Mais de dois mil estudantes angolanos deixaram de ir a pé para a escola, em percursos diários de quase quatro horas, depois de receberem bicicletas especialmente preparadas, que até permitiram melhorar as notas. Uau! Parabéns a todos os que vivem num país (tão) rico. Se bem que a iniciativa não seja do Governo.

C lemente de Oliveira, coordenador para Angola do projecto internacional BEEP (Bicycles for Education Empowerment Program), diz que “a nossa avaliação é que o desempenho destas crianças na escola, para onde passaram a ir de bicicleta, em Cabinda, aumentou 17%. Foi muito bom”.

Nas províncias do Huambo e de Cabinda foram distribuídas, entre Setembro de 2013 e Abril de 2014, um total de 2.100 bicicletas, num projecto promovido pela World Vision (organização internacional que promove o bem-estar infantil) avaliado em um milhão de dólares, apoiado financeiramente por uma petrolífera norte-americana.

“Estamos a falar de crianças que tinham de caminhar vários quilómetros, cerca de três a quatro horas por dia, só para irem e voltarem da escola. Agora gastam menos de uma hora. Além da assiduidade e da pontualidade, provocava problemas de motivação e depois no desempenho”, acrescenta o angolano que lidera o BEEP em Angola.

Estas bicicletas foram importadas por uma empresa nacional e melhoradas especificamente para utilização intensiva nas estradas e picadas angolanas, servindo diariamente estes estudantes.

“A fábrica melhorou a bicicleta em relação às restantes (utilizadas na África subsaariana, no mesmo projecto). Tem o pneu mais resistente, o sistema de travão é contra-pedal e foram usadas ligas metálicas para dar mais resistência. Conseguem transportar 100 quilos sobre o eixo, além do ciclista”, sublinha Clemente de Oliveira.

Mil destas bicicletas foram distribuídas a estudantes, com mais de 14 anos, em comunidades isoladas da província do Huambo, enquanto as restantes 1.100 em Cabinda.

“Têm uma duração estimada, com estas melhorias, entre três a cinco anos. O que fica muito acima das restantes, que duram cerca de um ano”, recorda o coordenador deste projecto da World Vision.

Pouco mais de metade das bicicletas foram entregues a meninas, precisamente por o projecto ter diagnosticado, junto das escolas, um maior índice de abandono escolar nestas. É que as raparigas são as primeiras a ficar em casa, para assegurar as lides domésticas e do campo, em caso de dificuldade de mobilidade.

Além do transporte para a escola, estas bicicletas permitiram também resolver problemas domésticos, como por exemplo facilitando o acesso destas à lavra ou no carregamento de água, tarefas habituais nestas comunidades.

O projecto, que visa minimizar as dificuldades no acesso escolar em vários países, envolveu em Angola, ainda, a formação destas crianças – obrigatoriamente matriculadas nas escolas – em algumas regras de condução, além da necessária autorização dos pais.

“É uma nova realidade que se abre para muitas destas crianças. Faz toda a diferença no futuro delas”, remata Clemente de Oliveira.

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