Em cada bolinha endereçada à árvore, em cada enfeite adaptado ao lar, um sonho compartilhado. O Natal é um período repleto de significados. Cada pessoa constrói o seu. O que estão construindo? Presentes – muitos – a serem entregues a quem se deve consideração? Consumismo implacável?

Por Gabriel Bocorny Guidotti
Jornalista e escritor
Porto Alegre – RS (Brasil)

N o fundo, essa relação comercial bate na couraça do que verdadeiramente importa. Natal, como essência, integra o universo da paz e do bem.

A ansiedade de uma criança pela chegada do Pai Natal é circunstância que vai além de qualquer entendimento. Compõe o íntimo do indivíduo, algo que se apregoa ao seu carácter. Faz carinho no temperamento.

Os pequenos carregam a esperança de que o mundo pode ser melhor, pois personagens como o bom velhinho alimentam um espaço transcendental, um imaginário colectivo. O pragmatismo, todavia, domina a vida do adulto. Cega sua compreensão e obriga a vítima a fechar os olhos para quem já foi.

O Natal abre um portal para que os crescidos deixem as cicatrizes da realidade enterradas bem fundo. Permite recobrar valores esquecidos, junto à família. É uma forma de dissipar a sombra que envolve cidadãos ímpios da esperança – aqueles cuja vida é fruto da estagnação. Nada disso. A data comemorativa dá vazão a utopias mediante crenças em renas de nariz vermelho e duendes que actualizam a lista dos bons e dos maus. Conseguir enxergar tudo isso é mérito inalienável.

Mostre sua lividez e sagacidade. Nesta data, deixe de ser aquele que esperam que você seja e assuma a identidade que lhe apetece. Busque o menino e a menina dentro de si, no espectro da alegria que um dia acalantou seu espírito.

Observe o Pai Natal chegar pela chaminé, mesmo que você não o veja chegando. Ouça o sininho tocar! Descarte o aspecto religioso da celebração, se esta não for sua crença, mas reúna as pessoas importantes para um encontro divertido e aprazível. Monte a árvore, ainda dá tempo!

Natal é desvelo lírico, uma comoção alegre. Ele contribui ao relacionamento entre pessoas que se amam. E no encontro das gerações, as reminiscências de um passado brilhante, passando por um presente acolhedor, para estacionar na última estação, ungida pelos melhores sentimentos que nos ligam ao futuro. Abrace seu pai, sua mãe, seus irmãos. Suplante a exigência material dos presentes. Sinta mais, seja mais, beije mais. E busque a felicidade, acima de qualquer coisa.

Boas festas.

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