O Parlamento do MPLA reprovou hoje o pedido do grupo parlamentar da UNITA, maior partido da oposição que – a muito custo – o MPLA ainda permite em Angola, de um voto de protesto contra o incidente no sábado, na província Uíje, contra os seus militantes e que afectou também deputados.
O requerimento foi rejeitado com 92 votos contra do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA, há 50 anos no Poder), 63 votos a favor da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), da Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA) e uma abstenção do Partido Humanista de Angola (PHA).
No sábado, a Polícia Nacional (do MPLA) cercou a sede provincial da UNITA para impedir um acto político no âmbito da IV Reunião Ordinária do Comité Nacional da JURA, para assinalar o 92.º aniversário do fundador da UNITA, Jonas Savimbi.
A repressão da Polícia, segundo o secretário-geral da JURA, organização juvenil do partido, Nelito Ekuikui, terá resultado em pelo menos 31 pessoas feridas, dez com gravidade, na sequência da intervenção da polícia.
O requerimento do grupo parlamentar da UNITA, dirigido ao presidente da Assembleia Nacional, Adão de Almeida, solicitando a alteração da ordem do dia, tinha como objectivo a solicitação de um voto de protesto sobre o referido incidente.
O documento referiu que o acto político foi impedido de se realizar, com a mobilização de polícia de choque, criação de barreiras para a interdição de vias de acesso, junto ao secretariado provincial da UNITA.
O grupo parlamentar a UNITA frisou ainda que foram também lançadas granadas de gás lacrimogéneo sobre os participantes, que fugiram ou refugiaram-se no interior das instalações partidárias.
Entre os militantes, destacou o documento, encontravam-se vários deputados, como Arlete Chimbina, segunda vice-presidente da Assembleia Nacional, Albertina Ngolo, presidente do grupo parlamentar da UNITA, e outros dirigentes desta organização política “titulares de órgão de soberania” que foram “de modo indefeso atacados pela Polícia Nacional com granadas de gás lacrimogéneo, não tendo havido da parte da Polícia qualquer tipo de explicação”.
“O sucedido, segundo balanço da JURA (…), causou pelo menos 31 feridos, dos quais 10 graves e ainda internados, encontrando-se entre as lesões ferimento profundo no rosto de uma cidadã e outro no pé, alegadamente causado por um disparo”, destaca-se no requerimento, acrescentando que “não há até ao momento qualquer óbito confirmado e o ato central foi adiado”.
O deputado Nelito Ekuikui, membro da primeira Comissão dos Assuntos Constitucionais e Jurídicos da Assembleia Nacional, denunciou publicamente um alegado atentado contra si, tendo declarado que não se encontrava no interior da viatura presumivelmente visada, e que escapou ileso, vincou no requerimento.
