Cabo Verde “está de parabéns” pelo esforço desenvolvido ao longo dos últimos 15 anos, independentemente de cumprir ou não todos os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM), mantendo-se como o “case study” na África Subsaariana.

A conclusão é da coordenadora residente do Sistema das Nações Unidas (SNU) em Cabo Verde, Ulrika Richardson-Golinski, em entrevista à agência Lusa para um balanço sobre as oito metas do ODM, delineado pela ONU em 2000 até ao final de 2015.

“Se falamos de um balanço global, é muito positivo. Há grandes avanços – mais nalgumas áreas e menos noutras -, mas, globalmente, pode dizer-se que Cabo Verde tem feito um progresso em todos os objectivos e em todas as metas que têm pertinência para o país”, sublinhou a diplomata sueca, no arquipélago desde Março de 2013.

Ulrika Golinski indicou que, na comparação com a grande maioria dos países africanos, Cabo Verde “destaca-se como um dos melhores progressos” do continente, ressalvando, porém, que os resultados têm de ter em conta a aposta que o país fez, desde a independência em, 1975, nas áreas sociais, sobretudo educação e saúde.

“Houve um investimento na saúde e na educação e investir nestes dois sectores fundamentais deu uma ajuda fundamental para um progresso contínuo”, realçou.

A coordenadora da ONU considera Cabo Verde como um “case study”, tal como em, 2010 a sua antecessora, Petra Lantz, num balanço aos 10 primeiros anos do programa dos ODM em Cabo Verde.

A redução da pobreza (objectivo 1) foi, no seu entender, alcançado – baixou-se a pobreza de 47% para 26% -, mas há ainda muitos desafios pela frente, sobretudo pelo facto de mais de 40% das crianças serem oriundas de famílias “pobres”.

Nota positiva também para o acesso universal ao ensino primário. Considerou “fenomenais” os progressos registados – a taxa de escolarização é de 95% -, embora ressalve que apenas metade das crianças que começa o ensino básico termina o secundário.

Na promoção da igualdade do género, objectivo três, destacou a paridade entre rapazes e raparigas no ensino básico, mas considerou que ainda não a atingiu na política – chegar aos 30% de mulheres, está nos 21% -, apesar dos “grandes esforços” já feitos e de, no Governo, os homens serem menos que as mulheres, “algo fantástico”.

Na redução da mortalidade infantil (objectivo quatro) Cabo Verde “está no bom caminho”, mas “dificilmente” atingirá o objectivo, havendo “esperança” de que, nos últimos seis meses, o arquipélago consiga descer de 23 para 19 mortes por cada 100.000 crianças até aos cinco anos – faltam apurar os dados de 2014 e 2015.

Cabo Verde atingiu já a meta cinco, relacionada com a saúde materna. O desafio do país era “metodológico”, pois a base de incidência é de 100 mil partos por ano e o arquipélago está “muito longe desse número” – tem cerca de 540 mil habitantes.

Para a coordenadora do SNU, a “pequenez” do número de partos permite que um simples incidente possa “alterar tudo”, mas destacou que os partos assistidos em estruturas de saúde e por profissionais qualificados já representam 95% do total.

No combate ao HIV, malária e outras doenças (objectivo seis), Cabo Verde está também no “bom caminho”, mantendo há vários anos estável a taxa de incidência da sida (0,8%) e em vias de eliminar o paludismo (os casos são residuais e oriundos da África Ocidental) e há um forte planeamento sanitário.

No penúltimo objectivo, garantir a sustentabilidade ambiental, Ulrika Golinski destacou o “grande avanço” na protecção ambiental, exemplificando com a área protegida, cuja cobertura passou, em 15 anos, de 0,8% para quase 20%.

Ressalvou que houve avanços significativos na disponibilização de água potável às populações – já chegou aos 90%, embora só 60% seja canalizada e a restante através de fontanários públicos.

A meta do saneamento, integrada ainda no sétimo objectivo foi já ultrapassada, salientou a coordenadora da ONU em Cabo Verde, pois a ideia era atingir 62% da população e o indicador já chegou aos 72%.

No último objectivo, criar uma parceria mundial para o desenvolvimento, Ulrika Golinski destacou a “eficácia da cooperação” entre Cabo Verde e os parceiros internacionais.

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