Várias áreas do município do Cazenga, em Luanda, estão há um mês sem a recolha de lixo, disse o administrador municipal, que prometeu a rescisão de contrato com as operadoras responsáveis pelo trabalho. Ao mesmo tempo, as chuva desta madrugada provocaram duas mortes e inundações de 8.279 residências.

V ítor Nataniel Narciso andou a visitar as áreas afectadas, tendo constatado que pelo menos oito zonas “estão em situação péssima e horrível”.

O responsável afirmou estar desapontado com o trabalho de quatro operadoras, salientando que nos próximos dias vai tomar medidas para que as empresas “serem imediatamente retiradas do Cazenga”.

“Porque são operadoras que se mostraram incompetentes, não têm capacidade instalada para fazer o trabalho de recolha de resíduos sólidos no Cazenga”, disse Vítor Narciso Nataniel, em declarações à rádio pública de Angola.

Segundo o administrador do Cazenga, o segundo município, a seguir a Luanda, com maior densidade populacional – 18.169 habitantes por quilómetro quadrado – as empresas alegam problemas de falta de pagamento, o que o responsável desmente.

“Não há problemas de pagamento, pode haver alguns, mas quando têm dinheiro põem o dinheiro no bolso e isto é uma pouca-vergonha, tem que haver bons gestores e estão a alegar falta de pagamento”, disse o dirigente.

“Não vou tolerar a situação que estou a encontrar aqui na 5.ª Avenida, não há recolha de lixo há 30 dias, quer dizer que estas empresas não estão capacitadas para fazer este trabalho. Estão aqui a aldrabar”, argumentou.

A situação de amontoados de lixo no município do Cazenga agrava-se com os três dias consecutivos de chuvas que caem sobre a cidade de Luanda, que as autoridades sanitárias de Luanda receiam venham a provocar várias doenças, nomeadamente a malária, cólera e febre tifóide.

De facto, um balanço provisório das chuvas que caíram na madrugada desta quarta-feira sobre Luanda, aponta para a morte de duas pessoas e inundações de 8.279 residências em toda a cidade.

O porta-voz do comando provincial de Luanda do Serviço de Protecção Civil e Bombeiros, Faustino Miguêns, disse que as mortes foram registadas na zona da Boavista.

O levantamento dos estragos da chuva, que ainda continua, indica igualmente o desabamento de 138 residências e de outras 78 em vias de desabar, o abandono de 32 casas, a inundação de dez escolas, dez esquadras da polícia, nove centros médicos e duas igrejas.

Faustino Miguêns disse que 151 famílias ficaram desalojadas, mas já se encontram sob tutela das administrações municipais.

“Tivemos também o desabamento de terra na estrada do Calumbo ao Zango (município de Viana), temos também alguns pontos críticos na estrada nacional 230, com a existência de vários charcos”, referiu o responsável.

Adiantou ainda que bacias de águas estão igualmente formadas em várias ruas e estradas, dificultando a passagem de pessoas e de viaturas.

Segundo Faustino Miguêns, as chuvas causaram o transbordo do rio Kwanza na zona da Muxima.

Há três dias que a capital angolana regista chuvas consecutivas mas os dados apresentados são referentes às que se abateram sobre Luanda na madrugada de hoje até meio da manhã.

“É tudo consequência das chuvas de ontem e ainda nesse preciso momento temos alguns pontos com chuvas miúdas, estamos a falar de Cacuaco, onde em alguns pontos ainda chove, e no Icolo e Bengo”, sublinhou.

A comissão provincial do Serviço de Protecção Civil esteve reunida na manhã de hoje com o vice-governador de Luanda para a área técnica e está a utilizar todos os mecanismos necessários para acudir as populações, nomeadamente o realojamento de algumas famílias e abertura de algumas valas para dar escoamento às águas, adiantou Faustino Miguêns.

O Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica de Angola prevê até princípios de Abril chuvas intensas em todo o país, que terminam a 15 de Maio, data em que se iniciam os três meses de tempo seco.

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