Se fizermos uma digressão por Angola adentro, se revisitarmos o nosso passado histórico, entenderemos esta Angola actual, embrutecida pelos conflitos que se negam a dar lugar à paz e que ainda sanciona quem pensa diferente.

Por Marzebólio Lendário

V ejamos: os maus-tratos, a exclusão e a perpetuação da ignorância, instrumentos usados pelo sistema colonial, foram a causa da Revolução.

Hoje, porém, a história repete-se: os jovens perceberam que a morte de milhares de angolanos não significou nada para a efectivação da verdadeira paz, que levou muitos ao martírio patriótico, tudo porque, embora passados 40 anos de Independência, os dias melhores tardam a chegar.

É assim que em homenagem aos heróis anónimos, levantou-se a poeira fina do tempo que desembocou em manifestações que põem em questão a seriedade e responsabilidade de quem nos governa.

A paisagem geopolítica deu-lhes duas alternativas: acomodar-se ou lutar.

Ao renunciar ao comodismo, à bajulação, eles começaram a lutar com ideias.

Mas as suas vozes não estão sendo ouvidas e, sem perceber, o 27 de Maio está a repetir-se.

Senão, por que ignoram as vozes inocentes de mulheres que pedem libertação dos seus filhos?

Por que insistem em mostrar uma Angola mirífica na media, mas podre por dentro?

Por que manipular o autóctone quando ele mesmo sabe que as palavras bonitas nunca saem do discurso?

Desde os primórdios da nossa História Política, vimos que o regime teve um ódio visceral à diversidade de pensamento. É este ódio que motivou o 27 de Maio e que hoje se vai repetindo sob matizações legitimadas pela ignorância da maioria.

Os jovens perceberam que os governantes estão a manifestar o mesmo comportamento dos opressores do período colonial. Por isso, estão a seguir o exemplo daqueles que revolucionaram a História e precipitaram a Independência de Angola. Eles clamam por justiça, mas, sobretudo, por Liberdade. Sim, LIBERDADE. Não essa Liberdade de fachada, mas uma Liberdade vivida na diferença, na tolerância, na coexistência, onde a pacificação dos espíritos e a paz social não sejam ditadas por meras disposições ditatoriais de quem não sabe o sentido da palavra LIBERDADE.

Dá medo e punge o coração ver até onde chegamos para defender o partido!

Têm medo de jovens que pensam e rotulam-nos com pejos para desencorajar outros que vivem massacrados por frustrações. E é assim que prenderam arbitrariamente jovens académicos que trazem a destruição que merecem.

Quem me dera ter a perspicácia de Nzinga Mbandi, a argúcia de Mandume, a força racional destes heróis enterrados no vento da História para destruir este sistema que exilou a PAZ, a JUSTIÇA e a LIBERDADE no país do futuro.

País que, embora velejando com todas as forças, parece estar noutra galáxia.

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