Remember 2014, a nossa pobreza e a corrupção deles (II)

No dia 11 de Novembro de 1975, data proposta por Álvaro Holden Roberto, então presidente da FNLA, durante os Acordos do Alvor (Portugal), como data para a proclamação da Independência, o MPLA – que tudo fez para evitar a realização das eleições gerais, naquela altura, proclamou o novo ente jurídico internacional, como República Popular de Angola, de orientação socialista.

Por William Tonet (*)

Q uem reivindicasse a ideologia seguida, mesmo intramuros, tinha uma séria resposta de Agostinho Neto: fuzilamento, sem julgamento, como aconteceu com um dos heróis do 4 de Fevereiro de 1961, Virgílio Sotto Mayor, fuzilado na companhia de outros, no dia 22 de Agosto de 1975, no campo da Revolução, com direito a transmissão “masoquista” da Rádio Nacional de Angola, ao serviço exclusivo do MPLA.

Em 1977 houve a maior chacina selectiva depois da segunda guerra mundial; cerca de 80 mil intelectuais bárbara e selvaticamente assassinados, sem julgamento, conotados ao comandante Nito Alves. Agostinho Neto, ao declarar “não vamos perder tempo com julgamentos”, converteu-se num médico profundamente assassino, só comparado a Adolf Hitler, arrastando o MPLA neste mar de sangue de inocentes, até 1979.

Eduardo dos Santos jurou dar continuidade à sua política. Fê-lo. Reduziu as mortes colectivas, mas no individual e no capítulo de ausência de direitos individuais, manteve tudo na mesma.

Economia centralizada e sociedade sem classes económicas. Tudo era, aparentemente, repartido equitativamente por todos…

Ao ponto de quem fosse apanhado com uma nota de 1,00 USD era preso, torturado e definhava nas masmorras do regime. Exaltava-se a pureza de um hipotético homem novo…

Era proibida a ostentação de riqueza, própria de sociedades de consumo e consideradas capitalistas e as bichas para aquisição de bens básicos eram sinónimo de cultura e justiça socialista, para a maioria do povo… Um ilusório arco-íris até 1989…

Os anos 90 foram cruciais para a virada político-ideológica, fruto da luta armada empreendida pela UNITA, que obrigaram o regime do MPLA, a abandonar, no seu III Congresso de Dezembro de 1990, o marxismo-leninismo. Em Maio de 1991 com o advento dos Acordos de Bicesse a ex-Assembleia do Povo é “forçada” a elaborar a primeira revisão constitucional, aprovando as Leis n.º 12/91, pondo fim ao monopartidarismo, a de Associação n.º 14/91, a de Partidos Políticos n.º 15/9, a de Direito de Associação n.º 16/91, a de Imprensa nº 25/91 e a de Greve nº 23/91.

Em 1992 surge a segunda revisão constitucional, através da lei 23/92 de 16 de Setembro, alterando a denominação do país, para República de Angola, a descentralização do poder, às eleições autárquicas, a economia de mercado e o multipartidarismo, permitindo a todos partidos participação nas eleições.

A partir daquela data, dava-se início a privatização total do Estado, por parte dos proletários, que passaram a gostar mais dos dólares e de património público e de populares, espoliando-os, que os próprios capitalistas.

Para consumar essa voracidade, sob proposta de Sebastião Lavrador, então governador do BNA e amigo de Eduardo dos Santos, foi criado um banco, onde pudessem ir buscar dinheiro, sem consequências: o Banco CAP (Caixa Agro Pecuária e Pescas).

A maioria dos membros do Bureau Político e do Comité Central pediam empréstimos que não devolviam e quando atingiu mais de 10 mil milhões de dólares, de crédito mal parado, foi a falência assumida, pelo Presidente da República de um banco, sem que ninguém fosse responsabilizado…

Num país decente, este seria o primeiro grande caso de polícia, mas um réu do MPLA, cometendo um ilícito financeiro é sempre inocentado ou indultado…

Esta foi a cobaia e o pontapé de saída do proletariado do socialismo, para se converter em proprietários especializados no saque dos cofres públicos, maternidade onde nasceram todos os filhos da actual corrupção do Estado.

(*) Pode o leitor enviar pormenores sobre os dados acima referenciados, para que a culpa de todos estes males, não morra solteira… Faça a sua parte. Contribua para a verdade da história e higienização da política e democracia angolana.

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