Os presidentes do Conselho Europeu, António Costa, e da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, defenderam hoje ser “momento para uma parceria audaz e orientada para o futuro entre a União Europeia (UE) e a União Africana (UA)”. Se os parceiros africanos são terroristas, isso pouco importa. Desde logo porque têm o diploma europeu de terroristas… bons.
No dia em que líderes da UE e da UA se reúnem em Luanda para a 7.ª cimeira União Europeia–União Africana, Costa e Von der Leyen vincam, num artigo de opinião hoje publicado, que a parceria entre os dois blocos “tem como objectivo moldar um mundo mais justo, mais ‘verde’ e mais seguro, baseado em valores partilhados e no respeito mútuo”, sendo agora “momento para uma parceria audaz e orientada para o futuro”.
“Ao olharmos para os próximos 25 anos, a nossa mensagem a partir de Luanda é clara: África e Europa estão unidas na ambição, iguais na parceria e determinadas a libertar todo o potencial dos nossos povos, especialmente dos jovens”, vincam nesta posição comum.
Os dois altos responsáveis europeus adiantam que, “ao longo dos últimos 25 anos, a parceria UA–UE tornou-se mais profunda, mais ampla e mais estratégica”.
A UE é o primeiro parceiro comercial de África, contribuindo com um terço do comércio total de África. É também o seu primeiro investidor, o seu primeiro parceiro em matéria de paz e segurança e o seu primeiro doador humanitário.
Hoje e terça-feira, os líderes da UE e da UA reúnem-se em Luanda para a sétima cimeira UE-UA, centrada em “promover a paz e a prosperidade através de um multilateralismo eficaz”, quando se assinalam também os 50 anos da independência de Angola, sempre sob o comando do MPLA e em que – por exemplo – o dito Presidente da República (general João Lourenço) não foi eleito e ocupa o cargo por ser o Presidente do MPLA.
O encontro de alto nível será copresidido pelo Presidente de Angola, general João Lourenço, e pelo presidente do Conselho Europeu, António Costa, estando a UE ainda representada pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e a UA pelo presidente da Comissão da União Africana, Mahmoud Ali Youssouf.
Após discussões sobre paz, segurança, governança e migrações, será divulgada uma declaração conjunta no final da cimeira.
Enquanto vizinho mais próximo da Europa, o continente africano é uma prioridade geopolítica fundamental para a União Europeia.
Este ano, a UE e a UA celebram 25 anos da sua parceria, num acordo político formal que tem vindo a proporcionar oportunidades para o desenvolvimento dos laços económicos, culturais e políticos entre os dois continentes.
As cimeiras entre os dois blocos decorrem de três em três anos, alternadamente na Europa e em África, e reúnem líderes europeus e africanos para abordar desafios comuns e definir objectivos partilhados.
A UE é o principal parceiro de África nos domínios da energia, paz e segurança, transição verde, comércio e investimento e transformação digital.
A balança comercial entre a União Europeia e os países africanos melhorou 8% em 2024, mas continua negativa para os europeus em 23,3 mil milhões de euros, num total de trocas comerciais acima de 355 mil milhões.
Em matéria de investimento, com 238,9 mil milhões de euros em 2023, a UE foi o maior fornecedor de investimento direto estrangeiro em África.
Para apoiar investimentos sustentáveis baseados nas prioridades e necessidades dos países africanos, a UE estabeleceu um pacote de pelo menos 150 mil milhões de euros até 2030.
A UE financia outros programas e iniciativas que beneficiam vários países africanos, num total de 79,5 mil milhões de euros entre 2021 e 2027.
De momento, existem ainda 12 missões e operações civis e militares em África apoiadas pela UE, uma das quais em Cabo Delgado, Moçambique.
Bons e maus terroristas
Margaret Thatcher (primeira-ministra do Reino Unido de 1979 a 1990 ) proibiu em 1979 o seu enviado especial à então Rodésia de se encontrar com Robert Mugabe. O argumento era o de que “não se discute com terroristas antes de serem primeiros-ministros”.
“Não. Por favor, não se reúna com os dirigentes da ‘Frente Patriótica’. Nunca falei com terroristas antes deles se tornarem primeiros-ministros”, escreveu Margaret Thatcher – e sublinhou várias vezes – numa carta do Foreign Office de 25 de Maio de 1979 em que o então ministro dos Negócios Estrangeiros, Lord Peter Carrington, sugeria um tal encontro.
Ou seja, quando se chega a primeiro-ministro, ou presidente da República, deixa-se de ser automaticamente terrorista. Não está mal. É verdade que sempre assim foi e que sempre assim será.
Hoje, de um lado e do outro residem argumentos válidos, tão válidos quanto se sabe (é da História) que para os senhores do poder (hoje terroristas, amanhã heróis – ou ao contrário) o importante é a sociedade que tem de ser destruída e não aquela que tem de ser criada.
É isso que pensam, por exemplo, Donald Trump e Vladimir Putin. Aliás, G. Geffroy dizia pura e simplesmente que o importante é avançar por avançar, agir por agir, pois em qualquer dos casos alguns resultados hão-de aparecer.
Os EUA avançaram, feridos que foram no seu orgulho de polícias do Mundo. Com eles estiveram e estão uma série de países, nem todos de forma sincera. Talvez não seja o caso dos europeus mas é, com certeza, o caso de muitos estados árabes que, com medo do cão raivoso, aceitaram (mesmo que contrariados) a ajuda do leão.
Aliás, os homens do tio Sam são especialistas em criar leões onde mais lhes convém. Em certa medida Osama bin Laden, tal como foi Saddam Hussein, foram leões “made in USA”. Ao contrário do que pensam os ilustres operacionais da NATO, do FBI da CIA ou de qualquer coisa desse tipo, ninguém tem neste planeta (pelo menos neste) autoridade e poder ilimitados.
O mesmo se aplica em relação aos agora chamados de terroristas. Mas, como os instintos ultrapassam a razão, ambos estão convencidos que são donos e senhores da verdade absoluta. O confronto foi, é e será, por isso, inevitável.
Significará esta tese que a 3ª Guerra Mundial está aí ao dobrar da próxima esquina? Significa exactamente isso. Só falta saber a que distância está a próxima esquina.
Os agora terroristas (segundo a terminologia ocidental, que já usou igual epíteto – entre outros – para Yasser Arafat, recordam-se?) poderão não ter a mesma capacidade bélica do que os EUA ou Israel e seus aliados. Estão a ser humilhados, sobretudo pelo número dos mortos que o único erro que cometeram foi terem nascido.
São as leis da razão? Não. São as leis dos instintos. Instintos que vão muito além das leis da sobrevivência. Entram claramente na lei da selva em que o mais forte é, durante algum tempo mas nunca durante todo o tempo, o grande vencedor.
A 3ª Guerra Mundial começou porque o Mundo Árabe só está do lado dos EUA e da Europa por questões estratégicas, por opções instintivas. Bem ou mal, em matéria de razão os árabes estão com os seus… e esses não são os nossos (?) heróis.
É claro que, transitoriamente, alguns admitiram aliar-se aos EUA, à Europa, a Israel. É a opção, neste exacto contexto, pelo mal menor. Mesmo assim, avisaram que não admitiriam ataques a outros países árabes. Pelo menos desde a Guerra dos Seis Dias, a aprendizagem dos árabes tem sido notável. Aceitam o que os EUA definem como inimigos, enforcam até os seus pares com a corda fornecida pelos norte-americanos e israelitas mas, na melhor oportunidade, enforcam americanos com a corda enviada de Washington ou de Telavive.
Até recentemente os atentados foram a resposta mais visível desta 3ª Guerra Mundial. Com bombas, aviões, antrax ou suicidas foram preparando o terreno. Agora, tal como fizeram com os soviéticos no Afeganistão, utilizam o próprio armamento do Ocidente. E, quando entenderem, também poderão fazer uso de armamento nuclear.
Então? Então é preciso ir em frente. Sem medo. Olho por olho, dente por dente. No fim, o último a sair – cego e desdentado – que feche a porta e apague a luz…


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