

Um ouvinte colocou ao embaixador a questão da liberdade política em Angola, afirmando que as manifestações são reprimidas e que há ainda “matanças” de dirigentes políticos da oposição em Angola”.

Marcos Barrica disse que pode haver casos “isolados” que “estão a ser investigados”, mencionando os assassinatos dos activistas Alves Kamulingue e Isaías Cassule.

“Está fora de questão a perseguição política pelo MPLA”, reiterou o embaixador que admitiu poder haver “casos de pessoas que fazem uso de forças políticas para agirem fora da lei”.

Está fora de questão. Está mesmo. Aliás, como sabem todos aqueles que leram a cartilha do MPLA, este partido nunca perseguiu ninguém. Está no seu ADN não perseguir. Basta, aliás, ver o que aconteceu no 27 de Maio de 1977 em que milhares de angolanos do MPLA protagonizaram um suicídio colectivo, facto que as forças do mal (para citar uma expressão cara a Marcos Barrica) usaram para dizer que a culpa foi do MPLA.

Até mesmo durante a guerra civil, as forças do MPLA (as FAPLA) estavam dotadas de um sofisticado e inteligente armamento que apenas matava os inimigos, desviando-se sempre que havia cidadãos inocentes no meio. Isto, registe-se, em oposição às FALA cujo armamento matava a torto e a direito.

José Marcos Barrica classificou de “extravagantes e falsas” as acusações de que a Embaixada angolana em Lisboa só ajuda o regresso a Angola de cidadãos que tenham cartão do partido no poder.

É falso. Os funcionários, que não a Embaixada, confundem o Bilhete de Identidade com o cartão do MPLA. Mas isso é apenas um problema óptico e não de segregação.

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