Roubam! Destroem! Assassinam! Esta é a máxima de 41 anos de regime. Os vampiros assassinaram Weza, mais uma zungueira inocente. Os mandantes, quais covardes da pior estirpe, remeteram-se ao silêncio. E porquê? Por ela ser pobre, preta e de apelido, Ngola, enquadrando o descaso da sua vida, num infame comunicado da Polícia.

Por William Tonet

Sanguinários! Este é designativo que, apesar de benévolo, melhor qualifica os responsáveis.

O 2016 foi um ano marcante, pela negativa, com muitos lares marcados pelo desemprego, fome, miséria e luto, face à incompetência (na circunstância rimando com prepotência) executiva.

Gostaria de ter orgulho de citar factos positivos, mas sou coagido a considerar ASSASSINOS, uma grande parte dos governantes que, com a sua omissão e cumplicidade, coabitam com a morte brutal e cruel de cidadãos inocentes, indefesos e pobres, protagonizada, diariamente, pelas tropas militares e policiais do regime.

O assassinato de uma jovem zungueira, no dia 27 de Dezembro de 2016, no município de Viana (30 km de Luanda-capital de Angola), cujo crime, se de tal podemos falar, era o de ganhar a vida com dignidade, coisa que os corruptos governativos desconhecem e que nunca fez parte do seu ADN, vendendo produtos, como garantia não só de um prato de pirão em casa, como a de não engrossar o exército de prostituição.

Não pensou assim, o agente policial que a perseguiu, numa tresloucada correria, não para regular a sua actividade comercial ambulante, mas para a ROUBAR.

Sim, ROUBAR! Sim, ROUBAR

Éo que fazem estes fiscais, autênticos GATUNOS e assassinos, diariamente, cumprindo “ordens superiores”, logo os seus chefes, no caso o governador da Província de Luanda e o Titular do Poder Executivo, são os responsáveis por mais esta morte e pelos roubos dos agentes da Fiscalização. Na realidade (são integrantes de mais um exército camuflado do regime, tal como a Defesa Civil). Gozam, aliás, de total impunidade e quando, por mero acaso, são julgados acabam por ser amnistiados.

Ora, identificados os responsáveis deste e outros assassinatos, deveriam os intelectuais angolanos (que presumimos ainda existirem), comprometidos com as liberdades e democracia, não se acobardar, para contrariar, na positiva, a máxima de Martin Luther King: “O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons”.

Os amantes das liberdades e da democracia (continuamos a presumir que existam), bem como os intelectuais “bons” não devem continuar em silêncio, enquanto os maus aprimoram os roubos diários, os desalojamentos, os espancamentos e os assassinatos, de zungueiras, vendedores e outros trabalhadores liberais.

Devemos gritar, GRITAR, pois estes autóctones só andam na zunga, pela falta de empregos e resistirem à entrada nos exércitos da delinquência e da prostituição. Só por isso merecem a nossa indefectível solidariedade, para nos levar a inundar as ruas, as avenidas, as sanzalas, as bualas, as aldeias, os municípios e as províncias, com gritos de indignação e revolta, pois “quem não vive para servir, não serve para viver”.

Com estas acções, os cidadãos devem, ainda formar um CJID (Comité de Juristas Independentes e Democratas) onde denunciarão e vão catalogar a maior parte dos crimes hediondos, movendo os respectivos processos judiciais internos e externos, contra os responsáveis morais e materiais, visando levá-los ao banco dos réus, nos tribunais internacionais já que, na maioria dos casos, os tribunais internos são meras correias de transmissão da vontade do regime.

Se todos se mantiverem, por não ser connosco, indiferentes ou covardemente, ante estas arbitrariedades, estaremos apenas a estimular a continuidade das barbaridades praticadas pelas forças militares e policiais de um regime insensível, melhor, cada vez mais sanguinário e insensível…

E, é mais grave, quando por acontecer, hoje, contra os outros, termos a ilusão que não nos afectará. Puro engano.

Os assassinos, vertiginosamente, aproximam-se de cada um de nós, face à vampiragem que os alimenta de forma repugnante, mas institucional, com a capa de “Serviços de Fiscalização”, que bem poderiam chamar-se, também, “Serviços de Roubos Oficializados” ou “Serviços de Fuzilamento”, tais são as práticas diárias desta tropa, que substitui a caneta e o bloco, pela bala e arma de fogo, para disparar e matar inocentes trabalhadores.

O governador de Luanda, os demais governadores do regime, pois não são da Angola Profunda e o Titular do Poder Executivo deveriam ter vergonha, por manter na rua, mais um exército disfarçado, que faz da vida do pobre, uma banalidade, em contradição com o art.º 30.º (Direito à vida) “O Estado respeita e protege a vida da pessoa humana, que é inviolável”, da própria CRA (Constituição da República de Angola), feita a medida do presidente José Eduardo dos Santos.

Infelizmente não cumprem o que escrevem mas, ainda assim, um dia, mais cedo ou mais tarde, serão levados à barra dos tribunais e julgados, pois este assassinato cruel da zungueira, em Viana, como muitos outros (Mfulumpinga, Adão da Silva, Ngalombe, Cassule, Kamulingue, Ganga), não prescrevem, segundo o art.º 61.º (Crimes hediondos e violentos) da CRA “ São imprescritíveis e insusceptíveis de amnistia e liberdade provisória , mediante a aplicação de medidas de coacção processual:

a) o genocídio e os crimes contra a humanidade previstos na lei;

b) os crimes como tal previstos na lei”.

Como se pode verificar, a cidadania tem sido espezinhada e, não muitas vezes, excluída das estatísticas oficiais, como atesta o gráfico de esbulho violento de milhares de autóctones pretos, atirados para o matagal, face à ganância dos novos latifundiários negros, que dirigem há 41 anos um regime fascista, quase cópia perfeita do de Salazar, que tinha a justificação colonial…

Será que não tem este regime a justificativa neocolonial fascista? Tem.

Veja-se onde se alojam todos os corruptos, todos os gatunos do erário público, todos os responsáveis pela falência dos bancos comerciais, todos os donos dos condomínios, todos os donos das empresas de telecomunicações, todos os donos dos shoppings, todos os donos dos stands de automóveis, todos os donos dos bancos, todos os donos das empresas petrolíferas, todos os donos das empresas diamantíferas, enfim todos os empresários que sem vender ou produzir nada, têm dinheiro e são milionários e bilionários: todos são do Futebol Clube do Porto (clube de JES), desculpem, do regime do MPLA…

Daí ser este o saldo de 2016, que continuará a vigorar em 2017, caso nada seja feito, para se afastar a clique ambiciosa e irresponsável, que nos (des)governa, sofregamente, faz 41 anos.

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