ANGOLA. As autoridades angolanas detiveram preventivamente o director-adjunto do Serviço de Investigação Criminal (SIC) na província da Huíla, Abel Wayaha, alegadamente implicado no caso, em investigação, do desvio de quatro milhões de litros de combustível de uma central térmica.

A informação foi divulgada pelo procurador da República, Adão do Nascimento, acrescentando que a detenção ocorreu no âmbito da primeira fase da investigação a um grupo de trabalhadores da Sonangol, concessionária estatal do sector dos petróleos, da Prodel, empresa pública de produção de electricidade, e agentes do SIC.

Além do director-adjunto, outros dois oficiais daquela polícia de investigação já foram igualmente detidos no âmbito deste processo, que já constituiu um total de 31 arguidos, só na primeira fase da investigação, de acordo com os dados revelados.

Embora sem envolvimento directo no desvio do combustível, estes oficiais são suspeitos de terem recebido mais de seis milhões de kwanzas (31 mil euros) de subornos para libertarem detidos ou evitarem detenções de outros arguidos.

Em Junho foi noticiado que as autoridades angolanas estavam a investigar uma rede que terá desviado mais de quatro milhões de litros de combustível da central térmica do Lubango, província da Huíla, no sul do país, para depois ser revendido abaixo do preço oficial.

Na altura, o procurador junto do SIC na Huíla, Adão do Nascimento, explicou que as investigações já decorriam há dois meses e apontavam para um prejuízo superior a 571,7 milhões de kwanzas (três milhões de euros) só no gasóleo que terá sido desviado daquela central de produção eléctrica.

A central térmica do Lubango é operada pela empresa pública angolana de Produção de Electricidade (Prodel), tendo o procurador da República junto dos SIC apontado que 132 camiões cisterna com gasóleo terão sido desviados.

Integram este grupo suspeito pelo menos 29 pessoas, estando o total desviado avaliado em 4.235.000 de litros de gasóleo, combustível que é vendido actualmente em Angola a 135 kwanzas (70 cêntimos de euro) por litro, em regime de preço tabelado para todo o país.

Em contrapartida, o grupo transaccionaria cada litro de gasóleo a 80 kwanzas (41 cêntimos) e operava numa base “premeditada”, de acordo com o procurador Adão do Nascimento.

Lusa

Partilhe este Artigo