O Presidente francês, Emmanuel Macron, manifestou hoje, em Paris, “todo o apoio às reformas iniciadas pelo Presidente” João Lourenço, no primeiro dia da visita oficial do chefe de Estado angolano a França. O mesmo tinha feito François Hollande em relação a José Eduardo dos Santos.

João Lourenço foi recebido no Palácio do Eliseu, onde almoçou com o seu homólogo francês, tendo ambos sublinhado, em conferência de imprensa, a vontade de reforçar as relações bilaterais.

“Dou todo o meu apoio às reformas iniciadas pelo Presidente Lourenço. A luta contra a corrupção, a facilitação de vistos para os empresários, homens de negócios ou assalariados e a reforma do quadro do capital da economia que permite limitar os constrangimentos e abrir a economia angolana a parceiros, investidores e atores económicos estrangeiros, a meu ver vão na boa direcção”, afirmou Emmanuel Macron.

O Presidente francês destacou que esse é o caminho para “melhorar o crescimento do país, criar mais oportunidades e mais emprego e acelerar a diversificação da economia que é indispensável nos próximos meses e anos”.

As declarações foram feitas após a assinatura de quatro acordos de cooperação no domínio da defesa, da agricultura, da economia e da formação de quadros, acordos que, no entender de Emmanuel Macron, “vão levar a um maior empenho da França” em Angola.

Emmanuel Macron indicou, por exemplo, que na sequência de um acordo assinado em Março, a Agência Francesa de Desenvolvimento vai investir, numa primeira etapa, 100 milhões de dólares no domínio da agricultura e vai dar uma subvenção de 500 mil euros para a identificação de novos projectos.

O Presidente francês também disse que foram assinados acordos no sector petrolífero e sublinhou que o encontro do Presidente de Angola com 80 empresários franceses no MEDEF Internacional (Movimento das Empresas de França) vai nesse sentido.

Emmanuel Macron declarou-se “muito sensível” por João Lourenço “ter escolhido França para primeiro destino na Europa desde a sua eleição”, manifestou-se “muito empenhado no reforço das relações entre França e Angola” e disse que se trata de uma “etapa suplementar para reforçar a cooperação em todos os domínios”, incluindo o militar e de segurança marítima.

João Lourenço iniciou, hoje, em Paris, a visita oficial a França, tendo-se deslocado, esta manhã, à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), onde foi recebido pela directora geral da instituição, Audrey Azoulay.

Depois, o Presidente angolano esteve no Museu Militar – Hôtel National des Invalides, onde decorreram as cerimónias oficiais de boas-vindas, com os hinos nacionais dos dois países e na presença do ministro da Agricultura francês, Stéphane Travert, do governador militar de Paris e da delegação oficial angolana.

Na terça-feira, o Presidente de Angola vai à cidade de Toulouse, no sul de França, onde vai visitar, de manhã, as fábricas da ATR e da Airbus e, à tarde, o Liceu Agrícola e o Instituto Nacional de Pesquisa Agronómica, em Auzeville, a Cooperativa Agrícola Arterris, em Castelnaudary, e se vai encontrar com uma representação da comunidade angolana residente em França.

Na quarta-feira de manhã, o programa fecha com uma entrevista colectiva à revista económica Valeurs Actuelles e aos jornais Le Monde e Le Figaro e uma entrevista ao canal de televisão Euronews.

A França é a primeira visita oficial de João Lourenço a um país ocidental, depois de ter realizado visitas a vários países africanos, como África do Sul, República Democrática do Congo, Zâmbia ou Namíbia desde que foi empossado como terceiro Presidente da República de Angola, em Setembro de 2017.

Como foi com José Eduardo dos Santos

Em Abril de 2014 José Eduardo dos Santos visitou também França. Almoçou no Palácio do Eliseu com François Hollande, contando as crónicas que o repasto foi concluído o “armistício” entre os dois países e o reforço das posições francesas na economia angolana e não apenas no sector do petróleo.

Terá sido, de acordo com os relatos da imprensa, uma visita histórica que encerrou o caso “Angolagate” (venda de armamento russo a Angola, processos judiciais em Paris relativos a “infracções à legislação sobre as armas” e alegadas comissões ocultas a personalidades dos dois países).

A visita de José Eduardo dos Santos aconteceu depois de o chefe da diplomacia francesa, Laurent Fabius, se ter deslocado a Luanda e a seguir à conclusão, favorável a Angola, em 2011, do processo judicial em Paris (a “justiça” do MPLA não exigiu o envio do processo para Angola…) sobre o “Angolagate”.

Em termos políticos, diplomáticos e de segurança regional, a França contava e conta em África com Angola como aliado estratégico para controlar situações complicadas de crise na República Centro-Africana e na República Democrática do Congo.

José Eduardo dos Santos, que depois seguiu para o Vaticano, fez-se acompanhar por seis ministros (Negócios Estrangeiros, Petróleos, Finanças, Comércio, Ensino Superior e Agricultura) e por diversos empresários angolanos.

Foi igualmente dado um impulso para Paris reforçar posições em Angola no domínio da exploração do petróleo, energia, águas, transportes e finanças.

“Apesar dos fortes litígios políticos, jurídicos e diplomáticos que se verificaram entre ambos os países nos últimos anos, França manteve sempre, através da empresa Total, a maior fatia na exploração de petróleo angolano. A Total produzia, até agora, mais de 600 mil barris de petróleo por dia e pode passar a mais de 800 mil, em 2016, com a exploração de um novo projecto em Kaombo”, escrevia na altura o Expresso.

Folha 8 com Lusa

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