Marta dos Santos, irmã de José Eduardo dos Santos, por “casualidade” Presidente do MPLA, chefe do Governo e Presidente da República, tenta justificar o injustificável, ou seja, as picadas por onde trilharam os mais de 800 milhões de dólares, sacados do BESA.

S acados quer dizer, na linguagem do regime, empréstimo sem retorno. Linguagem essa quem tem um código que abre todos os cofres e não exige pagamentos: José Eduardo dos Santos.

Mas, é claro, embora seja um empréstimo a fundo perdido, teve de ser rentabilizado. E é assim que nasce o elitista Colégio Angolano de Talatona.

E dentro desta lógica de governar para a elite rica, Marta dos Santos abriu no dia 5 de Janeiro a sua instituição de ensino, com capacidade para acolher 1075 alunos, do ensino pré-escolar até à 12ª classe.

O empreendimento está orçado em mais de USD 23 milhões de dólares e diz garantir 112 postos de trabalho, sendo 48 para docentes a tempo integral, a maioria é estrangeira, nomeadamente portuguesa, e uns poucos ingleses e brasileiros, sete docentes a tempo parcial, 10 para estagiários e igual número de auxiliares, para além de 37 vagas para não docentes.

Por aqui se vê e identifica o segmento privilegiado, de um projecto que arranca numa ampla área, onde está implantada, nesta primeira fase o edifício central, que comporta 43 salas de aulas, totalmente, equipadas com computadores, projectores e quadros electrónicos. A estrutura suporta ainda, seis laboratórios: Biologia, Geologia, Física, Química e dois de língua inglesa.

Infelizmente, no caso de empreendedores complexados, não existe nenhum laboratório de língua angolana, sendo as eleitas duas estrangeiras: português e inglês. A instituição está ainda apetrechada com duas salas de formação informática, três de expressão artística, musical e dramaturgia; três espaços para reuniões com pais e encarregados de educação; um pavilhão gimnodesportivo multiuso, ginásios e espaços desportivos polivalentes ao ar livre; uma mediateca, com mais de dois mil livros, em português e inglês, para além de computadores para acesso controlado à Internet; um anfiteatro; dois refeitórios, uma cafetaria e uma enfermaria.

“Infelizmente, quem vai para esse colégio serão os gatunos e corruptos do governo, que dinheiro não lhes custa”, disse ao F8, Manuel José, fazendo questão de dizer: ”sou membro do MPLA, mas não pactuo com muitas destas roubalheiras, que por vezes mancham a imagem do partido, pois nem todos os militantes são gatunos e corruptos”.

Os alunos do pré-escolar têm como obrigação, proceder a uma inscrição inicial e matrícula, de 900 dólares e uma mensalidade de 1.300.

Os do 2º ciclo, para franquearem as portas da instituição de uma das empresárias feita rica pelo regime do irmão, têm de pagar 1.000 dólares, ou o equivalen­te em kwanzas, para a inscrição inicial e matrículas, sendo a propina mensal de 1.650.

E para ajudar a mostrar que os ricos podem tudo e que a fiscalização da polícia económica e não só, nem ousa passar por perto, para questionar as razões das fardas, obrigatoriamente fornecidas pelo colégio custarão 750 dólares, um preço exorbitante, pois corresponde a dois salários mínimos.

Num comunicado divulga­do aquando da sua inauguração, a promotora, garante que a contará co, a colaboração da Cambridge International Examinations. “O inglês e a prática informática constarão dos programas escolares desde o início dos estudos, pretendendo-se uma evolução progressiva e a sua completa fluência e utilização ao nível do ensino secundário”, lê-se na nota a que F8 teve acesso.

Mais à frente lê-se que “o Colégio Angolano de Talatona assume-se como um projecto que tem como primeiro objectivo constituir-se numa alternativa a todos aqueles que procuram qualidade de ensino fora de Angola. Correspondendo assim à necessidade e desejo de muitas famílias, [a escola] será, a curto prazo, uma referência no sector educativo”.

E assim, a irmã feita compulsivamente empresária, dá vivas à falência do BESA e à corrupção institucional, que lhe permite ficar com dinheiro de outros a custo zero.

Partilhe este Artigo