As autoridades sanitárias do município de Caála, província do Huambo, estão a reforçar as campanhas de sensibilização contra as doenças diarreicas, responsáveis pela morte de 54 pessoas entre 21.426 casos registados em 2014.

S egundo o chefe de repartição de saúde daquele município, Albino Ndumbi Ernesto, a intensificação da campanha visa reduzir a taxa de mortalidade e evitar a propagação a outras comunidades.

O técnico sanitário frisou que as doenças diarreicas são a primeira causa de mobilidade e mortalidade naquela região do centro de Angola.

Esta acção preventiva está a ser levada a cabo nas 27 unidades sanitárias existentes de Caála e consiste no aconselhamento sobre condições sanitárias, higienização comunitária, uso de água potável, cuidados primários e técnicas preventivas básicas nas comunidades.

Até 2013, segundo dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) davam conta que, em Angola, as doenças diarreicas estavam na origem de cerca de 23 por cento da mortalidade infantil no país, que todos os anos registava entre 1,4 a dois milhões de casos.

“É uma doença de origem hídrica e o seu combate necessita do envolvimento de todos os municípios, a sociedade civil, autoridades religiosas e da administração local, através de acções práticas de melhoramento das condições básicas sanitárias”, disse Albino Ndumbi Ernesto, citado hoje pela Angop.

A falta de acesso à água tratada em quantidade e qualidade e saneamento adequado do meio têm provocado surtos esporádicos de cólera e de outras doenças de transmissão oral.

Em 2009, o relatório “Diarreia: Porque é que as crianças continuam a morrer e o que é possível fazer?”, apresentado em Genebra pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pela agência das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), estimava que morram anualmente em Angola devido à diarreia quase 20 mil crianças com menos de cinco anos.

A lista de países era então liderada pela Índia, onde se estima que morram por ano quase 390 mil crianças por doenças associadas à diarreia, e inclui ainda nos lugares cimeiros países como a Nigéria, República Democrática do Congo, Afeganistão e Etiópia.

A meio da tabela estão o Paquistão, o Bangladesh e a China, enquanto o Mali e Angola fecham a lista.

Ainda segundo o relatório, os países africanos (46 por cento) e do sul da Ásia (38 por cento) concentravam 80 por cento das mortes de crianças com menos de cinco anos causadas pela diarreia em todo o mundo, que em 2007 se estimavam em 1,5 milhões.

Apesar dos progressos registados pela OMS nas últimas duas décadas, a diarreia continua a segunda causa de morte mais comum entre as crianças com menos de cinco anos a seguir à pneumonia. Em conjunto, as duas doenças são responsáveis por 40 por cento das mortes infantis em todo o mundo.

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