A nomeação de familiares para cargos de relevo na Função Pública deixou, há muito, de ser um deslize ético isolado para se converter numa engenharia de sobrevivência política. Em Angola, a dança das cadeiras governamentais ganhou contornos sofisticados. Se o nepotismo directo — a nomeação pura e simples de um filho pelo próprio pai — atrai demasiados holofotes e críticas da opinião pública, as elites políticas aperfeiçoaram a técnica: entraram na era do nepotismo cruzado e do nepotismo ideológico. Por William Tonet roteiro do nepotismo cruzado é quase coreográfico: o…
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