Os militantes do MPLA, funcionários públicos, desmobilizados de guerra e crianças de escolas públicas são obrigados, muitas vezes, a abandonar as suas zonas de residência e mesmo províncias, para seguir o cabeça-de-lista e candidato do MPLA, para onde este vá fazer comícios.

“E les querem passar a imagem que têm muita afluência em todo sitio, mas não é verdade, pois eu sou do Bié e vim arrastado para o Moxico, num camião”, lamenta Queiroz Damião Nzumbu, acrescentando estar há mais de quatro dias fora da família e a dormir ao relento.

Na realidade, a Televisão Pública de Angola tem passado a imagem de grande moldura humana, em todas as praças onde João “Malandro” Lourenço se apresenta, mas afinal tudo não passa de uma montagem e coacção, da máquina do MPLA, aos cidadãos mais vulneráveis, como aliás se podem verificar nestas imagens, onde centenas de populares são transportados como se fossem gado.

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Se fosse a oposição, que face aos parcos recursos financeiros de que dispõe, não pode recrutar autocarros, ainda se poderia justificar. Poderia, dizemos nós, haver mais tolerância, mas agora tratando-se do MPLA é quase um absurdo ou a clara manifestação de insensibilidade e desrespeito total, para com o cidadão eleitor, intoxicado com falsas promessas de melhorias de condição de vida há 42 anos e tem como troco o desprezo, principalmente, nos últimos anos, depois da adopção do multipartidarismo. Aqui o partido do regime, depois de conseguir os votos, honesta e desonestamente, chegado ao poder esquecesse das promessas e manda bugiar os eleitores.

Por esta razão, um pergunta se impõe, depois destas imagens de cidadãos enlatados em camiões; onde andam os 5 milhões de militantes, que o MPLA diz ter, se afinal é necessário forçar e coagir populares a deslocarem-se das suas zonas de origem, para encher os comícios de João “Malandro” Lourenço, cabeça-de-lista do MPLA e candidato à sucessão de José Eduardo dos Santos, na Presidência da República?

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Fossem as eleições nominais, o grande temor do partido no poder, MPLA e o cabeça-de-lista, nesta altura, face à sua fraca retórica, imagem fria e trancada, baixa popularidade, falta de carisma e, seguramente, não conseguiria, votos suficientes, para se eleger, nem como autarca no Lobito, Alvalade ou Malanje.

Agora, para desgraça colectiva dos angolanos, tendo a rede da batota na mão, capitaneada por aquele que será seu adjunto, o MPLA não precisa sequer que votem nele, pois os votos para continuar a liderar a desgovernação, já estão quantificados no sistema eleitoral de duas empresas da União Europeia, a portuguesa SINFIC e a espanhola INDRA, ambas com fortes ligações ao poder presidencial e judicial (Tribunal Constitucional), segundo fontes do próprio partido do regime.

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