E DIZEM ELES QUE SÃO O PRIMEIRO MUNDO

A despesa militar global aumentou 2,5% em 2025 para um recorde de 2,63 biliões de dólares (2,23 biliões de euros) para responder às tensões geopolíticas crescentes, indica o Balanço Militar 2026 hoje divulgado.

O relatório do centro de estudos britânico Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS) destacou a mudança significativa na política de defesa/guerra dos EUA sob a segunda administração do Presidente norte-americano, Donald Trump.

“O Presidente Trump reforçou a defesa do país e (…) começou a recuar nos compromissos de defesa de longa data dos Estados Unidos e exigiu uma maior partilha de encargos dos aliados, tanto na Europa como na Ásia-Pacífico”, salientou a introdução.

O programa de defesa antimísseis ‘Golden Dome’ proposto exemplifica esse foco da Casa Branca, que reduziu o apoio direto à Ucrânia e enfrenta tensões em várias regiões, nomeadamente no Médio Oriente.

A participação da Europa nos gastos globais com defesa/guerra acelerou para mais de 21%, contra 17% em 2022, reflectindo o esforço dos governos para enfrentar a ameaça da Rússia e compensar a redução do envolvimento dos EUA em questões de segurança.

Só a Alemanha foi responsável por cerca de 25% do crescimento total dos gastos da Europa desde 2024, enquanto Bélgica, Espanha e os países nórdicos também registaram aumentos significativos.

De acordo com o relatório anual, actualmente na 67ª edição, Portugal terá aumentado o orçamento para a defesa para 3,07 mil milhões de euros em 2025, mais 8% do que no ano anterior, o qual está previsto disparar mais 22% em 2026, para 3,77 mil milhões de euros.

Ainda assim, o IISS alertou que a lenta reforma das aquisições e a capacidade industrial limitada estão a restringir a capacidade da Europa de aumentar a produção e reforçar as defesas no flanco leste da NATO, particularmente nas áreas críticas da defesa aérea e antimísseis.

O relatório identificou a China como o principal impulsionador do crescimento militar asiático, expandindo a participação nos gastos regionais com defesa para 44% em 2025, acima da média de 37% na década anterior.

Apesar das recentes purgas internas no comando do Exército de Libertação Popular (ELP), as capacidades de Pequim parecem não ter sido afectadas.

A Marinha do ELP encomendou o terceiro porta-aviões, o Fujian, e lançou dez novos submarinos nucleares entre 2021 e 2025.

Simultaneamente, a China apresentou sistemas de mísseis avançados, como o míssil balístico aerotransportado JL-1, durante o desfile do Dia da Vitória de 2025.

O relatório destacou ainda o aprofundamento das parcerias de segurança dos EUA em todo o Golfo, particularmente com Qatar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.

Os gastos regionais com defesa atingiram 219 mil milhões de dólares (cerca de 186 mil milhões de euros) em 2025, com os países a atribuir uma média de 4,3% do Produto Interno Bruto (PIB) para a defesa, uma das taxas mais altas do mundo.

Em África, cada vez mais as forças armadas estão a adoptar uma abordagem holística à prestação de segurança. Elas sabem que a sua principal responsabilidade é proteger os cidadãos dos países, mas isso raramente pode ser feito apenas por meios militares. Muitas vezes os problemas complexos exigem uma resposta que aborde as causas profundas da insegurança.

Na África Ocidental, por exemplo, os países costeiros enfrentam uma ameaça crescente de grupos terroristas baseados no Sahel. Esses grupos estão determinados a expandir-se para o Sul e formar um califado que atravesse as fronteiras.

Em muitos países costeiros, os grupos terroristas têm como alvo regiões subdesenvolvidas com pouca presença do Estado. Os terroristas aproveitam-se disso oferecendo empregos e serviços e pregando uma ideologia que atiça as queixas locais.

Em resposta, as forças armadas reconheceram que a garantia da segurança deve incluir a construção de confiança com os civis. No Benin, as forças armadas lançaram comissões civis-militares que promovem o diálogo e realizam eventos como clínicas veterinárias e de saúde. A divulgação faz parte de uma estratégia nacional mais ampla que inclui a prestação de serviços estatais, investimento na região e uma maior presença militar para enfrentar os terroristas. Esforços semelhantes estão em curso na Costa do Marfim, no Gana e no Togo. O objectivo é construir resiliência nessas comunidades fronteiriças para que elas não sejam mais vulneráveis ao recrutamento terrorista.

Essa é apenas uma das formas pelas quais as forças armadas estão a ampliar o âmbito das suas actividades. No Senegal, as Forças Armadas entraram em acção durante as inundações históricas de 2024 para evacuar pessoas, fornecer apoio logístico e distribuir ajuda humanitária. As Forças de Defesa do Quénia estão a impedir o roubo de gado e a acabar com o comércio ilegal de armas que alimenta a violência intercomunitária. Na Mauritânia, soldados da Guarda Nacional que montam camelos, conhecidos como Meharistes, visitam comunidades isoladas e fornecem tudo, desde água potável a cuidados médicos.

A segurança holística não pode ser uma estratégia exclusivamente militar. A experiência mostra que, quando as forças de segurança fazem parte de um esforço de todo o governo e de toda a sociedade, os resultados são melhores. Ao ver a insegurança na perspectiva das pessoas que servem, os governos, os grupos da sociedade civil e os profissionais militares podem oferecer resultados eficazes e duradouros.

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