O presidente da União Nacional para Independência Total de Angola (UNITA), Adalberto da Costa Júnior afirmou em Paris que o seu partido não está preocupado com o candidato que o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) venha a indicar para concorrer nas próximas eleições gerais de 2027, mas sim, com a transparência do processo, apelando à Comissão Nacional Eleitoral a pautar-se pela transparência antes e durante o pleito eleitoral
Por Berlantino Dário
Falando à margem da conferência sobre a África da Organização Internacional Democrata Centro (OIDC) – da qual faz parte o seu partido, durante a apresentação do seu livro intitulado “Juntos por Angola, Outro Passo para a Liberdade”, Adalberto da Costa Júnior frisou não estar preocupado com o candidato que o MPLA, seu principal oponente político, venha a indicar para concorrer à presidência da República de Angola nas próximas eleições gerais de 2027, mas com sim com as garantias de não haver um sistema democrático, transparente e tratamento igual no pleito eleitoral.
“O essencial não é o candidato que nos preocupa. O que nos preocupa são as garantias de termos um sistema democrático e transparente, de termos um tratamento igual para todos. E, como se sabe, nós temos um distanciamento enorme entre aquilo que é uma convicta prática na UNITA e de uma fuga às reformas democráticas no nosso principal adversário com a responsabilidade de estar a governar o país”, afirmou.
O líder do “Galo Negro” acusou, por outro lado, que o MPLA, partido no poder há 50 anos, de nunca ter tido uma eleição plural na sua liderança, facto que o levar a crer que não haverá uma democracia partilhada no país.
“Nós, de facto, não podemos ter uma democracia partilhada no país se os partidos que têm responsabilidade de governar não forem democráticos e o nosso adversário nunca teve uma eleição plural na sua liderança. A UNITA nisto tem sido um exemplo, um exemplo difícil de ser acompanhado por quem está no poder”, esclareceu Adalberto da Costa Júnior, apontando como exemplo o XIV Congresso Ordinário do partido realizado no fim de Novembro de 2025 com múltiplas candidaturas que o elegeu como presidente pela segunda vez, batendo na concorrência o seu adversário de ocasião, Rafael Massanga Savimbi, exortando as instituições do Estado com destaque à Comissão Nacional Eleitoral (CNE) a pautar-se pela transparência.
“Fazer um congresso verdadeiramente plural, verdadeiramente democrático em que quem fiscalizou a transparência não foram só instituições nacionais, foram instituições internacionais que participaram não só no acto eleitoral, mas participaram no processo todo de desenvolvimento do congresso, era isso que nós gostávamos de ver como espelho a ser abraçado pelos outros partidos, nomeadamente por quem governa o país, fundamentalmente pelas instituições do Estado angolano, nomeadamente pela CNE,” salientou Adalberto da Costa Júnior.

