A UNICEF está a acelerar o envio de ajuda de emergência a milhares de crianças que o aumento da violência e dos ataques às equipas de ajuda humanitária obrigaram a abandonar as respectivas casas na República Centro-Africana.

Em comunicado hoje divulgado, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) indicou que “confrontos recentes nas regiões norte e ocidental do país, bem como um surto de violência na capital, Bangui, vieram agravar a insegurança e comprometer o acesso humanitário”.

Perante os novos obstáculos, a representante adjunta daquela agência especializada da ONU no país, Judith Léveillée, afirmou: “Recusamo-nos a aceitar as ameaças que visam impedir o nosso trabalho de proteger as crianças, especialmente aquelas às quais é mais difícil chegar”.

“Temos de fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para levar ajuda às crianças da República Centro-Africana. Elas precisam desesperadamente de apoio e correm o risco de ser esquecidas pela comunidade internacional”, insistiu.

Nesse sentido, a UNICEF assevera que “está a fazer o possível para chegar às crianças afectadas pela violência”, e garantiu já o abastecimento de água a 55.000 pessoas no noroeste do país, “através do fornecimento de combustível e cloro suficientes para manter em funcionamento as estações de tratamento de água em Bossangoa e Bouar durante os próximos dois meses”, lê-se no documento.

Além disso, por temer “a deterioração da situação, pré-posicionou mais bens de emergência para crianças — incluindo lonas, jerrycans e cobertores — nos seus cinco escritórios de campo no país”.

A organização referiu ainda que, “na passada quarta-feira, um voo charter da Norwegian Air aterrou em Bangui com uma carga de bens essenciais, nomeadamente medicamentos para o tratamento de HIV, materiais para a construção de latrinas e produtos nutricionais para crianças gravemente subnutridas”.

Por último, está “a montar 78 novos espaços de aprendizagem temporários para cerca de 15.600 crianças que foram forçadas a abandonar as suas casas em pontos cruciais, tais como Kaga Bandoro, Batangafo e Dekoa”, precisa o comunicado.

Sobre as condições, cada vez mais difíceis, em que a UNICEF e organizações parceiras estão a trabalhar no país, Judith Léveillée indicou que “este mês, as equipas de ajuda humanitária foram alvo de ataques sem precedentes”.

“Precisamos de acesso humanitário em segurança e sem entraves para levar ajuda de emergência a crianças vulneráveis e suas famílias, e apelamos a todas as partes envolvidas no conflito para que garantam o nosso acesso às pessoas que mais precisam”, frisou.

Segundo a agência da ONU, na República Centro-Africana, “mais de 2,3 milhões de crianças foram afectadas pela crise desde que os confrontos violentos chegaram a Bangui, em Dezembro passado, obrigando cerca de um milhão de pessoas a fugir das suas casas”.

“Quase meio milhão de pessoas continuam deslocadas, entre as quais mais 3.000 pessoas que deixaram as respectivas casas na sequência do mais recente surto de violência em Bangui”, refere a organização no comunicado.

No mesmo texto, a UNICEF diz ter confirmado que seis crianças morreram e 22 ficaram feridas durante os intensos confrontos na capital, no início deste mês.

“Entre as vítimas mortais, contam-se duas crianças que foram brutalmente assassinadas depois de terem sido acusadas de espionagem”, lê-se no documento, no qual a agência acrescenta ainda ter recebido também “relatos de crianças feridas e mulheres grávidas que não conseguiram chegar a hospitais devido a bloqueios das estradas e ao medo de serem atacadas”.

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