A crise de credibilidade no futebol angolano marcada por acusações de má gestão, centralização de decisões e ausência de reformas estruturais, ganhou mais um capítulo tenso quando o presidente da Federação Angolana de Futebol (FAF), Alves Simões, foi alvo de vaias ensurdecedoras no Estádio França Ndalu, durante o empate a uma bola entre o Clube Desportivo 1.º de Agosto e o Wiliete Sport Clube de Benguela em jogo da 23ª jornada da Liga Girabola Unitel 2025/2026.
Por Geraldo José Letras
A presença do dirigente na tribuna presidencial, que deveria simbolizar autoridade institucional e respeito, transformou-se num catalisador de indignação popular. Adeptos do clube militar não apenas manifestaram desagrado, como chegaram ao extremo de exigir, em coro, a sua expulsão do recinto – um episódio que expõe, sem filtros, o desgaste profundo da liderança federativa.
No centro da revolta está a controversa decisão administrativa da FAF que resultou numa derrota imposta ao 1.º de Agosto, beneficiando directamente o rival Petro de Luanda. A medida, considerada por muitos como opaca e desproporcional, incendiou as já frágeis relações entre a federação e um dos clubes mais históricos e influentes do país.
Críticos acusam a direcção da FAF de agir com falta de transparência, critérios inconsistentes e uma aparente incapacidade de diálogo institucional.
A sucessão de decisões contestadas tem alimentado a percepção de que o órgão máximo do futebol nacional está desconectado das expectativas dos clubes e dos adeptos.
O episódio no Estádio França Ndalu não é isolado — é, antes, o reflexo de um mal-estar crescente no seio do futebol angolano. Entre acusações de má gestão, centralização de decisões e ausência de reformas estruturais, a liderança de Alves Simões tem sido alvo de críticas cada vez mais abertas.
A contestação pública, agora visível nas bancadas, revela um ponto de rutura perigoso: quando os adeptos — a essência do espectáculo — passam a rejeitar frontalmente quem dirige o sistema, o futebol deixa de ser apenas desporto e transforma-se num campo de conflito institucional.
A grande questão que se impõe é até que ponto a atual direção da FAF conseguirá manter-se firme perante a crescente pressão. A legitimidade formal do cargo parece já não ser suficiente para conter a erosão da confiança pública.
Num país onde o futebol é uma das maiores expressões de identidade coletiva, o descrédito da sua principal instituição não é apenas um problema desportivo — é um sinal de alerta sobre governança, transparência e responsabilidade.
Se nada mudar, os apupos que ecoaram no Estádio França Ndalu poderão ser apenas o prelúdio de uma contestação ainda mais ampla e difícil de conter.
A faltar sete jornadas para a conclusão da presente época desportiva, o Petro de Luanda continua cada vez mais isolado na liderança, agora com 57 pontos, Williete vem a seguir com 47, 1° de Agosto em terceiro com 46 pontos. Faltam 7 jornadas para o final do Girabola.
Hoje, para a 23ª jornada o líder do campeonato, Petro de Luanda foi travado, no Estádio dos Coqueiros, pelo Kabuscorp do Palanca, que impôs um empate a zero.
Já no jogo entre as duas equipas que estão na luta pelo segundo lugar, o Williete de Benguela deixou escapar a vitória nos descontos, na visita ao 1° de Agosto, ao consentir a igualdade aos 90+4. A equipa benguelense adiantou- se no marcador aos 41′, por Merdi. Félix Tchibanda mesmo já ao cair do pano apontou o golo que mantém a equipa militar invicta, dentro das quatro linhas.


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