ANGOLA SERIA DIFERENTE COM UM “SELO DE POVOAMENTO” DE EQUIDADE DEMOCRÁTICA

No dia 20 de Junho (de todos os anos), a nostalgia bate-me à “porta mental”, repristinando o desespero lacrimejante de dois amigos: um branco e outro preto. Tinham sonhos. Projectos mil. Queriam que Angola fosse uma potência, capaz de superar Portugal. Viram os sonhos adiados. Melhor, assassinados. Arrastados por uma corrente de medo e terror, previamente elaborada, por militares de esquerda radical, fascistas de Portugal e complexados do MPLA, para deixarem tudo, todos e, zagaiar. Foi assim para milhares, na estratégia para a destruição do desenvolvimento agro-industrial, que a Angola, enquanto província ultramarina, já tinha no concerto do comércio mundial. 

Por William Tonet

O António (branco) e o Zaqueu (preto), ambos viviam na mesma casa. O pai do primeiro (António), carpinteiro de profissão, padrinho do segundo, jurou que não deixaria, por nada o afilhado. Levou-o(s) para a nova terra, Portugal, terra dos avós. O pai já tinha, tal como ele, nascido em Angola. Ambos nunca haviam viajado para Lisboa e arredores.

Desembarcados com parcos caixotes e duas velhas malas de cabedal, “made in Angola, começaram tudo de novo. Da difícil adaptação, a uma terra fria, com quatro estações, a crença de, que se revolucionários patriotas, chegassem ao poder, pudessem, um dia mais cedo que tarde, regressar a terra que os pariu. Ao torrão amado, onde estão enterradas as suas secundinas e o sol farfalha todos os meses do ano.

Infelizmente, os meses só atendem a lógica da multiplicação e os anos se acumulam, sem perspectiva de regresso.

Negam-lhes a naturalidade. A nacionalidade, também. Nos consulados das embaixadas de Angola em Portugal…

A razão de não reconhecimento jurídico é partidocrata e discriminatória.

Resta-lhes, no grito da dor, revolta e frustração, abraçar a resiliência e continuar a lutar contra um regime, que nega aos seus o que escancara, aos outros.

Por isso, mais uma vez, rejeitaram o convite para este ano, Junho de 2026, virem a terra, para talvez, ser mais fácil tratarem a documentação, como indígenas.

Negaram-se, terminantemente, regressar à terra natal com passaporte português.

Porra, lembrei-me do Orlando Castro. Lagrimei. Não podiam, vocês os três.., de muitos outros…

Desgraçadamente, os que ontem vos fizeram emigrar, são os mesmos, que hoje, levam milhares de jovens, com emprego, escolaridade, casa a perseguir as mesmas rotas, por falta de perspectiva, na terra…

Os ditos revolucionários e libertadores, não o são, nunca o foram, no sentido literal da palavra, pois o seu “modus operandi” é uma cópia original do colono-fascista, porque avessos ao emponderamento da cidadania e do desenvolvimento transformador do país.

Ao longo de 51 anos, o regime mantem a rota esburacada de sentido único: contínuo empobrecimento de Angola, discriminação, injustiça e assassinato de milhões, por delito de opinião (pensamento diferente) e pobres, que sonham por um país melhor, que o da ditadura e fascismo.

Um país onde a soberania económico-financeira esteja na mão dos angolanos e não de especuladores ocidentais, asiáticos e fundamentalistas islâmicos. Nova colonização, que se junta a que nunca partiu!  

O colono português, diferente de branco português, fingiu, em 1975, que partiria, definitivamente da ex-província ultramarina, mas foi tudo uma verdadeira simulação, com a cumplicidade de uns poucos negros assimilados e complexados, politicamente identificáveis.

E, para a sua consumação, a máquina diabólica sob orientação de fascistas e capitalistas portugueses, impôs a cultura de terror e medo, com algumas práticas “animalescas”, arrastando muitos “brancos angolanos” de gema, para uma deportação forçada…

Uma estratégia com a participação espúria e covarde de certos militares de viés fascista ortodoxo e esquerdistas no MFA (Movimento das Forças Armadas) de Portugal, baseada na intimidação pela cor: “vamos embora para a terra dos nossos avós, porque senão estes pretos vão te matar, por seres branco”…

Espalhado o boato, iniciava-se a “deportação ideológica-racial”, que os nacionalizaria, à chegada, na ex-metrópole – Portugal (desconhecida por muitos), como retornados. Brancos de segunda.

Alguns nunca se adaptarem, contraíram doenças do foro psicológico: AVC, ataques cardíacos… Outros morreram de desgosto e abandono. Os restantes, vivem, ainda hoje, com lágrimas diárias, entre a nostalgia e a utopia, numa terra que lhes impingiram por serem brancos….

A deslocação forçada dos “nossos brancos”, nacionalistas e patriotas, constituiu a ponta de uma lança, verdadeiramente assassina, na nossa multirracialidade.

A maestria deste hediondo feito, sabemo-lo hoje, tem nomes, quantitativamente identificáveis. Entes jurídico-políticos, que traíram dois ideais, dois países, duas cidadanias. Agostinho Neto, Álvaro Cunhal, Lúcio Lara, Almeida Santos, MPLA (Angola), PCP, PS e PSD (Portugal).

Esse abjecto séquito ideológico transformou, em 1975, os Acordos de Alvor, num simples papel, segundo Almeida Santos entregando ao MPLA/Agostinho Neto, comunicações, transportes, finanças, quartéis e armas, para decapitarem, a FNLA e a UNITA, que ingenuamente, acreditaram na neutralidade de Portugal.

Ledo engano!

Alguns negros dirigentes do MPLA, por serem complexados e assimilados, “gostavam do nosso vinho, bacalhau, azeitonas, mulheres e cultura, tinha de lhes ser dado o poder”, justificou, o traidor português, almirante Rosa Coutinho.

Traição clara aos outros dois “legítimos representantes do povo angolano”, que impávidos e serenos assistiam e assistem à continuação do colonialismo, por outras vias.

A primeira tarefa da dupla (MPLA-partidos portugueses) foi a destruição total do tecido de desenvolvimento do parque industrial e agro-industrial, como parte de uma política justificativa para a importação de produtos acabados, antes transformados, localmente e uma alegada incapacidade da maioria preta.

O caótico de hoje tem impressões digitais identitárias: MPLA. Em 50 anos tornou-se no “afogador” principal de milhões de mulheres e homens, que mantinham fresco na memória o sonho de um país melhor e unificado entre os diferentes.

Temos de condenar os heróis de casa de banho, que se indignam quando sentados na sanita, mas ao levantarem-se e accionar o autoclismo, a coragem vai com a merda…

É importante levantarmos as vozes da indignação, combatermos a corrupção e a partidocracia dolosa, promotora da fome, miséria, desemprego, inflação, injustiça e assassinatos.

Levantem-se, António, Zaqueu, Orlando, dêem um porra a toda esta barbárie…

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