Paulo Catarro diz que foi jornalista dos bons, trocou a RTP (era correspondente em Angola) pela Sonangol e é o mais recente caso de mercenarismo jornalístico “made in Portugal”. E siga a farra que o bordel está cheio. Lá como cá.

Por Orlando Castro

Uma trabalhadora independente com lugar marcado nas esquinas da cidade, que seja amiga (ou fornecedora de serviços) do dono, ou do filho do dono, de um jornal, pode de um momento para o outro ser jornalista.

Em tempos, o presidente da República de Portugal, Cavaco Silva, lamentou, disse ele que “profundamente”, que dois fotojornalistas tenham sido atingidos (significará o mesmo do que agredidos?) durante os “distúrbios” que ocorreram no Chiado, sublinhando ser importante que se “saiba bem tudo aquilo que aconteceu”.

No que tange aos fotojornalistas, a questão parece simples de explicar. Os polícias cumpriram com todo o rigor as instruções recebidas, mesmo que de forma informal. Em Angola dir-se-ia que receberam “ordens superiores”.

Expliquemos. Fernando Lima, o consultor político do Presidente da República Cavaco Silva, e seu ex-assessor de imprensa, considerou que “uma informação não domesticada constitui uma ameaça com a qual nem sempre se sabe lidar”.

Ora, a Polícia existe para acabar com ameaças e, é claro, para domesticar todos aqueles que prevaricam. É discutível se a melhor forma de domesticação é o uso do cassetete. Mas cada um usa os meios que lhe parecem mais eficazes. A Sonangol usou um tacho. Mas o caso não é virgem e a estratégia da empresa petrolífera do clã Eduardo dos Santos nem sequer é original.

“Lamento profundamente que dois fotojornalistas tenham sido atingidos durante os distúrbios a que as forças de segurança tiveram que fazer face”, afirmou na altura o chefe de Estado português.

Dizer que desculpas e lamentos não se pedem – evitam-se, é o mesmo que chover no molhado. Aliás, nada disto é novo em Portugal, um país que também nos quer dar lições nesta matéria. O país tem evoluído também nas formas de domesticar os jornalistas e, talvez por isso, se estranha que seja preciso usar a violência física. Por regra a violência psicológica, ou a simples OPC (oferta privada de compra), são mais do que suficientes.

O jornalismo em Portugal (que já ninguém sabe bem o que é) continua a sua corrida no sentido da perda total de credibilidade. Há, dizem-nos, algumas excepções. Por serem poucas são difíceis de encontrar. O processo de domesticação continua no bom caminho. Lá como cá.

No bacanal colectivo em que se tornou Portugal, e ao contrário do que seria de esperar, os “macacos” (que são cada vez mais) não estão nos galhos certos (que são cada vez menos). E quando assim acontece (e acontece muitas vezes), os (supostos) jornalistas fazem contas à vida e lá vão para a vida. Lá como cá.

O Estado de Direito… democrático continua a manter, sempre através do cassetete físico ou psicológico, muitos vícios, deformações e preconceitos herdados. Dá jeito, é barato e eficiente. O “quero, posso e mando” continua a fazer escola, sobretudo tendo como mestres os donos dos jornalistas e os donos dos donos. Lá como cá.

A promiscuidade na sociedade portuguesa está de pedra e cal. Na Comunicação Social todos a querem independente mas, como é hábito, controlam essa independência pelos mais diferentes meios, sejam económicos, partidários ou outros. Lá como cá.

O jornalismo que Portugal vai tendo, qual reles bordel, aceita tudo e todos. No entanto, reconheça-se, os jornalistas sempre podem ser deputados, assessores de ministros, administradores de empresas, gestores e até – pasme-se – “jornalistas” nas empresas onde o Estado manda, seja na Lusa ou na RTP. Lá como cá.

Se todos podem ser jornalistas, porque carga de água não podem os jornalistas ser deputados… da Nação, ou assessores de políticos, ou conselheiros do presidente, ou prostitutos da alma? Nem mais. É uma pequena vingança, mas mais vale pequena do que nenhuma. Não? Lá como cá.

Aliás, a própria Comissão da Carteira Profissional de Jornalista de Portugal entende que não é incompatível ser jornalista e deputado. O mesmo se passa com o Sindicato dos Jornalistas que viu o seu ex-presidente ser candidato a deputado.

Nada importa. Os Jornalistas (até) não têm razão de queixa… São uma classe prestigiada, nobre e cada vez mais dignificada.

É muito mais vantajoso e lucrativo ser domesticado, criado de luxo do poder, como foi bem exemplificado pelo próprio Fernando Lima. E depois das diferentes comissões de serviço sempre poderá ser administrador de uma qualquer empresa, pública ou privada.

Há quem destaque, lá como cá, a importância do trabalho jornalístico como base fundamental para a democracia, assegurando que não só é uma obrigação como deve ser uma forte vontade apoiar esse pilar democrático em que se constituem os meios de comunicação.

Alguns utópicos, lá como cá, dizem mesmo que, aconteça o que acontecer, a imprensa, uma imprensa livre, continuará a ser um dos grandes pilares da democracia.

Mesmo considerando que um deputado roubou (isto foi lá) os gravadores aos jornalistas, no caso Ricardo Rodrigues, do Partido Socialista, então vice-presidente do Grupo Parlamentar e membro do Conselho Superior de Segurança Interna de Portugal, importa dar voz ao contraditório.

Ou seja, aos que dizem que o que mais há lá e cá é liberdade de imprensa. E quem são eles? São os donos dos jornalistas e os donos dos donos.

A ser verdade que uma imprensa livre é um dos grandes pilares da democracia, a dita está, muito mais cá do que lá (reconheça-se) moribunda. Moribunda embora os donos dos jornalistas e os donos dos donos digam o contrário. Ouçam, por exemplo, as mais impolutas figuras dos diferentes governos lusos e também do nosso, o único que conhecemos desde 1975.

José Sócrates, enquanto primeiro-ministro, chegou tão cedo ao sector da comunicação social que conseguiu, sem grande esforço e em muitos casos apenas por um prato de lentilhas, fazer com que os seus mercenários, chefes de posto ou sipaios, titulares, ou não, de Carteira Profissional de Jornalista, fizessem da imprensa o tapete do poder. José Eduardo dos Santos já lá tinha chegado há muito.

Sempre, é claro, levando em conta que uma imprensa livre é um dos grandes pilares da democracia.

José Sócrates, enquanto primeiro-ministro, chegou tão cedo que conseguiu, sem grande esforço e em muitos casos apenas por um prato de lentilhas, transformar jornalistas em criados de luxo do poder vigente. Sempre, é claro, levando em conta que uma imprensa livre é um dos grandes pilares da democracia. José Eduardo dos Santos já lá tinha chegado há muito.

Em Portugal, José Sócrates, enquanto primeiro-ministro, chegou tão cedo que conseguiu, sem grande esforço e em muitos casos apenas por um prato de lentilhas, garantir que esses criados regressarão mais tarde ou mais cedo (muitos já lá estão) para lugares de direcção, de administração etc.. Sempre, é claro, levando em conta que uma imprensa livre é um dos grandes pilares da democracia. José Eduardo dos Santos já lá tinha chegado há muito.

José Sócrates chegou tão cedo que deu carácter não só legal como nobre à promiscuidade do jornalismo com a política (sobram os exemplos de jornalistas-assessores e de assessores-jornalistas). Sempre, é claro, levando em conta que uma imprensa livre é um dos grandes pilares da democracia. José Eduardo dos Santos já lá tinha chegado há muito.

José Sócrates chegou tão cedo que deu carácter não só legal como nobre ao facto de que quem aceita ser enxovalhado pode a curto prazo – basta olhar para muitas das Redacções – ser director ou administrador. Sempre, é claro, levando em conta que uma imprensa livre é um dos grandes pilares da democracia. José Eduardo dos Santos já lá tinha chegado há muito.

José Sócrates chegou tão cedo que deu carácter não só legal como nobre ao facto de a ética jornalística se ter tornado na regra fundamental que aparece a seguir à última… quando aparece. Sempre, é claro, levando em conta que uma imprensa livre é um dos grandes pilares da democracia. José Eduardo dos Santos já lá tinha chegado há muito.

Em Portugal, José Sócrates chegou tão cedo que deu carácter não só legal como nobre ao facto de o servilismo ser regra para bons empregos, garantindo que esses servos vão estar depois a assessorar partidos, empresas ou políticos. Sempre, é claro, levando em conta que uma imprensa livre é um dos grandes pilares da democracia.

Pois é. José Eduardo dos Santos já lá tinha chegado há muito. Paulo Catarro é apenas o mais recente exemplo.

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