A Capoeira, manifestação cultural afro-brasileira que mistura artes marciais, dança e música, entrou hoje para a lista de Património Cultural Imaterial da Humanidade, após aprovação da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).

A manifestação cultural “tem raízes africanas que devem ser cada vez mais valorizadas por nós. Agora, é um património a ser conhecido e praticado em todo o mundo”, destacou a ministra interina da Cultura do Brasil, Ana Cristina Wanzeler, que acompanhou a votação.

A Capoeira surgiu no Brasil durante ao período esclavagista e desenvolveu-se como uma forma de socialização e resistência física e cultural entre os escravos.

Como as lutas eram proibidas nas sanzalas, os escravos reuniam-se em torno de rodas onde realizavam movimentos de artes marciais, porém sem contacto físico com o adversário, e ao embalo de música que conferiam à luta ares de dança.

Até hoje, um capoeirista completo deve dominar a musicalidade e saber tocar o berimbau, instrumento típico que dá o ritmo aos movimentos.

As reuniões para sua prática eram realizadas geralmente em campos abertos, com pouca vegetação, que à época eram chamados de capoeira, de onde vem o nome da luta.

A sua prática foi proibida no Brasil até à década de 1930, por ser considerada perigosa e subversiva, mas em 1937 foi declarada desporto nacional pelo então Presidente Getúlio Vargas.

O reconhecimento eleva o número de manifestações culturais brasileiras reconhecidas como património pela Unesco, que já inclui a dança carnavalesca pernambucana Frevo e o samba de roda do Recôncavo Baiano, a Arte Kusiwa (espécie de pintura corporal realizada por índios do Amapá), e o Círio de Nazaré, manifestação religiosa típica do estado do Pará.

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