O vice-presidente de Angola, Manuel Vicente, defendeu hoje o reforço do diálogo e concertação entre responsáveis políticos e técnicos dos sectores financeiros e monetários africanos para erguer um sistema financeiro internacional “mais justo e consentâneo com o desenvolvimento sustentável”.

M anuel Domingos Vicente discursava na abertura da reunião de ministros das Finanças e Governadores dos Bancos Centrais Africanos – o ‘Caucus Africano’ – que decorre em Luanda até sexta-feira, para análise das actuais preocupações que afectam as economias do continente, nomeadamente a construção de infra-estruturas e a industrialização.

O dirigente angolano frisou que o encontro, que tem como principal objectivo promover o debate e a convergência de ideias entre os responsáveis africanos das áreas das financeira e monetária, decorre num momento de “elevada turbulência e de instabilidade na economia mundial”.

Segundo Manuel Vicente, nessa fase mais difícil a concertação de ideias impõe-se para se ultrapassar o problema.

“Só deste modo poderemos dar contributos convergentes e consistentes, quer ao nível do Banco Africano de Desenvolvimento, quer ao nível do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional, com os quais é essencial aprofundarmos e consolidarmos a cooperação, para que seja possível edificarmos um sistema financeiro internacional mais justo e consentâneo com o desenvolvimento sustentável”, defendeu Manuel Vicente.

No seu discurso, ficou igualmente o apelo a essas instituições para o apoio “de facto” à industrialização de África, para a transformação e a diversificação económica.

O governante angolano sublinhou a importância da industrialização e da diversificação da economia baseada em cadeias de valor nacionais e regionais em sectores com condições para a competitividade.

Para o efeito, apontou a necessidade da atribuição de mais valor aos recursos existentes, seja nas actividades directamente mais produtivas seja através de infra-estruturas e actividades complementares ou de suporte, nomeadamente sistemas de transporte e telecomunicações, bancários e financeiros.

“De facto só a articulação e a integração de actividades económicas, baseadas em factores de forte impacto e produtividade e competitividade, enquadrada por um ambiente incentivador de investimento e de negócio poderá gerar riqueza doadora e assim contribuir de forma sustentada para o combate à pobreza”, frisou.

Em relação a Angola, Manuel Vicente disse que o país deve incrementar o seu processo de diversificação económica, mobilizando se necessário outros recursos financeiros a nível internacional.

“É o que estamos a fazer em Angola, dando prioridade ao investimento privado nacional e internacional, à diversificação da economia, ao fomento da produção e à melhoria substancial do ambiente de negócios, mas também concedendo função estratégica à educação e formação do capital humano e à construção de infra-estruturas”, frisou.

Durante dois dias, pelo menos 22 ministros das Finanças, da Economia e do Planeamento africanos e cerca de 12 governadores de bancos centrais africanos vão reflectir em torno de temas ligados ao fluxo financeiro em África.

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