O Presidente de Angola, João Lourenço, afirmou hoje, em Paris, perante cerca de uma centena de empresários franceses, que está a desenvolver “acções concretas” para “assegurar a restauração do clima de confiança” no investimento em Angola. Se alguém as vir por aí… avise. Por favor!

O discurso foi feito num encontro organizado pelo Movimento das Empresas de França (MEDEF), no primeiro dia da visita oficial do chefe de Estado angolano a França e poucas horas depois de ter sido recebido pelo Presidente francês, Emmanuel Macron.

“Estão em curso acções concretas. Procuramos assegurar a restauração do clima de confiança e a normalidade nas relações económicas e comerciais entre as empresas e os nossos dois países e assim dinamizar o investimento. Nos momentos mais difíceis da nossa história, a França tem estado do nosso lado”, afirmou João Lourenço no palacete do Cercle de l’Union Interalliée, perto do Eliseu.

O chefe de Estado angolano sublinhou, no início do discurso, que nesta sua primeira visita oficial a França fez questão “de manter contacto directo com empresários e homens de negócios franceses por considerar que podem constituir um factor relevante para crescimento e desenvolvimento de Angola nos mais diversos domínios”.

“Na cerimónia da minha tomada de posse como Presidente da República de Angola, destacámos a França no restrito grupo de países com os quais o meu executivo pretende estabelecer uma relação cada vez mais próxima, de real parceria estratégica, no interesse recíproco de ambos os países”, continuou.

João Lourenço sublinhou que esta visita a França “tem como objectivo fundamental sinalizar este grande propósito que pode começar a ser constituído a partir de agora”.

O presidente disse que quer reforçar as parcerias ao nível do sector privado, “com realce para o investimento directo em domínios como o do ensino e formação profissional, agricultura e agro-indústria, pescas, indústria transformadora e de materiais de construção, refinação e distribuição de derivados de petróleo e gás natural, construção e operação de infra-estruturas rodoviárias, ferroviárias, portuárias, produção, distribuição e gestão de energia e água”.

João Lourenço recordou que a diversificação da economia é um “imperativo nacional” e que conta com a cooperação do governo e dos empresários franceses para o conseguir.

“Temos consciência de que para atrair investimento directo estrangeiro precisamos de adoptar um conjunto de medidas que visa melhorar de modo significativo o ambiente de negócios em Angola e conferir uma maior segurança jurídica ao investimento privado nacional e estrangeiro”, reiterou o presidente.

João Lourenço disse que “algumas destas medidas já estão em curso” e outras constam do programa de desenvolvimento de Angola para o período 2018-2022, apontando, por exemplo, a lei da concorrência aprovada recentemente pela Assembleia da República, a nova lei do investimento privado e as reformas em curso no sistema judicial para combater a corrupção.

“Contamos com a França para, como parceiro estratégico, construirmos em Angola uma sociedade justa, equitativa e culturalmente desenvolvida. Uma sociedade em que seja erradicada a fome e miséria, uma sociedade assente na igualdade de oportunidades para todos os cidadãos e com realce para o desenvolvimento humano e justiça na distribuição do rendimento nacional”, concluiu.

Durante o encontro com os empresários franceses, foram assinados vários acordos, nomeadamente três entre as petrolíferas Sonangol e Total.

Total elogia sempre quem está no poder

As petrolíferas Sonangol, angolana, e Total, francesa, assinaram no dia 4 de Dezembro de 2017 vários acordos de cooperação, entre os quais uma “joint-venture” para a importação e distribuição em Angola de produtos refinados do petróleo. O CEO da Total, Patrick Pauyanné, tinha há bem pouco tempo elogiado o desempenho de Isabel dos Santos na liderança da Sonangol…

Os acordos foram assinados em Luanda pelo Presidente do Conselho de Administração da Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola (Sonangol), Carlos Saturnino, e pelo presidente director-geral da Total, Patrick Pauyanné.

Carlos Saturnino disse, na sua intervenção, que os acordos servem para o relançamento da cooperação entre as duas petrolíferas, para alavancar também as actividades da indústria petrolífera de forma global, “tanto do ‘upstream’ (cadeia produtiva) como do ‘downstream’ (transporte e distribuição) e também algumas acções que terão impacto no ‘midstream’ (transformação), mais directamente relacionadas com a utilização do gás”.

Um segundo acordo tem a ver com relançamento da exploração petrolífera em Angola, através do bloco 48, tendo Carlos Saturnino recordado que os últimos blocos que o país lançou para exploração foram concluídos em Dezembro de 2011.

“Ou seja, estamos há seis anos a trabalhar com os mesmos blocos e nos últimos anos não temos exploração. De maneira que relançar a exploração em Angola é extremamente importante, porque é a partir daí que a gente vai assegurar o futuro, enquanto companhia petrolífera”, disse.

Segundo Carlos Saturnino, estão em curso também outras actividades do ‘upstream’ no bloco 17, com vista a desenvolver-se e colocar-se em produção alguns activos que já foram identificados e descobertos há alguns anos, nomeadamente aos blocos Acácia e Zínia, mas também Zínia na fase número dois.

A formação de quadros foi igualmente acordada entre as duas companhias, no sentido do reforço e aprofundamento de conhecimento e capacidades do capital humano.

Carlos Saturnino frisou a existência de um compromisso antigo com a indústria petrolífera, de 2011, que é o centro de investigação e tecnologia do grupo Sonangol, que fazia parte das licitações concluídas há seis anos.

“De forma geral, em termos de capital humano, vai haver cooperação mais alargada, formação de quadros, trocas de experiências, uma ênfase também para a Sonangol Pesquisa e Produção, já que é o braço que a Sonangol utiliza para o ‘upstream’ em termos de redes e desenvolvimento do bloco 3, integridade dos activos no bloco 3, tratando-se de um bloco que está em produção há várias décadas e tem imobilizações muito antigas, que precisam de ser mantidas e melhoradas, mas de forma integrada”, explicou.

Relativamente à “joint-venture” para a distribuição e possível participação na importação de produtos refinados de petróleo, o presidente da Sonangol considerou a parceria entre as duas petrolíferas como muito importante, porque a nível da Sonangol Distribuidora e Sonangol Logística poderá ter impacto no redesenhar das estruturas organizacionais, do posicionamento estratégico no mercado para as duas subsidiárias.

“Vamos ver qual vai ser o comportamento com a introdução desse novo “player” de maneira que isso vai ajudar-nos na delineação estratégica que serão feitas para estas empresas”, disse, salientando que esta iniciativa terá igualmente impacto em outras actividades desenvolvidas com o Ministério da Energia e Águas, para onde grande parte do gasóleo importado é destinado para a produção de electricidade.

“Tudo isto faz parte da mesma cadeia que estamos a analisar para melhorar o abastecimento no país, melhorar a eficiência, evitar estrangulamentos e também queremos ver se conseguimos baixar os custos, a factura mensalmente gasta pelo estado para a importação de produtos derivados do petróleo”, salientou.

Por sua vez, Patrick Pauyanné manifestou satisfação pelo novo impulso que Angola dá à área dos petróleos, muito afectada com o baixo preço do petróleo, que dá mostras de alguma melhoria com um preço um pouco acima dos 60 dólares por barril.

“Hoje assinamos vários acordos entre os quais o novo impulso para a exploração no bloco 48, que é um bloco em águas ultra-profundas, no qual teremos uma parceria com a Sonangol. Encontramos condições para avançar com o projecto no bloco 17, Zínia na fase 2. Quero agradecer ao presidente do conselho de administração da Sonangol por isso ter sido possível e lançar o projecto”, frisou.

Recorde-se, entretanto, o que o mesmo Patrick Pouyanné, CEO da Total, disse sobre a liderança de Isabel dos Santos na petrolífera nacional: “A Sonangol está a fazer exactamente aquilo que nós fizemos. Quando o preço do petróleo caiu todos sentimos dificuldades. A sua prioridade tem sido a transformação e equilíbrio das contas, o que tem sido positivo e permite voltar a pensar no desenvolvimento”.

Por sua vez, Eldar Saetre, CEO da Statoil disse: “Estamos em Angola há 26 anos e por isso temos uma grande experiência neste mercado que tem sido muito importante para a nossa empresa. Sempre tivemos uma relação muito próxima com a Sonangol e queremos mantê-la por muito tempo. Por isso estamos para ficar e encontrar novas oportunidades de colaboração com a Sonangol”.

Também Clay Neff, presidente da Chevron África afirmou: “Vemos as mudanças que a Sonangol está a fazer com muitos bons olhos. Existe uma colaboração muito positiva entre a Sonangol, a Chevron e os outros membros da indústria para melhorar as condições de investimento em Angola”.

Folha 8 com Lusa

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