Os dirigentes das Forças Armadas Angolanas estiveram reunidos em Cabinda para, do ponto de vista oficial, analisar o Calendário das Principais Actividades e da Preparação Combativa, Operativa, Educativa e Patriótica das FAA.

Por Orlando Castro

D os assuntos analisados, segundo a agência noticiosa do regime, destacam-se a retrospectiva da situação interna e externa, cenários prováveis no ano de instrução 2015/2016 em especial para a situação dos Grandes Lagos.

Foi igualmente analisado o estudo sobre a situação militar e a disciplina nas FAA, o estado pisco-moral e disciplinar dos efectivos das FAA referente ao Ano de Instrução 2014/20145, o “estado de asseguramento técnico material, abastecimento logístico, do pessoal, do sistema de saúde militar bem como as linhas gerais de acção das FAA para o ano de Instrução 2015/2016”.

Mereceu ainda analise dos dirigentes das FAA, a “gestão financeira e procedimentos reitores, a directiva do Chefe do EMG/FF sobre a preparação operativa, combativa, Educação e Patriótica das FAA do ano de Instrução 2015/2016, bem como da directiva do Chefe do EMGFAA sobre o planeamento de Forças para o biénio 2015/2016.”

A margem da reunião, a hierarquia das Forças Armadas Angolanas deslocou-se à zona sul da cidade de Cabinda onde visitou a 10ª Brigada de Infantaria e Motorizada e assistiram à inauguração de casernas no Comando da Região Militar Cabinda destinadas a albergar o pessoal da Unidade de Apoio.

Nesta reunião, participaram o Chefe do Estado-Maior General Adjunto para a Educação Patriótica, os comandantes dos ramos das FAA (MGA, FAN e Exército) bem como o Juiz Presidente do Supremo Tribunal Militar e Procurador Militar das FAA, para além do inspector do EMG, e dos vices-CEMGFAA p/Logística e Infra-estruturas e para Área Social e outros responsáveis da hierarquia das FAA.

Em tempo de paz é relevante saber que não é descuidado o estado pisco-moral e disciplinar, bem como a educação patriótica, dos efectivos das FAA.

Ao que parece, a educação patriótica está com níveis baixos, seja nos militares ou nos civis ligados ao regime. Todos os anos a questão é analisada. Recordamo-nos de um seminário de formação de formadores, que marcou o lançamento do programa de formação política e patriótica dos dirigentes, quadros, militantes e amigos da JMPLA e que, curiosamente, também teve lugar em Cabinda.

Tal e qual comos nos tempos da militância marxista-leninista do pós-independência (11 de Novembro de 1975), o regime continua a reeducar o povo tendo em vista e militância política e patriótica. E tanto a militância política como a patriótica são sinónimos de MPLA.

Basta ver, mas sobretudo não esquecer, que o regime mantém, entre outras, a estrutura dos chamados Pioneiros, uma organização similar à Mocidade Portuguesa dos tempos de um outro António. Não António Agostinho Neto mas António de Oliveira Salazar.

Num Estado de Direito, que Angola diz – pelo menos diz – querer ser, não faz sentido a existência de organismos, entidades ou acções que apenas visam a lavagem ao cérebro e a dependência perante quem está no poder desde 1975, o MPLA.

Dependência essa que, como todas as outras, apenas tem como objectivo o amor cego e canino ao MPLA, como se este partido fosse ainda o único, como se MPLA e Pátria fossem sinónimos.

Nessa reunião de Cabinda, os trabalhos incidiram sobre “Princípios fundamentais e bases ideológica do MPLA”, “Discurso do Presidente José Eduardo dos Santos”, “Princípios fundamentais de organização e funcionamento da JMPLA” e ” O papel da juventude na conquista da independência Nacional e na preservação das vitórias do povo angolano”.

Nem no regime de Salazar se fazia um tão canino culto do regime e do presidente como o faz o MPLA, e já nem falta dizer que existe Deus no Céu e José Eduardo dos Santos na terra.

Não nos esqueçamos, por exemplo, que o regime tem comandantes militares cuja exclusiva função é a Educação Patriótica.

Treze anos depois da paz, a estrutura militar continua a trabalhar à imagem e semelhança dos Khmer Vermelhos de Pol Pot.

Relembre-se, também – já agora – por uma questão de educação patriótica, que numa dessas sessões o então substituto do comandante da Região Militar Norte para Educação Patriótica do MPLA, Coronel Zeferino Sekunanguela, enalteceu, no Uíge, o contributo do primeiro presidente de Angola, António Agostinho Neto, na luta de libertação nacional.

O oficial superior da tal “Educação Patriótica”, que falava na palestra sobre “Vida e obra de Doutor Agostinho Neto”, disse que Neto foi o Fundador do movimento nacionalista, da Nação angolana e contribuiu para a luta de libertação nacional.

Assim sendo, “Educação Patriótica” é sinónimo do culto das personalidades afectas ao regime do MPLA, banindo da História de Angola qualquer outra figura que não se enquadre na cartilha do partido que, cada vez mais, não só se confunde com o país como obriga o país a confundir-se consigo.

O oficial superior da tal “Educação Patriótica” reconheceu então que o primeiro presidente de Angola foi um grande estadista e político que contribuiu também para a libertação de outros povos Africanos rumo à independência dos seus países.

Só é pena que Agostinho Neto não tenha nascido uns séculos antes para ser possível dizer que também contribuiu para a independência de Portugal. Mesmo assim, creio que o oficial superior da tal “Educação Patriótica” sempre pode dizer que Neto ajudou a democratizar o regime português.

Segundo o oficial superior da tal “Educação Patriótica”, graças à sabedoria de Agostinho Neto é que o povo de Angola conseguiu libertar-se da escravatura e da colonização portuguesa e de todas os crimes promovidas pelos inimigos de Angola.

O oficial superior da tal “Educação Patriótica” explicou também a contribuição de Neto como médico profundamente humano, como escritor e político de renome internacional. De facto, ao que parece, melhor do que Agostinho Neto só será, um dia destes, José Eduardo dos Santos.

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