O papa Francisco denunciou hoje, na audiência geral semanal, os fabricantes e traficantes de armas, “manchados com o sangue de tantos inocentes”. Bem prega o Santo Padre!

N a praça de São Pedro, em Roma, o papa lembrou que na Ásia se comemora o fim da Segunda Guerra Mundial. A 15 de Agosto, depois do bombardeamento nuclear de Nagasaki, no Japão, e da declaração de guerra da União Soviética, o imperador Hirohito anunciou o cessar-fogo. A 2 de Setembro, o Japão assinava o instrumento de rendição incondicional, pondo fim à Segunda Guerra Mundial.

Francisco pediu que “no mundo de hoje não se volte a viver os horrores e sofrimentos terríveis de tragédias como aquela”.

No entanto, sublinhou o papa, o mundo continua “a viver” estas tragédias e recordou as “minorias perseguidas, os cristãos perseguidos e a loucura da destruição”.

“Que não haja mais guerra. Este é o grito dos nossos corações, dos corações de todos os homens e mulheres de boa vontade”, afirmou.

O comércio internacional de armas aumentou mais de 30% nos últimos cinco anos. Pois é. E depois vem o Tribunal Penal Internacional julgar como criminosos de guerra os que, embora não sendo fabricantes, lhe dão o uso para que elas foram feitas. Se os maiores exportadores mundiais são os EUA, a Rússia, a Alemanha, a França e Grã-Bretanha, não deveriam estes países serem igualmente julgados pelo TPI?

A brasileira Embraer aparece em 94º lugar no ranking das 100 maiores empresas em vendas de armas e serviços militares, segundo um relatório do Sipri (Instituto Internacional de Estudos da Paz de Estocolmo). O ranking é liderado pela norte-americana Lockheed Martin.

Desde 2002, o aumento real foi de 60%. O ranking não inclui a China porque, de acordo com o Sipri, faltam dados precisos e comparáveis com os de outros países. Mas o centro do estudos observa que, se companhias chinesas fossem incluídas, parte delas possivelmente entraria na lista das 100 maiores.

Sem a China, empresas dos EUA e de países da Europa Ocidental dominam a lista, que inclui também companhias japonesas, sul-coreanas, indianas e russas. Há 44 norte-americanas entre as 100 mais, e as suas vendas correspondem a 60% do total. As vendas das 30 empresas europeias somam 29% do total.

“A indústria global de armas continua a ser altamente concentrada. A lista dos dez maiores fabricantes inclui, além da Lockheed Martin, a BAE Systems (Reino Unido), a Boeing (EUA), a Northrop (EUA), a General Dynamics (EUA), a Raytheon (EUA), a subsidiária americana da BAE Systems, a EADS (europeia), a Finmeccanica (italiana), a L-3 Communications (EUA) e a United Technologies (EUA). Juntas, só as sete americanas que estão entre as dez mais empregam directamente 890 mil pessoas, o que dá uma ideia do seu peso.

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