A notícia, apesar do estratégico boicote oficial, surgiu na madrugada de 31 de Janeiro. Mais de 40 ex-militares armados, tentaram invadir o Palácio Presidencial em Luanda. A tentativa, real ou não, foi frustrada.

Agora surge a divulgação de que o Tribunal Provincial de Luanda adiou (a pedido dos advogados de defesa) para o dia 2 de Dezembro o inicio do julgamento dos 37 cidadãos acusados já não só de atentado contra a Presidência da República, mas também por crimes diversos.

De acordo com fonte policial, os acusados, dos quais dois ainda estão foragidos, pretendiam na madruga do dia 31 de Janeiro do corrente ano realizar um assalto a mão armada ao Palácio Presidencial antecedida da ocupação das instalações da Televisão Pública de Angola (TPA) e Rádio Nacional de Angola (RNA), no distrito urbano da Ingombota, em Luanda.

“Os actos executórios iniciaram-se no final da noite do dia 30 de Janeiro, quando cerca de 60 elementos se posicionaram, em pontos estratégicos nas proximidades do Palácio Presidencial e Largo da Independência, tendo despertado as atenções das forças da Policia Nacional”, explicou à Angop uma fonte policial.

Na acção, prosseguiu a fonte, as forças da ordem surpreenderam os elementos, e detiveram uma parte do grupo munido com armas automáticas do tipo “AKM-47 e outros colocaram-se em fuga desenfreada”.

Nos dias seguintes foram capturados outros elementos da associação, somando 37 que serão presentes ao Tribunal Provincial de Luanda.

Entretanto sabe-se que os factos foram mantidos em sigilo, visando evitar – segundo a tese do regime – o pânico e especulações desnecessárias no seio da população.

Segundo a mesma fonte, os acusados são na sua maioria desmobilizados das extintas FALA (Forças Armadas de Libertação de Angola, braço armado da UNITA), provenientes das províncias do Huambo, Huila, Bengo e Benguela.

O julgamento terá como juiz da causa, João António Eduardo Agostinho.

Na senda do que tem feito ao longo dos anos, o MPLA tem agora mais um motivo para acusar a Oposição, ma sobretudo a UNITA, de enveredar por “manifestações violentas e hostis, provocando vítimas, inventando vítimas, incentivando à desobediência civil, greves e tumultos, provocando esquadras e agentes e patrulhas da polícia com pedras, garrafas e paus”.

Certamente graças ao árduo trabalho dos seus especialistas, o MPLA sempre disse que tinha em seu poder “informações secretas que apontam que a UNITA e outros opositores estão prestes a levar a cabo um plano B”.

Plano que prevê, segundo os etílicos delírios dos dirigentes do regime, “uma insurreição a nível nacional”, sendo as províncias de Luanda, Huíla, Benguela, Uíge e, claro está, Huambo as visadas.

Sempre que no horizonte se vislumbra, mesmo que seja uma hipótese remota, a possibilidade de alguma mudança, o regime dá logo sinais preocupantes quanto ao medo de perder as eleições e de ver outro partido que não o MPLA a governar o país.

Para além do domínio quase total dos meios mediáticos, tanto nacionais como estrangeiros, o MPLA aposta forte numa estratégia que tem dado bons resultados. Isto é, no clima de terror e de intimidação.

Aliás, um dia destes vamos ver por aí os arautos do regime afirmar que todos aqueles que têm, tiveram, ou pensam ter qualquer tipo de armas são terroristas da UNITA que devem “ser varridos”.

E, na ausência de melhor motivo para aniquilar os adversários que, segundo o regime, são isso sim inimigos, o MPLA poderá sempre jogar a cartada que tem na primeira linha das suas opções e que é tão do agrado das potências internacionais, ou seja a de que há perigo de terrorismo, de guerra civil.

Esta suposta tentativa de ataque terá ocorrido no final de Janeiro mas, convenientemente, o julgamento começa em Dezembro e as eleições serão em Agosto. Entretanto, o MPLA não tardará a redescobrir mais uns tantos exércitos espalhados pelas terras onde a UNITA tem mais influência política, no Huambo por exemplo, para além de já se saber que quem falar contra o MPLA vai para a cadeia, certamente comer farelo.

Tal como mandam os manuais, o MPLA começa a subir o dramatismo para, paralelamente às enxurradas de propaganda, prevenir os angolanos de que ou estão com ele ou vem aí o fim do mundo.

Além disso, nos areópagos internacionais vai deixando a mensagem de que ainda existem por todo o país bandos armados que precisam de ser neutralizados. E não precisa de fazer grande esforço para que os amigos acreditem. Aliás, essa estratégia é mesmo aconselhada pelos seus submissos parceiros.

Como também dizem os manuais marxistas (que o regime só abandonou no que lhe interessa), se for preciso o MPLA até sabe como armar uns tantos dos seus “luvualus” para criar a confusão mais útil.

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